Relatório será enviado nesta sexta-feira ao Ministério Público. Pai de Eliza chama advogado de Bruno de drogado por afirmar que jovem está viva
O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações da Polícia Civil de Minas Gerais, afirmou, pouco antes das 20h desta quinta-feira, que o inquérito sobre o desaparecimento de Eliza Samudio está concluído.
Segundo Moreira, o relatório de 1600 páginas será enviado nesta sexta-feira ao Ministério Público. Moreira não informa, no entanto, se todos os suspeitos serão indiciados, nem os delitos que pesam contra cada um deles. Na semana passada, o delegado já havia afirmado que o goleiro Bruno será indiciado. “Há provas suficientes de que Bruno é o mandante do crime, temos provas cabais”, afirmou Moreira.
Depois de uma reunião no Departamento de Investigações na tarde desta quinta-feira, o advogado Sérgio Barros da Silva, que representa o empresário Luiz Carlos Samudio, pai de Eliza, manifestou confiança no resultado da investigação. “As provas são bastante robustas e não deixam dúvida de que Bruno é o mandante e participou deste crime hediondo e cruel. Tenho quase certeza de que todos os envolvidos serão indiciados e nenhum sairá ileso e todo o mistério será desvendado”.
Luiz Carlos Samudio chegou a ficar próximo do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado pelo menor J. como o homem que estrangulou, esquartejou e ocultou o cadáver de Eliza. Bola, que estava no Departamento de Investigações para ser fotografado e ter as impressões digitais colhidas, não viu Samudio.
O pai da jovem disse que se sentiu revoltado ao ver o suposto assassino. “Como qualquer assassino, ele se mostrou uma pessoa fria e indiferente. A sensação de vê-lo é de revolta”, afirmou.
Pai de Eliza ataca Ércio Quaresma
O pai de Eliza Samudio também se disse indignado com as afirmações recentes do advoagado de defesa de Bruno, Ércio Quaresma, de que Eliza está viva. Ércio Quaresma chegou a incluir a jovem na lista de testemunhas a serem ouvidas no inquérito que apura seu próprio seqüestro, no Rio de Janeiro.
“Ele está alegando que minha filha está viva, inclusive a convocando para depor. Se ele sabe que minha filha está viva, então sabe onde está. Vou acabar pedindo à Justiça que seja aberto inquérito para que Ércio Quaresma diga onde ela se encontra”, afirmou Samudio.
Assim como Quaresma desqualifica depoimentos de testemunhas que incriminam Bruno, o pai da jovem desaparecida desqualifica o defensor dos suspeitos. “Não podemos levar em consideração o que diz uma pessoa que é drogada, não fala coisa com coisa e vive no mundo da lua”, criticou Samudio.
A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu, no fim da tarde desta quinta-feira (29), o inquérito sobre o desaparecimento de Eliza Samudio. Segundo nota publicada pela assessoria de imprensa da corporação, o inquérito tem oito volumes, com cerca de 1.600 páginas e três anexos. O documento deverá ser encaminhado ao Ministério Público Estadual na sexta-feira (30).
O goleiro Bruno de Souza foi indiciado por homicídio, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores. De acordo com a polícia, devem responder pelos mesmos crimes Luiz Henrique Ferreira Romão (conhecido como Macarrão), Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, Dayane Souza (mulher de Bruno), Elenilson Vitor da Silva, Sérgio Rosa Sales (primo do atleta) e Fernanda Gomes de Castro (amante do goleiro).
A polícia disse que o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola e Paulista, foi indiciado por homicídio qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.
Dos nove indiciados, Fernanda é a única que está em liberdade. Todos os outros estão presos na Região Metropolitana de Belo Horizonte e negam o crime.
O advogado Ércio Quaresma, que coordena a defesa de Bruno, Macarrão, Dayanne, Flávio, Wemerson e Elenilson, disse que todos os seus clientes negam o crime. O advogado Zanone Oliveira Junior, que representa Bola, também diz que o ex-policial não teve participação.
O advogado Marco Antônio Siqueira, que defende Sales, disse que seu cliente foi apenas testemunha. Sales já disse, em depoimento, que viu Eliza machucada no sítio de Bruno, em Esmeraldas (MG), e que ouviu outros suspeitos comentarem sobre a morte da jovem.
Na semana passada, Fernanda admitiu que viajou com Bruno do Rio de Janeiro até Minas Gerais, na época em que Eliza desapareceu. Ela disse que Macarrão, amigo do goleiro, acompanhou o casal. Mas afirmou que não teve contato com Eliza.
Advogados comentam
Frederico Franco, advogado que trabalha com Ércio Quaresma, disse que a equipe ainda vai analisar o inquérito e aguardar posicinamento do Ministério Público, que pode fazer a denúncia à Justiça ou devolver o documento para a polícia.
O advogado classificou o inquérito como "natimorto". “[O inquérito] não tem provas, vai nascer e vai morrer e todos irão para a rua.”
O advogado Zanone Oliveira Junior disse que já esperava o indiciamento de seu cliente, Bola, e foi irônico ao comentar a conclusão do inquérito policial. "O inquérito vai sair das mãos do [delegado] Edson Moreira, que maravilha! Demorou para isso acontecer. Agora a pressão vai diminuir e advogados vão parar de ser barrados na porta do Departamento de Investigações”, afirmou o defensor.
Marco Antônio Siqueira, que representa Sérgio Rosa Sales, reafirmou que seu cliente "não participou" dos crimes. “Eu fiquei surpreso por ele ter sido indiciado, pois tudo o que vi no depoimento é que ele não teve nenhuma conduta delitiva", comentou. "Continuo confiante de que quando o promotor analisar a situação do Sérgio, ele não vai oferecer denúncia e apenas vai aproveitá-lo como testemunha”, falou. "O indiciamento não significa que a pessoa vai ser condenada. Cabe ao promotor dizer qual crime a pessoa cometeu."
Em resposta aos advogados, a assessoria de imprensa da Polícia Civil disse que o trabalho dos delegados já foi concluído e agora a análise do inquérito deve ser feita pelo Ministério Público.
Pais de Eliza
O advogado Sérgio Barros da Silva, que representa Luiz Samudio, pai de Eliza, afirmou ao G1 que seu cliente ficou “satisfeito” com o indiciamento de Bruno e dos outros suspeitos. “Está dentro do que esperávamos, eles [suspeitos] foram indiciados por vários crimes. Apesar de ter todos os elementos para um indiciamento por tortura também, já que Eliza foi espancada, não há muitas provas. Esse caso fica a critério do Ministério Público agora, que pode sim entender que houve tortura”, disse.
A advogada Maria Lúcia Borges Gomes, que representa Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza, disse ao G1 que sua cliente preferiu não comentar a conclusão do inquérito.
Questionário
Mais cedo, nesta quinta-feira, os oito suspeitos presos foram levados ao Departamento de Investigações (DI), em Belo Horizonte.
Dayanne foi a primeira a chegar. Pouco depois, outros nove carros pararam na delegacia. Eles transportavam seis suspeitos que estão presos no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, incluindo o atleta. Todos vestiam os uniformes da unidade prisional. Sales, que está preso no Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) de São Cristóvão, também foi levado ao DI.
O delegado Edson Moreira disse que os suspeitos seriam "identificados criminalmente".
A assessoria da polícia informou que a identificação criminal é um procedimento realizado normalmente quando o inquérito vai ser encerrado. Os investigadores teriam registrado fotografias e as impressões digitais dos suspeitos.
Mas a advogada Cintia Ribeiro, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) que acompanha o caso, estranhou a iniciativa. "Não existe indiciamento, então não existiria necessidade de colher essa prova", disse ela.
Depois da confusão, a polícia disse que os suspeitos responderam a um questionário sobre a vida pregressa, com informações pessoais e sociais, como local de trabalho, renda e doenças crônicas.
Os oito presos ficaram na delegacia durante seis horas. Na saída, o goleiro Bruno apareceu de visual novo. Ele teve o cabelo cortado dentro do presídio.
Entenda o caso
Nascida em Foz do Iguaçu (PR), Eliza Samudio se mudou para São Paulo e posteriormente para o Rio. Em 2009, teve um relacionamento com o goleiro Bruno, engravidou e afirmou que o pai de seu filho é o atleta. O bebê nasceu no início de 2010 e, agora, está com a mãe da jovem, em Mato Grosso do Sul.
A polícia mineira começou a investigar o sumiço de Eliza em 24 de junho, depois de receber denúncias de que uma mulher foi agredida e morta perto do sítio de Bruno.
A jovem falou pela última vez com parentes e amigas no início de junho.
O corpo de Eliza não foi encontrado. Mas os delegados consideram a jovem morta.
Comentário
Ércio Quaresma dizer que Eliza Samudio está viva e ainda inclui-la no rol das testemunhas de defesa, é um acinte à sociedade e a todos os advogados deste país.
Fonte: VEJA/Andréa Silva - G1 - TV Globo
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