O governo do Irã anunciou nesta segunda-feira sua disposição em reiniciar as negociações para aprovação de um programa de troca de urânio com baixos níveis de enriquecimento pelo material enriquecido para a utilização em fins civis.
A declaração foi feita em carta entregue à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, vinculada à ONU) nesta segunda-feira – mesma data em que a União Europeia e o Canadá anunciaram um novo pacote de sanções contra o país.
“O Irã está completamente pronto para negociar, sem pré-condições, a utilização de combustível para o reator (nuclear) de Teerã”, afirmou o enviado iraniano à AIEA, Ali Asghar Soltanieh, segundo a agência de notícias iraniana Irna.
O conteúdo integral do documento apresentado pelo Irã, no entanto, ainda não foi divulgado.
As novas negociações devem ter como base o acordo proposto pelos governos brasileiro e turco, que previa que o Irã enviasse 1,2 mil quilos de urânio levemente enriquecido à Turquia para, em troca, receber urânio altamente enriquecido.
O combustível teria como destino um reator nuclear supostamente utilizado para pesquisas médicas em Teerã.
A proposta do Brasil e da Turquia – apresentada em meados do mês de maio - recebeu ressalvas do grupo formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e a Alemanha, o chamado P5 + 1.
Esses países alegam que faltam garantias de que, com o acerto, o Irã não terá condições de produzir uma bomba atômica.
Sanções
Nesta segunda-feira, a União Europeia e o Canadá anunciaram novas medidas contra o Irã.
As companhias europeias serão proibidas de vender ao Irã equipamentos para a produção e refinamento de petróleo e gás, de investir em projetos nesse setor e de prestar assistência técnica e transferir tecnologia à indústria petrolífera iraniana.
Além disso, a companhia marítima iraniana, Irisil, fica proibida de operar em águas europeias e os aviões de carga de bandeira iraniana não poderão aterrissar nos aeroportos europeus.
A UE também proibirá a exportação ao Irã de produtos de possível uso civil-militar e de produtos que podem ser usados para a produção de armas químicas ou biológicas, com exceção dos que são necessários para tratamentos médicos.
As restrições incluem ainda o setor bancário: qualquer transferência ao Irã de valores entre 10 mil e 40 mil euros procedente de um país europeu deverá ser notificada às autoridades nacionais. As de valores superiores a 40 mil euros deverão ser previamente autorizadas.
Além disso, as companhias de seguro e instituições financeiras iranianas ficam proibidas de operar em território europeu. Foi também ampliada a lista de membros do governo, da Guarda Revolucionária e de empresários do país cujos bens e contas bancárias na Europa serão congelados.
Assim como as sanções europeias, as novas medidas anunciadas pelo Canadá também têm como alvo os setores bancários e de energia do Irã.
Diplomacia
Ao mesmo tempo em que oficializa novas medidas de represália, a UE também reitera seu convite às autoridades de Teerã para retomar as negociações visando a um acordo que coloque fim às preocupações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o programa nuclear iraniano.
"Nosso objetivo é trazer o Irã de volta à mesa de negociações. Estamos estendendo a mão. Tudo o que eles têm que fazer é aceitá-la", disse o secretário de Estado alemão, Werner Hoyer, ao chegar para a reunião em Bruxelas.
A União Europeia e os Estados Undios desconfiam do programa iraniano que, acreditam, pode ter a finalidade encoberta de desenvolver armas nucleares. O Irã diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
Ante o anúncio da iminente decisão europeia, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou no domingo que seu país "reagirá com firmeza às sanções"
Fonte: BBC
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