Documentos mostram abusos do Reino Unido após 11 de Setembro

Ações contra cidadãos britânicos incluem sequestro e tortura de supostos suspeitos

Documentos oficiais secretos revelados durante um processo judicial mostram diversos casos de abusos cometidos por oficiais do Reino Unido contra cidadãos britânicos nas investigações que se seguiram aos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, informa nesta quinta-feira (15) o jornal The Guardian.

De acordo com o diário, as revelações contidas nos documentos implicam diversos membros do gabinete do ex-primeiro-ministro Tony Blair (1997-2007) em casos de sequestro e tortura cometidos por oficiais britânicos.

Imagem do jornal The Guardian mostra cidadãos britânicos supostamente vítimas de abusos nas investigações que se seguiram ao 11 de Setembro/Reprodução

Segundo o The Guardian, um dos episódios mais graves tem a ver com documentos que revelam a indiferença de agentes do MI5 (serviço de segurança) diante do "sofrimento" de um cidadão britânico que era questionado em uma base área dos Estados Unidos no Afeganistão. Os relatórios também mostrariam que os oficiais ficaram "contentes" com a continuidade dos abusos.

Outro documento, uma espécie de manual de operações para oficiais britânicos, diz que um dos aspectos que eles devem considerar antes de uma ação contra suspeitos de terrorismo é se "a detenção, e não a morte, é o objetivo da missão".

Entre outros abusos identificados está a declaração do Ministério de Relações Exteriores de que a transferência de cidadãos britânicos do Afeganistão para a controversa base americana de Guantánamo, na ilha de Cuba, era a "opção preferida".

Os documentos foram revelados durante um processo judicial que seis ex-prisioneiros de Guantánamo movem contra agências de segurança e o governo do Reino Unido.

O governo britânico diz que identificou mais de 500 mil documentos que podem ser relevantes para o caso e que, por isso, colocou mais de 60 advogados para analisar toda a papelada. O processo inteiro, no entanto, pode durar até o fim de 2010.

De acordo com o The Guardian, dos 900 documentos revelados até agora, muitos são recortes de matérias publicadas pela imprensa ou cópias de relatório que já haviam sido publicados, e-mails confidenciais e memorandos "reveladores".

Fontes: R7- Agências

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