O delegado Antônio de Olim, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) de São Paulo, disse na tarde desta terça-feira que Mizael Bispo de Souza mentiu durante os depoimentos. Ele é apontado pela polícia como o principal suspeito da morte da ex-namorada, a advogada Mércia Nakashima, 28.
"O interrogatório de Mizael mostrou mais uma vez que ele está mentindo e nós temos todas as provas para colocá-lo na cadeia", afirmou o delegado. Olim disse que pedirá a prisão preventiva do suspeito, que esteve hoje no DHPP para prestar depoimento.
Ele foi ouvido por cerca de duas horas. O depoimento contou com a presença do promotor Rodrigo Merli Antunes e do perito Renato Pattoli.
De acordo com Olim, Mizael ficou nervoso e não soube responder perguntas, se esquivou das respostas, principalmente após a apresentação de novas provas, como um terceiro celular utilizado por ele --que não havia sido mencionado à polícia anteriormente. Desse número, foram feitas 16 ligações para o vigia Evandro Bezerra da Silva, suspeito de envolvimento no crime, no dia em que Mércia desapareceu.
Com a quebra do sigilo telefônico, o rastreamento das ligações apontou que todas as vezes que Mizael saía com a Mércia, dias antes do crime, ele ligava para o Evandro, em seguida.
O monitoramento também revela que ele estava perto da casa da avó da ex-namorada no dia em que ela sumiu, apesar de ele dizer que não saiu de dentro de um carro e que estava na companhia de uma suposta prostituta.
O advogado de defesa, Samir Haddad Júnior, diz que vai pedir nova perícia do rastreador do veículo, já que seu cliente discorda das informações apresentadas e acredita que pode ter ocorrido alguma falha.
O inquérito deve ser concluído até a próxima semana. Após finalizado, o Ministério Público deve fazer um novo pedido de prisão preventiva.
O promotor Rodrigo Merli Antunes mencionou mais uma vez a necessidade do pedido de prisão após o retorno do juiz titular de Guarulhos (na Grande SP), que está de férias. O juiz Jayme Garcia dos Santos Junior negou pedido de manutenção da prisão temporária de Mizael e criticou a posição do promotor no caso.
CASO
Mércia foi vista pela última vez na casa dos seus avós no dia 23 de maio. O carro da advogada foi encontrado no dia 10 de junho em uma represa na cidade de Nazaré Paulista (a 64 km de São Paulo), após indicação de um homem que viu o veículo ser empurrado enquanto pescava. No dia seguinte seu corpo foi encontrado no mesmo local, após ela ter ficado desaparecida por 17 dias.
Mizael ligou 16 vezes para vigia no dia em que Mércia desapareceu, diz polícia
A polícia apresentou nesta terça-feira uma nova prova contra o policial reformado Mizael Bispo de Souza, apontado pela polícia como o principal suspeito de envolvimento no crime da advogada Mércia Nakashima, 28. Ele ligou 16 vezes para o vigia Evandro Bezerra da Silva, no dia em que a advogada desapareceu. As ligações, no entanto, foram feitas de um celular que não foi apresentado à polícia.
Segundo o promotor Rodrigo Merli Antunes, o telefone não estava cadastrado no nome de Mizael. A última vez que o número foi usado foi no início da noite em que a advogada sumiu.
"Para mim é evidente que ele ficou totalmente surpreendido com os dados novos que foram apresentados hoje", afirmou o promotor. Ele não apresentou justificativa para a existência de outro telefone. Inicialmente disse que não se lembrava da existência do aparelho, mas depois assumiu que usava o número.
Para o delegado Antônio de Olim, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), ele estava nervoso e só respondeu o que ele queria.
O rastreamento de ligações telefônicas indicam que Mizael ligava pra Mércia do seu telefone e, em seguida, telefonava para Evandro do outro celular. Também havia registros antigos de ligações feitas para os familiares de Mizael. De acordo com a polícia, Mizael se desfez do chip após ser considerado suspeito do desaparecimento.
Segundo o advogado de Mizael, Samir Haddad Júnior, a defesa do ex-policial foi beneficiada pela afirmação do vigia Evandro Bezerra Silva, 38 --também suspeito pelo crime--, de que foi torturado pela polícia de Aracaju, após sua prisão na região no último dia 9. Na ocasião, ele afirmou que foi buscar o ex de Mércia na represa onde o corpo da jovem foi localizado.
Fonte: FOLHA/TATIANA SANTIAGO
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