Profissionais com mais de 40 anos voltam a ser valorizados

Especialistas garantem que o cenário atual apresenta o equilíbrio entre as gerações

É fato que profissionais com mais de 40 anos de idade ainda encontram dificuldades em conseguir uma recolocação no mercado, mas essa situação já não provoca tanto temor quanto há alguns anos.

Depois dos resultados desanimadores dos processos de reengenharia empresarial da década de 1990 — quando a ordem era o rejuvenescimento dos quadros de funcionários e as organizações, ao demitir os colaboradores mais antigos, acabaram perdendo um pouco de sua essência —, as corporações voltaram a dar valor aos que carregam experiência no currículo.

Profissionais acima dos 40 anos falam sobre obstáculos e vantagens da maturidade na hora de buscar uma nova vaga:

Especialistas garantem que o cenário atual apresenta o equilíbrio entre as gerações. Na avaliação de Rafael Souto, diretor executivo da Produtive — Outplacement e Planejamento de Carreira, as empresas perceberam que os mais jovens precisavam da orientação dos mais velhos, assim como os funcionários maduros encontram na chamada geração Y o auxílio para se manter atualizados.

As empresas vêm percebendo que a nova leva de profissionais tem uma inquietude muito grande e precisa de referências para compreender melhor os processos da organização — explica Souto.

Profissionais mais velhos são priorizados na gestão

Não basta, entretanto, apostar apenas no tempo de prática. Um dos obstáculos para quem já passou dos 40 anos está no nível de crescimento atingido ao longo da carreira. A administradora de empresas e coach ontológica Káritas de Toledo Ribas enfatiza que as oportunidades são maiores para profissionais com uma trajetória de crescimento em sua área de atuação:

Para os cargos de gestão, a organização pode até optar por alguém jovem e com salário baixo, mas precisará investir mais dinheiro para qualificá-lo do que ao contratar alguém que já tenha tido a oportunidade de gerir uma equipe.

A dificuldade para voltar ao mercado de trabalho, segundo Matilde Berna, diretora de Transição de Carreira da Right Management, não se limita à idade. Para a especialista, o problema envolve questões como formação, qualificação e atualização. Além disso, alerta, quanto mais velho o profissional, menos disposto a novos aprendizados tende a ficar.

Um dos obstáculos deste profissional pode estar na falta de modernização. Ele precisa estar sempre atento aos novos modelos, às novas formas de comunicação, de relacionamento. A própria função que ele executa sofre mudanças com o decorrer do tempo. Tudo isso conta em uma seleção de emprego — diz Matilde.

Carreira repaginada


Daniel Veiga Schmar/Foto: Reprodução: Zero Hora

Em 2008, após o desligamento da organização na qual trabalhava como gerente comercial, Daniel Veiga Schmar precisou repensar sua carreira. Aos 46 anos, com 22 anos de experiência em multinacionais e um currículo que inclui MBA e cursos de formação no Exterior, a missão de encontrar uma recolocação à altura da sua qualificação não é fácil.

As minhas portas estão abertas para as oportunidades, mas como não posso ficar parado, montei meu negócio próprio e presto consultorias a empresas — diz Schmar.

Flávio Galvão/Foto: Reprodução/Zero Hiora.

Situação semelhante viveu o executivo de vendas Flávio Galvão. Hoje com 47 anos, ele passou 10 anos sem carteira assinada. No início deste mês, foi contratado. Mas, durante o período em que não tinha oportunidades efetivas, trabalhou como autônomo e continuou a fazer cursos de atualizações.

Fonte: Zero Hora

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