Primeiro-ministro do Japão e secretário-geral do partido renunciam

Durante sua campanha, Hatoyama reacendeu a luta pela eliminação da base



Yukio Hatoyama/U.S. Department of State

O impopular primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, apresentou oficialmente sua renúncia após apenas oito meses no poder. Ele é o quarto líder japonês seguido a renunciar após um ano ou menos no cargo desde 2006.

Hatoyama anunciou que ele e o secretário-geral Ichiro Ozawa, o número dois no partido, vão deixar seus cargos após uma queda nas pesquisas ameaçarem as chances de seu partido nas eleições para a câmara alta do Parlamento, esperadas para 11 de julho.

O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva transmitida a todo o país nesta quarta-feira (noite de terça-feira em Brasília).

Analistas apontaram o ministro das Finanças, Naoto Kan, como o provável sucessor de Hatoyama. Kan pressionou o Bank of Japan para se esforçar mais no combate à deflação e soou mais positivo do que Hatoyama em relação ao aumento de 5% dos impostos sobre vendas para ajudar a financiar os custos sociais.

A pressão pela renúncia de Hatoyama aumentou dentro do Partido Democrático do Japão. Os índices de aprovação do premiê despencaram quando ele votou atrás na promessa de remover uma base militar americana da ilha de Okinawa, reforçando sua imagem como um líder indeciso após apenas oito meses no poder.


"A renúncia de Hatoyama pode causar atrasos nas divulgações agendadas para este mês das estratégias de crescimento do governo e das metas fiscais. Quem quer que substitua Hatoyama deve resolver isso antes das eleições parlamentares, ou vai decepcionar os eleitores", disse Hirokata Kusaba, um economista do Instituto de Pesquisas Mizuho.


"As coisas não poderiam ficar piores após Hatoyama renunciar, dado o atual impasse em vários assuntos importantes."

"Se o ministro das Finanças Kan assumir, será bem-vindo para o mercado porque ele é mais próativo sobre disciplina fiscal e sobre aumentar os impostos compulsórios do que qualquer outro membro do gabinete", disse Kusaba.


Base militar

Contrariando uma grande promessa de campanha, o premiê do Japão, Yukio Hatoyama, empossado em setembro passado, assinou na sexta-feira passada (28) um acordo com o presidente dos EUA, Barack Obama, para manter a base militar americana na ilha de Okinawa. Esse documento repete os pontos negociados pelos aliados em 2006, o que desagrada milhares de japoneses que esperavam a retirada da unidade da ilha ou mesmo sua eliminação completa.

O novo texto prevê, nos moldes do de 2006, que os EUA devolvam a base ocupada atualmente, em Futenma, centro urbano da ilha de Okinawa, assim que forem concluídos estudos sobre a localização, configuração e construção da nova, em Henoko, uma área menos povoada. O acerto da nova base deverá terminar em agosto que vem. Em troca, os EUA irão transferir, até 2014, 8.000 fuzileiros navais para Guam, possessão onde já têm presença militar. Os EUA mantêm cerca de 47 mil militares no Japão, dos quais mais da metade estão em Okinawa.

Os EUA argumentam que a manutenção da base em Okinawa é essencial para a coordenação de suas tropas e para encurtar o tempo de reação, no caso de uma emergência.

Essa presença americana maciça recebe fortes críticas desde 1995, quando uma menina de 12 anos foi estuprada por fuzileiros navais. Hoje, eles reclamam do barulho e da poluição, além da violência. Do ponto de vista dos japoneses, porém, em relação ao texto de 2006, o novo avança só ao exigir a realização de um estudo de impactos ambientais e ao arrancar dos americanos o compromisso de estudar tirar de Okinawa pelo menos parte do trânsito de helicópteros.

Em nota, a Casa Branca afirmou que, em conversa por telefone, os dois líderes "expressaram satisfação com o progresso feito por ambos os lados para chegar a um plano operacionalmente viável e politicamente sustentável" para a base. No comunicado, os dois afirmam que a "aliança entre EUA e Japão continua indispensável não só para a defesa do Japão mas também para a paz, segurança e prosperidade" da região.

Política japonesa

Durante sua campanha, Hatoyama reacendeu a luta pela eliminação da base. No dia 23, porém, em visita à ilha, ele reconheceu que não seria capaz de cumprir sua promessa e pediu desculpas à população. Nos últimos meses, por causa dessa disputa, Hatoyama viu sua aprovação cair a menos de 20%.

O premiê afirma esperar apoio das autoridades de Okinawa, mas membros do pequeno Partido Social-Democrata (esquerda) já ameaçam deixar a coalizão governista. Esses parlamentares pressionam para que a líder da legenda, Mizuho Fukushima, que é ministra de Hatoyama, não assine o acordo. "A política precisa cumprir a promessa que fez ao povo de Okinawa e ao resto do Japão e tratar deste fardo", disse a política, ontem.

Para Hatoyama, seria prejudicial perder apoio tão perto da eleição para renovar a Câmara Alta do Parlamento, em julho. Por outro lado, o seu Partido Democrata continuaria com a maioria na Câmara Baixa, mais poderosa.

Fontes: FOLHA - G1- TV Globo

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