Israel assume controle do navio Rachel Corrie sem conflito

Rachel Corrie' ignorou os chamados de mudança de rota e foi abordado no fim da manhã; embarcação leva 1,2 mil toneladas de ajuda a Gaza

Embarcação de patrulha da Marinha de Israel faz manobra no porto de Ashdod, no sul do país, para onde o Rachel Corrie está sendo levado/Baz Ratner/Reuters

As Forças Armadas de Israel entraram e tomaram o controle do navio Rachel Corrie e o conduzem para o porto de Ashdod, no sul do país, de forma pacífica, informaram o jornal israelense Haaretz e a rede de TV CNN.

Com informações da rádio do Exército, o Haaretz informou que a tomada de controle foi pacífica. Na última segunda-feira (31) um confronto entre a Marinha israelense e ativistas a bordo do navio Mavi Marmara, que integrava a chamada “frota da liberdade”, terminou em nove mortes.

O Rachel Corrie, de bandeira irlandesa, leva ajuda humanitária para a faixa de Gaza e tem a bordo a prêmio Nobel da Paz Mairead Maguire. Às 10h49 (4h49 em Brasília), a Forças Armadas de Israel informaram que entraram em contato por rádio com os integrantes do navio pedindo para que se dirigissem a Ahsdod.


- Vocês estão se aproximando de uma área de hostilidades e que está sob bloqueio. A área de Gaza, a região costeira e o porto de Gaza estão fechados ao tráfego marítimo.

Os ativistas recusaram a proposta mais uma vez e então o barco foi interceptado já no limite das águas territoriais de Israel. A carga do Rachel Corrie deve ser agora inspecionada antes de seguir para a faixa de Gaza.

Em entrevista à rede CNN, a porta-voz da Marinha tenente-coronel Avital Leibovich disse:


- Foi completamente diferente da outra frota, que desde o início veio preparada para o confronto.

Ela também respondeu sobre o problema de deixar o navio ir diretamente para a faixa de Gaza:


- Nós temos de inspecionar as cargas, não podemos deixar passar material que o Hamas possa utilizar para atos terroristas.

Os ativistas também rejeitavam a inspeção israelense do material. O bloqueio a Gaza dura três anos e se iniciou quando o grupo radical Hamas tomou o poder na região.

Navio irlandês chega a porto em Israel

JERUSALÉM - O navio irlandês "Rachel Corrie", carregando 1,2 mil toneladas de ajuda humanitária a Gaza, abordado no meio da manhã deste sábado pelas forças israelenses, foi escoltado pela Marinha de Israel e chegou ao porto de Ashdod. A ação foi tranquila e não houve registro de vítimas, disse à Agência Efe uma porta-voz militar israelense.

As fontes disseram que a abordagem militar aconteceu com "a complacência" da tripulação e os passageiros da embarcação, o que pouco depois foi desmentido pelo "Free Gaza", um dos grupos que organizou a expedição de caráter humanitário.


"Ninguém no navio concordou com a abordagem. Ninguém no navio queria homens armados a bordo", precisou essa organização por meio de uma mensagem divulgada no Twitter, onde denuncia que o Exército de Israel não considerou "um ato de violência" abordar militarmente um navio civil em águas internacionais e mudar seu rumo em direção a um porto israelense.

A abordagem ocorreu depois que o navio irlandês ignorou quatro chamados feitos pelos dois navios militares de Israel, que o acompanhavam desde o início da manhã, para que atracasse no porto israelense de Ashdod em vez de continuar para Gaza. Após a abordagem, o Exército israelense conduziu a embarcação para o porto de Ashdod, no norte da faixa palestina.

"Se não nos obedecerem, teremos de abordar o navio", havia ameaçado pouco antes a porta-voz para a imprensa estrangeira do Exército israelense, Avital Leibovich, em declarações à BBC.

A ameaça concretizou as advertências que Israel havia reiterado nos últimos dias de que impediria com o uso da força a chegada do cargueiro "Rachel Corrie" a Gaza em caso da embarcação não desistir da intenção de romper o bloqueio israelense e chegar à faixa palestina.

Nesta sexta-feira, 4, a tripulação do navio já havia rejeitado a oferta feita por Israel através da Irlanda que atracasse em Ashdod e desembarcasse nesse porto israelense situado ao norte de Gaza a ajuda humanitária.

Segundo "Free Gaza, o "Rachel Corrie" transporta 1,2 mil toneladas de ajuda humanitária. Com 20 pessoas a bordo, entre os passageiros está a prêmio Nobel da Paz norte-irlandesa Mairead Maguire e um antigo subsecretário-geral das Nações Unidas, o irlandês Denis Halliday.

O governo do país diz querer verificar a carga de ajuda, que inclui cimento, cadeiras de roda, equipamentos médicos, giz de cera e cadernos, antes de entregá-la a Gaza, confiscando mercadorias que alega poderem ser utilizados para fins militares, como material de construção e metal, por exemplo.

Navio irlandês foi abordado pelo exército israelense neste sábado/Efe

Ataque

O Exército israelense atacou na segunda-feira outros seis navios do comboio de ajuda humanitária, da qual faz parte o navio irlandês. Na abordagem, o Exército israelense matou nove ativistas turcos - um deles com dupla nacionalidade turco-americana - que viajavam em uma das embarcações. No ataque, em águas internacionais, dezenas de ativistas ficaram feridos.

O "Rachel Corrie" ficou para trás do comboio devido a problemas técnicos. O nome do navio irlandês é carregado de simbolismo. Rachel Corrie era uma ativista americana que em 2003 foi esmagada em Gaza por uma escavadeira militar israelense quando exercia papel de "escudo humano" impedindo a demolição de casas palestinas.

Navio Rachel Corrie chega ao porto de Ashdod sob escolta (Foto: Ariel Schalit / AP)

Turquia

Na sexta-feira, o governo da Turquia indicou que está estudando a possibilidade de reduzir relações com Israel devido ao incidente de segunda-feira.

Manifestando seu descontentamento com a ação israelense, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, sugeriu que os israelenses desrespeitaram os preceitos de sua própria religião no ataque à frota.

"Estou me dirigindo a eles (israelenses) em sua própria língua. O Sexto Mandamento diz 'Não Matarás'. Não entenderam?", disse Erdogan em um discurso a simpatizantes de seu partido.

"Eu vou falar de novo. Vou falar em inglês: 'Thou Shall Not Kill'. Ainda não entenderam? Então vou dizer a vocês em sua própria língua. Vou dizer em hebreu 'Lo Tirtzakh'."


Fontes: O ESTADO - R7 - TV Globo - G1 - Agências

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