Cerca de 200 pessoas aguardavam o caixão do Nobel de Literatura. Escritor morreu na véspera, aos 87 anos, em Lanzarote, na Espanha.
O escritor José Saramago e a sua mulher, Pilar Del Río; português morreu em sua casa nesta sexta-feira, aos 87 anos/Martínez de Cripán/EFE
O corpo do escritor português José Saramago, morto na véspera aos 87 anos, chegou por volta das 14h40 locais deste sábado (19) (10h40 de Brasília) à Câmara Municipal de Lisboa, onde será velado até domingo no salão nobre.
O caixão estava coberto por uma bandeira de Portugal. As cerca de 200 pessoas que aguardavam o momento aplaudiram quando ele foi levado para o interior do edifício.
Militares carregam caixão com corpo de José Saramago na chegada ao local do velório neste sábado (19) em Lisboa. (Foto: Vitor Sorano/Especial para o G1, em Lisboa)
A mulher de Saramago, a jornalista Pilar del Río, acompanhou o corpo do marido, junto com parentes e amigos. Estavam presentes o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (equivalente ao prefeito no Brasil), António Costa, os membros do Partido Comunista Português (do qual Saramago foi filiado) Jerónimo de Sousa e Ruben de Carvalho, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, além de outras autoridades.
O governo português decretou luto oficial de dois dias pela morte de Saramago. O prefeito de Lisboa, Antonio Costa, declarou que é um "orgulho para a cidade receber mais uma vez Saramago.
Ele lembrou em comunicado que Lisboa foi "uma causa que Saramago abraçou" quando presidiu a assembleia municipal em 1990 e assegurou que seu "legado é inestimável".
Faixa na Câmara de Lisboa (Foto: Vitor Sorano/G1)
O corpo de Saramago chegou ao aeroporto de Figo Maduro, nos arredores da capital, em um avião da Força Aérea Portuguesa.
O funeral está previsto para ir até a meia-noite. No domingo, a cerimônia será retomada às 9h e segue até as 11h. O público poderá entrar, mas a família pode decidir quando fechar as portas.
Depois, o corpo será cremado. Parte das cinzas deve ficar em Azinhaga do Ribatejo, onde o escritor nasceu e o restante deve seguir para Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde ele vivia com a esposa, a jornalista e tradutora Pilar del Río.
A Câmara de Lisboa ainda não tem estimativa de quantos visitantes deverão passar pelo funeral. Um policial estima o número em "milhares". A escritora Nélida Piñon, que está na Espanha, representará a Academia Brasileira de Letras na homenagem ao escritor.
Na sexta, o corpo de Saramago foi velado em uma biblioteca que leva o seu nome na cidade de Tías, em Lanzarote. O prefeito de Tías, José Juan Cruz, decretou três dias de luto pelo escritor de "Ensaio sobre a cegueira", que estava com 87 anos e sofria de leucemia e problemas respiratórios.
Expectativa é de um grande público para o velório do escritor José Saramago na capital portuguesa (Foto: Vitor Sorano Pereira/G1)
A igreja perde um crítico
José Saramago pelas lentes do fotógrafo Sebastião Salgado, que lamentou a perda:'Ele sempre foi um militante, comprometido com as causas sociais'
A notícia da morte de José Saramago repercutiu imediatamente em todo o mundo, inclusive entre representantes da Igreja Católica em Portugal, com quem o escritor mantinha uma relação conturbada por abordar de forma polêmica temas religiosos em obras como "O evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991, e "Caim", seu romance mais recente, de 2009.
O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa, Padre José Tolentino, e o porta-voz da conferência, Padre Manuel Morujão, disseram que o país perde um "expoente" e que a igreja perde um crítico com o qual soube dialogar constantemente. "Seja como for, o diálogo nunca foi cortado e sempre foi possível", disse padre Manuel Morujão, sobre o escritor, que se declarava um ateu.
"[Saramago] combatia as religiões com fúria, dizia que elas nos embaçam nossa visão. Mesmo assim não consigo deixar de pensar que adoraria que neste momento ele estivesse tendo que dar o braço a torcer ao ser surpreendido por algum outro tipo de vida depois desta que teve por aqui", declarou o cineasta brasileiro Fernando Meirelles, que adaptou "Ensaio sobre a cegueira" para o cinema em 2008.
Leucemia e problemas respiratórios
Segundo sua mulher, Saramago passou mal após tomar o café da manhã e recebeu auxílio médico, mas não resistiu e morreu. Ele sofria de leucemia e, nos últimos anos, havia sido hospitalizado em várias oportunidades devido a problemas respiratórios.
"Hoje, sexta-feira, 18 de junho, José Saramago faleceu às 12h30 horas [horário local] na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", diz uma nota assinada pela Fundação José Saramago e publicada na página do escritor na internet.
O escritor vivia na ilha de Lanzarote, nas Canárias, desde 1993 com sua esposa, com quem se casou aos 63 anos.
Fontes: G1/ Vitor Sorano





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