Blatter admite rediscutir o uso da tecnologia a serviço da arbitragem

Em pronunciamento nesta terça-feira, presidente da Fifa afirma que pediu desculpas a mexicanos e ingleses pelos erros nas oitavas de final

Demorou um pouco, mas o presidente da Fifa, Joseph Blatter, se pronunciou a respeito dos recentes erros de arbitragem nas partidas entre México e Argentina e Alemanha e Inglaterra, válidas pelas oitavas de final da Copa do Mundo. O dirigente admitiu que o uso da tecnologia a serviço da arbitragem deverá ser rediscutido em julho, em uma reunião em Cardiff, no País de Gales:

- É óbvio que depois do que vivemos até agora seria um absurdo não reabrir a discussão sobre o uso da tecnologia. A princípio, só vamos voltar a discutir o uso na linha do gol. O futebol é um jogo dinâmico e, no momento em que há uma discussão se a bola entrou ou não, se houve ou não oportunidade de gol, você dá a possibilidade de uma equipe pedir replays uma, duas vezes, como no tênis. Para situações como no jogo do México, não precisa de tecnologia - analisou.

Mexicanos e ingleses foram prejudicados por erros graves de arbitragem nas oitavas do Mundial. Os argentinos abriram o placar da vitória por 3 a 1 sobre o México com um gol de Tevez, em posição irregular, enquanto o English Team não teve um gol validado após o chute de Lampard cruzar a linha, quando a Alemanha vencia a partida por 2 a 1 (terminaria 4 a 1 para os germânicos). Blatter pediu perdão às delegações de México e Inglaterra:

- Pessoalmente lamento, quando se vê que os erros dos árbitros foram tão evidentes. Mas não é o fim da competição ou do futebol, isso pode acontecer. Entendo que não estão felizes e que pessoas estão criticando. Pedi desculpas. Os ingleses disseram obrigado e aceitaram, se conformando que às vezes se ganha e outras se perde. Os mexicanos inclinaram suas cabeças e aceitaram também - concluiu.


Sem Larrionda e Rosetti, árbitros são proibidos de falar sobre tecnologia


O chefe de arbitragem José María García-Aranda (Foto:Thiago Dias/Globoesporte.com)

Uma pergunta não saía da boca das centenas de jornalistas que compareceram ao treino aberto dos árbitros da Copa do Mundo nesta terça-feira, em Pretória: onde estão Jorge Larrionda e Roberto Rosetti?

Procura daqui, consulta dali... E nada. Os dois juízes que falharam feio nas oitavas de final resolveram não comparecer ao evento e ficaram no hotel. Os demais que apareceram adotaram o mesmo discurso: proibidos de tocar no assunto pela Fifa, eles fugiram da polêmica sobre o uso de tecnologia nas partidas de futebol.

- Tivemos uma reunião com os responsáveis pela arbitragem e nos orientaram para não falarmos de dois assuntos: questões técnicas e tecnológicas. Assim, não posso falar disso. Peço que me desculpem - disse o brasileiro Carlos Eugênio Simon.

Na partida entre Argentina e México, no Soccer City, o italiano Rosetti validou um gol de Tevez em impedimento. A confusão aumentou no gramado porque o lance foi repetido no telão do estádio. Já na vitória da Alemanha sobre a Inglaterra, o uruguaio Larrionda não viu que a bola de Lampard entrou. Os auxiliares dos árbitros também não compareceram ao treino.

De acordo com o assessor de imprensa da Fifa, Larrionda e Rosetti eram esperados na escola em Pretória, mas ficaram no hotel. O uruguaio estaria irritado por ter recebido várias ligações de jornalistas em seu quarto e resolveu não ir ao treinamento.

Brasileiro Carlos Simon no treinamento dos árbitros da Fifa (Foto: Thiago Dias / Globoesporte.com)

Chefe de arbitragem da Fifa, José María García-Aranda chegou a irritar repórteres europeus durante sua coletiva de imprensa após as atividades. Perguntado se era a favor ou contra do uso de tecnologia, Aranda afirmou várias vezes que a decisão é da Fifa e da International Board, órgãos responsáveis pelas regras do jogo. Um jornalista chegou a ironizar:

- Não estamos na Coreia do Norte, o senhor deve ter uma opinião.

- A minha opinião é esta. Caso você não goste, problema seu - respondeu o espanhol.

Apesar da proibição da Fifa, a polêmica envolvendo a tecnologia no futebol foi o tema mais abordado em Pretória. Principalmente após a divulgação de um comunicado oficial do presidente Joseph Blatter pedindo desculpas a mexicanos e ingleses e admitindo que novas conversas sobre o assunto serão feitas no futuro.

- Eu tenho uma opinião sobre o assunto, mas não posso falar. Essa é a recomendação da Fifa - disse o auxiliar brasileiro Altemir Hausmann.

Enquanto os brasileiros evitam a qualquer custo perguntas a respeito de tecnologia, outros árbitros comentaram o assunto. Mas sempre evitando problemas com a Fifa. O colombiano Oscar Ruiz lembrou que há 12 anos anulou um gol depois de ter visto o replay em um aparelho de televisão, o que gerou polêmica em seu país.


- Muitos esportes já tentaram usar a televisão para ajudar e desistiram. Às vezes, até mesmo após o replay vocês (jornalistas) não se entendem. Cada canal diz uma coisa O árbitro é humano, pode errar. Só temos essas duas câmeras (apontando para os olhos). A segurança do árbitro é a sua capacidade - afirmou.


Fontess: G1/Thiago Dias -TV Globo

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