Ativistas chegam ao aeroporto
Segunda a porta-voz, a expulsão dos irlandeses, entre os quais está a vencedora do prêmio Nobel da Paz, Mairead Maguire, foi atrasada por sua "negativa em desistir de recorrer à Justiça israelense contra a medida".
"Tentamos convencer todos os passageiros e membros da tripulação para que assinassem o documento. Se não o fizerem, na aplicação da lei, correm o risco de esperar até 72 horas até que um juiz decida seu destino", afirmou.
O navio irlandês chegou no sábado à tarde sob escolta à entrada do porto israelense de Ashdod. O navio, onde se lia a inscrição "Free Gaza" (Gaza Livre), chegou escoltado por duas lanchas pequenas israelenses. A Marinha abordou o navio pouco depois do meio-dia no horário local (6h de Brasília) e tomou o controle sem violência. A embarcação pretendia levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, cinco dias depois do sangrento ataque à frota internacional que deixou nove mortos.
Segundo o Ministério de Relações Exteriores israelense, os militantes pró-palestinos "serão repatriados a seus países de origem o mais rápido possível".
O exército israelense anunciou que suas tropas subiram no navio "com a total conformidade" de seus tripulantes e passageiros, sem que nenhuma das partes tenha recorrido à violência. "Nossas forças deixaram o barco e tomaram o controle sem que os membros da tripulação, nem os passageiros presentes apresentassem resistência. Tudo ocorreu sem violência", disse a porta-voz militar Avital Leibovitz.
Imagens divulgadas pelas Forças de Defesa de Israel gravadas de uma aeronave que sobrevoava o Rachel Corrie no momento em que foi interceptado mostram os ativistas sentados no meio do convés superior do navio.
A ONG "Free Gaza", que organiza a expedição, contesta a versão e diz que a abordagem constitui um crime e que os ativistas não concordaram com a subida das tropas ao navio.
"Ninguém no navio concordou com a abordagem. Ninguém no navio queria homens armados a bordo", precisou essa organização por meio de uma mensagem divulgada no microblogging Twitter, onde denuncia que o Exército de Israel não considerou "um ato de violência" abordar militarmente um navio civil em águas internacionais e mudar seu rumo em direção a um porto israelense.
Foto da ONG Free Gaza mostra o navio Rachel Corrie, interceptado por Israel neste sábado/Efe
A porta-voz da ONG, Mary Hughes, confirma que não houve vítimas nem combates, mas afirma que a ação deve ser criticada. "É inaceitável que isto esteja acontecendo em águas internacionais", indicou.
Greta Berlin, porta-voz da ONG "Free Gaza", uma das organizadoras da expedição, descreveu a abordagem como "outra afronta para acrescentar aos nove assassinados" e negou as afirmações de Israel de que as tropas não teriam encontrado resistência alguma dos ativistas durante a abordagem.
Os passageiros são cinco irlandeses, entre eles a Nobel da Paz, Mairead Maguire, e seis malaios, segundo os organizadores irlandeses.
"Todas essas pessoas serão interrogadas antes de serem expulsas nos prazos mais breves possíveis", disse a porta-voz do serviço de Imigração, Sabine Haddad.
A decisão de abordar o "Rachel Corrie", que levava mil toneladas de material humanitário segundo os organizadores, foi tomada depois de o navio se negar a obedecer quatro chamados para que mudasse de rumo e se dirigisse a Ashdod no lugar da Faixa de Gaza, submetida desde 2007 a um bloqueio por parte de Israel. Israel advertiu por rádio ao navio que o abordaria se não mudasse de rumo.
Bloqueio
Apesar da pressão internacional, o premiê israelense Binyamin Netanyahu reafirmou após a abordagem ao navio Rachel Corrie que o país manterá o bloqueio à faixa de Gaza, mesmo após os Estados Unidos, principal aliado do Estado judeu no mundo, terem afirmado que a medida já é "insustentável".
Ainda na sexta-feira o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança americano, Mike Hammer, disse que "as condições atuais são insustentáveis e precisam ser alteradas".
Netanyahu defendeu o bloqueio dizendo que seu objetivo é impedir o acesso dos militantes do Hamas a armas, e que não vai permitir que o Irã, aliado do Hamas, estabeleça um "porto iraniano em Gaza".
O Exército israelense atacou na segunda-feira outros seis navios do comboio de ajuda humanitária, da qual faz parte o navio irlandês. Na abordagem, o Exército israelense matou nove ativistas turcos -- um deles com dupla nacionalidade turco-americana -- que viajavam em uma das embarcações. No ataque, em águas internacionais, dezenas de ativistas ficaram feridos.
O "Rachel Corrie" ficou para trás do comboio devido a problemas técnicos. O nome do navio irlandês é simbólico. Rachel Corrie era uma ativista americana que em 2003 foi esmagada em Gaza por uma escavadeira militar israelense quando exercia papel de "escudo humano" impedindo a demolição de casas palestinas.
Fonte: FOLHA - AFP

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