A segunda central sindical portuguesa, a União Geral dos Trabalhadores, mesmo não tendo participado no protesto, endureceu o tom em relação ao governo. Comentando a manifestação, o secretário-geral da UGT, João Proença, disse que não podem ser exigidos mais sacrifícios aos trabalhadores, mas descartou convocar uma greve geral.
Da parte do governo, a resposta foi um apelo ao diálogo. "Somos pela concertação, não pela contestação", afirmou a ministra do Trabalho, Helena André.
"O objetivo agora é restaurar a confiança internacional na República Portuguesa", disse, defendendo as medidas do governo.
A economia portuguesa estava sob ataque, depois de a avaliação da dívida do país ter sido rebaixada dois níveis no final de abril pela Standard & Poor's que considerou que o país teria dificuldade em honrar as dívidas, caso continuasse a gastar mais do que recolhe.
Previsto para durar até o final de 2011, o pacote aumenta impostos e corta despesas. Para pessoas que recebem mais de 100 mil euros por ano, a alíquota do imposto de renda também foi elevada, de 40% para 45%.
Manifestantes protestam contra medidas anunciadas pelo governo. Foto por Reuters
No tocante às empresas, aquelas que tiverem lucros superiores a 2 milhões de euros terão de pagar mais 2,5% de imposto.
Outro tributo, o imposto sobre o crédito ao consumo, também será aumentado, no que Sócrates afirmou ser "um sinal claro no sentido de fazer um apelo à poupança".
Outra medida, que o primeiro-ministro considerou simbólica, foi a de reduzir 5% as remunerações dos políticos e administradores públicos.
Antes de serem anunciadas, as medidas foram negociadas com o principal partido da oposição, o PSD, de centro-direita.
Fontes: FOLHA - BBC/JANIR RATTNER

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