Morre Lena Horne, lendária cantora afroamericana

Cantora e atriz foi uma das primeiras afroamericanas a fazer sucesso no cinema e nos musicais da Broadway

Lena Horne (1917-2010), sucesso em Hollywood e na Broadway. Foto: Garth Vaughan/AP


NOVA YORK - Lena Horne, a lendária cantora de jazz que lutou contra as barreiras raciais e alcançou o estrelato também no cinema de Hollywood e nos palcos da Broadway, morreu aos 92 anos, no domingo, no hospital New York-Presbyterian, que não deu detalhes sobre a causa de sua morte. A informação foi divulgada pela porta-voz do centro médico Gloria Chin.

Na década de 40, Lena foi uma das primeiras artistas afroamericanas contratada pra cantar com uma banda de músicos brancos importantes e uma das poucas com um contrato em Hollywood. Começou sua carreira em 1937, cantando no famoso Cotton Club, no bairro novaiorquino do Harlem.

Nascida em 30 de junho de 1917 no Brooklyn, filha de pais que se separaram quando ela tinha 3 anos, fez seu primeiro filme com a Metro Goldwyn Mayer em 1942: Panama Hattie, no qual canta a cação de Cole Porter Just One of Those Things. Era a primeira vez que uma negra era contratada de forma permanente pela produtora MGM.

Em 1943, fez o papel de Selina Rogers no filme musical afroamericano Stormy Weather. Sua interpretação da canção principal foi um grande sucesso. Tanto na tela como em seus discos, como nos clubes noturnos em que se apresentou Lena Horne adaptava sua voz com facilidade a vários estilos musicais: desde blues e jazz até sofisticadas canções de Rodgers e Hart como The Lady Is a Tramp e Bewitched, Bothered and Bewildered.

Ficou famosa atuando em vários musicais durante a 2.ª Guerra Mundial, como A Filha do Comandante (1943), Broadway Rhythm (1944), Um Marinheiro para Duas (1944), Ziegfeld Follies (1946) e Words and Music (1948). Também fez turnês para entreter as tropas norte-americanas.

Depois de seu primeiro grande sucesso na Broadway, como a estrela de Jamaica em 1957, el crítico Richard Watts Jr. a chamou de "uma das intérpretes incomparáveis de nossos tempos", enquanto o compositor Buddy de Sylva a nomeou "a melhor cantora feminina".

Lena Horne anunciou sua retirada da cena em 1980, mas no ano seguinte mudou de ideia e voltou a atuar em um musical da Broadwau com um show autobiográfico, Lena Horne: A Dama e Sua Música, um grande sucesso que ficou um ano em cartaz.

Lena Horne fotografada por Carl Van Vechten, 1941

A beleza de Lena eclipsou com frequência sua voz sensual. A cantora sempre foi muito franca quando lhe perguntavam sobre as razões de seu sucesso. "Eu era a única, no sentido de que era uma negra que os brancos podiam aceitar", disse uma vez. Em 1963 deixou a vida artística de lado para se engajar no ativismo da causa negra e participou de inúmeras atividades políticas contra a discriminação racial.

Sem dúvida, o racismo sempre causou muita frustração a Lena Horne. "Sempre batalhei contra o sistema para tentar estar com minha gente. Não trabalhava em locais que nos deixassem de fora... Era uma maldita luta em todos os lugares, em Nova York, em Hollywood, em todo o mundo", disse em um livro de Brian Lanker sobre mulheres afroamericanas que tiveram impacto nos Estados Unidos.

Lena Horne - Stormy Weather (1943)

LENA HORNE Sings "Moon River" 1965




Fontes: O ESTADO - YOUTUBE - WIKIPEDIA

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