Partido de David Cameron garantiu 290 cadeiras. Resultados devem levar ao primeiro 'parlamento truncado' desde 1974.
Premiê britânico Gordon Brown (esq.), foi derrotado pelo conservador David Cameron e deve disputar aliança com liberal democrata Nick Clegg (dir.) por um governo majoritário de coalizão no Parlamento britânico/Fotomontagem/Folha Online
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse nesta sexta-feira que garantirá que o país tenha um governo "forte e estável", após ver seu Partido Trabalhista ser derrotado nas eleições gerais. Como seus rivais conservadores venceram, mas também não obtiveram maioria absoluta do Parlamento, Brown tem o direito de permanecer no cargo e tentar formar uma coalizão e participa agora da corrida pelo apoio dos partidos menores.
A apuração de 632 das 649 cadeiras em disputa (a última será decidida no próximo dia 27), mostra que os conservadores de David Cameron obtiveram 298 cadeiras, contra 253 dos trabalhistas. Em um terceiro lugar distante, estão os liberais democratas, com 53 deputados eleitos --e prospecto de ser o centro da disputa por apoio entre os dois partidos.
Brown disse nesta sexta-feira ter pedido ao secretário de gabinete, servidor civil de mais alto escalão no Reino Unido, que dê suporte a todos os partidos que possam estar envolvidos nas negociações sobre um possível futuro governo de coalizão.
"É meu dever como primeiro-ministro tomar todas as medidas para garantir que a Grã-Bretanha tenha um governo forte, estável e de princípios", disse Brown, em comunicado vago. "Pedi ao secretário de gabinete que faça com que o serviço civil dê todo apoio pedido pelos partidos envolvidos nas discussões para a formação do governo."
A tradição estabelece que a rainha Elizabeth 2ª deve conversar com os partidos e pedir ainda nesta sexta-feira, quando os deputados vencedores tomam posse, que o vencedor proceda com a formação do governo.
Sem a maioria absoluta para nenhum lado, situação que não se via no país desde 1974, o destino do Parlamento britânico ainda é incerto.
Segundo a imprensa britânica, Brown considera que o governo no poder tem prioridade de formar a nova Administração mesmo que não tenha a maior quantidade de deputados. Ele pode argumentar que um governo majoritário de coalizão seria melhor em um momento de incerteza econômica que um minoritário.
O ministro Peter Mandelson, considerado o homem forte do Trabalhismo, disse hoje que o partido está disposto a considerar um acordo com os liberais democratas para impedir a chegada dos conservadores ao poder.
Analistas dizem ainda que Brown deve buscar a coalizão com os nacionalistas galeses e escoceses, que, juntos, têm nove cadeiras. Mas com 73 cadeiras a menos, até o momento, eles devem precisar de ainda mais apoio dos partidos nanicos.
Vantagem conservadora
Já os conservadores precisariam apenas da aliança com os liberais democratas para garantir as 326 cadeiras e nomear Cameron o novo primeiro-ministro.
Cameron deve fazer uma declaração por volta das 10h30, mas já pressiona Brown ao afirmar que o Trabalhismo perdeu o mandato para governar.
Com a cadeira na circunscrição de Witney Court, no sul da Inglaterra, garantida, o líder conservador afirmou que, aconteça o que acontecer, trabalhará pelo melhor interesse do país e fará o necessário para ajudar o Reino Unido a ter um "governo forte, estável e decisivo" --discurso muito similar ao de Brown.
Após qualificar a campanha eleitoral de "positiva" e "enérgica", Cameron insistiu que os resultados indicam que o país quer "uma mudança" e uma "nova liderança".
Segundo analistas políticos, Cameron pode entrar em coalizão com os unionistas da Irlanda do Norte, que só possuem oito cadeiras, número ainda insuficiente para os conservadores.
Disputado
Após assegurar sua cadeira pela circunscrição de Sheffield, também no norte da Inglaterra, Clegg pediu hoje que não se tome decisões precipitadas para tentar formar um novo governo.
"O resultado final das eleições ainda é imprevisível. As pessoas votaram, mas ninguém parece ter vencido claramente", disse. "Não acho que ninguém deva se precipitar na hora de reivindicar algo ou de tomar decisões que não aguentem a passagem do tempo", afirmou o líder liberal democrata, que deve buscar agora a melhor oferta para se alinhar.
Entre seus interesses principais está a convocação de um plebiscito sobre a reforma do sistema eleitoral. O partido de Clegg insiste na reforma ao alegar que o sistema de maioria simples de um único turno no Reino Unido favorece o bipartidarismo e deixa de lado as legendas menores.
Resultados
O Partido Conservador foi o mais votado, mas não conseguiu obter maioria absoluta nas eleições legislativas de quinta-feira (6) na Grã-Bretanha, e não pode pretender formar automaticamente um governo, de acordo com os resultados oficiais de 615 das 650 circunscrições. O cenário cria incertezas sobre quem liderará um país com grandes problemas econômicos pela frente e deve levar ao primeiro 'hung parliament' (parlamento truncado) no Reino Unido desde 1974.
Com apenas 35 cadeiras indefinidas, os conservadores de David Cameron já garantiram 290, o que significa que mesmo que eles conquistem todas as vagas ainda em aberto não conseguiriam a maioria absoluta (326) na Câmara dos Comuns, que tem 650 representantes.
Os trabalhistas do primeiro-ministro Gordon Brown já garantiram 247 cadeiras, enquanto os liberal-democratas têm 51. Outros partidos e candidatos independentes somam 21 representantes.
O líder liberal democrata, Nick Clegg, disse nesta sexta-feira (7) acreditar que o Partido Conservador, de oposição, deve tentar formar o próximo governo britânico após a eleição inconclusiva. "Parece, nesta manhã, que é o Partido Conservador que tem mais votos e conquistou mais assentos, embora não tenha conseguido a maioria absoluta. E é por isso que eu acho deve caber agora ao Partido Conservador provar que é capaz de buscar governar no interesse nacional", disse Clegg a jornalistas em Londres.
O líder conservador, David Cameron, disse que o governista Partido Trabalhista "perdeu o mandato para governar". No entanto, o primeiro-ministro Gordon Brown tem o direito, pela Constituição, de tentar formar um governo primeiro, potencialmente abrindo um período de incerteza política.
Peter Mandelson, ministro trabalhista do primeiro escalão, disse não esperar que Brown renuncie nesta sexta-feira. Ele acrescentou que não está descartando nada. "Acho que não ajudaria se ele (Brown) renunciasse de repente", disse Mandelson.
No poder desde 1997, os trabalhistas devem, no entanto, encontrar dificuldades para formar um governo de coalizão com os liberais democratas, pois a soma dos assentos que ambas as legendas devem conseguir no Parlamento ainda deve ficar aquém da maioria absoluta.
Os conservadores podem buscar acordos com partidos menores de Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales para aumentar seu apoio.
Os resultados definitivos serão divulgados à tarde, mas em uma das circunscrições, Thirsk and Malton, noroeste da Inglaterra, a eleição foi adiada para 27 de maio após a morte de um candidato.
Fontes: FOLHA - G1- TV Globo - Agências

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