Coreia do Norte anuncia corte de relações com a Coreia do Sul

Anúncio ocorre um dia após Seul cortar relações comerciais com Pyogyang. Cresce tensão entre rivais por conta de afundamento de barco em março.

A Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira que irá cortar todas as relações e a comunicação com o governo sul-coreano de Lee Myung-bak, devido às acusações de que Pyongyang seria responsável pelo naufrágio do navio da Marinha sul-coreana Cheonan.

Segundo a agência estatal norte-coreana Yonhap, o Comitê da Reunificação Pacífica da Coreia informou ainda que Pyongyang também irá expulsar todos os sul-coreanos que trabalham em um parque industrial conjunto na cidade fronteiriça de Kaesong.

Anteriormente, a Coreia do Norte já havia cortado relações comerciais com a Coreia do Sul e acusado o país vizinho de violar as fronteiras marítimas entre as duas nações, ameaçando uma retaliação militar caso navios sul-coreanos navegassem em suas águas territoriais.

Em comunicado divulgado pela agência oficial norte-coreana KCNA, um responsável militar da Coreia do Norte, não-identificado, denunciou que "dúzias de navios de guerra" sul-coreanos entraram em águas norte-coreanas do Mar Amarelo (Mar Ocidental) entre 14 e 24 de maio.

A Coreia do Norte não reconhece a chamada Linha Fronteiriça do Norte, a demarcação marítima traçada no fim da Guerra da Coreia (1950-53), por considerar que está muito próxima de sua costa.

O porta-voz norte-coreano afirmou que se trataria de "uma provocação deliberada" e que, se continuarem "as intrusões em nossas águas territoriais", haveria "medidas militares práticas" como resposta, segundo a KCNA.

Naufrágio

O aviso de Pyongyang aconteceu pouco depois que Seul anunciou manobras militares anti-submarinos para esta quinta-feira em águas de sua costa ocidental, em sua primeira demonstração de força após o afundamento do navio de guerra Cheonan, em 26 de março.

A Coreia do Sul acusou formalmente na quinta-feira (20) a Coreia do Norte de atacar o navio, em uma região disputada do mar Amarelo.

Uma investigação internacional sobre as causas do afundamento do Cheonan concluiu na semana passada que um submarino norte-coreano disparou um torpedo contra a embarcação.

O afundamento da corveta de 1.200 toneladas, perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte, provocou a morte de 46 dos 104 marinheiros sul-coreanos.

Foi o incidente mais grave ocorrido na disputada fronteira marítima do mar Amarelo entre as duas Coreias desde o fim da guerra entre as duas nações, em 1953.

Coreia do Norte põe exército de prontidão para combate contra o Sul

Tanques norte-coreanos realizam exercícios militares nesta quinta.

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, ordenou que o exército de seu país esteja pronto para combate, segundo informou nesta terça-feira, 25, a agência de notícias Yonhap. Um grupo de observadores chamado Solidariedade de Intelectuais da Coreia do Norte disse que fontes informaram que as ordens de Kim foram anunciadas na semana passada, em um discurso transmitido pela televisão.

Nesta terça a Coreia do Norte acusou a Coreia do Sul de ter ultrapassado fronteiras marítimas e ameaçou responder com uma ação militar. A ameaça foi feita em uma mensagem às forças armadas sul-coreanas, segundo a agência de notícias Korean Central. Nos últimos dias, dezenas de navios sul-coreanos invadiram águas norte-coreanas, segundo o país do Norte.


"Essa é uma provocação deliberada que tem intenção de provocar outro conflito militar no Mar Amarelo e, por isso, coloca em posição de guerra as atuais relações norte-sul, que atingiram o ponto mais baixo", disse a mensagem divulgada hoje, de acordo com a Korean Central. Se as invasões continuarem, o Norte "vai colocar em vigência medidas militares práticas para defender suas águas, como já deixou claro, e o Sul será totalmente responsável por todas as consequências".

Um porta-voz do exército da Coreia do Sul negou que qualquer um dos navios do país tenha ultrapassado a fronteira conhecida como Linha de Limite do Norte. A Coreia do Norte se recusa a aceitar a linha desenhada pelos aliados da Coreia do Sul depois da guerra de 1950-53 e diz que ela deve passar mais ao sul. O local foi cenário de batalhas entre 1999 e 2002 e de um incidente que deixou um barco de patrulha norte-coreano em chamas em novembro do ano passado.

Investigação

Na semana passada, o governo da Coreia do Sul revelou os resultados de uma investigação multinacional que concluiu que um submarino norte-coreano torpedeou um navio militar sul-coreano, chamado Cheonan, no dia 26 de março, perto de uma fronteira marítima disputada pelos dois países. No incidente, 46 pessoas morreram.

A Coreia do Sul afirmou ontem que vai buscar punição para a Coreia do Norte pelo que chamou de provocação militar e anunciou várias medidas, como a suspensão do comércio com o vizinho do Norte. A Coreia do Norte nega envolvimento no afundamento do navio sul-coreano.

Aumento da tensão ameaça complexo industrial de Kaesong

As medidas de retaliação anunciadas ontem por Seul contra Pyongyang não afetam o comércio relativo ao complexo industrial Kaesong, no qual empresas do Sul fabricam produtos em território norte-coreano empregando mão de obra local.

Mas a continuidade do projeto conjunto parece cada vez mais ameaçada com o aumento da tensão na Península Coreana. O jornal Chosun Ilbo, de Seul, publicou reportagem ontem na qual um funcionário não-identificado do governo estima que o fechamento do complexo custaria US$ 500 milhões à Coreia do Sul. Os recursos seriam destinados ao pagamento de compensações às 116 empresas que investiram e operam no parque industrial, localizado 10 km ao norte da fronteira.

O eventual fechamento de Kaesong é visto como uma potencial fonte de instabilidade social na Coreia do Norte, já que levaria ao desemprego de 40 mil norte-coreanos que trabalham no local e recebem por ano US$ 33,52 milhões em salários. O complexo também é uma espécie de "calcanhar-de-aquiles" de Pyongyang, que manda diariamente mil pessoas para trabalhar em Kaesong. No caso de agravamento da tensão entre os dois países há o risco de elas serem retidas pela Coreia do Norte.

Inaugurado em 2004, o complexo é resultado da política de aproximação com o Norte adotada pelo presidente Kim Dae-jung (1998-2003).

O atual presidente, Lee Myung-bak, nunca foi um entusiasta de Kaesong e defende uma política muito mais dura em relação à Coreia do Norte.

Rússia pede à Coreia do Sul que evite escalada da crise com o Norte

O presidente russo, Dimitri Medvedev, pediu nesta terça-feira (25) que a Coreia do Sul evite qualquer "escalada" da crise com a Coreia do Norte durante uma conversa por telefone com seu colega sul-coreano Lee Myung-bak, anunciou o Kremlin em um comunicado divulgado em Moscou.

Medvedev tem a "esperança de que apesar da dramática situação, as partes consigam atuar com cautela e evitem qualquer escalada ulterior na península coreana", disse o comunicado.

Na segunda-feira, a Coreia do Sul disse que a Coreia do Norte ia "pagar o preço" do afundamento da corveta sul-coreana "Cheonan" em 26 de março passado nas águas do Mar Amarelo.

As duas Coreias estão separadas desde o fim da Guerra da Coreia que ocorreu de 1950 a 1953.

Artilharia sul-coreana faz exercícios militares nesta terça-feira (25) próximo à zona desmilitarizada na fronteira com a Coreia do Norte. (Foto: AP)

Fontes: FOLHA - G1- O ESTADO - Agências

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