Críse na Grécia: bolsas europeias caem pelo 3º dia e recuam para menor nível em 2 meses

Medo de contágio espalha pânico nos mercados

As Bolsas de Valores europeias caíram pelo terceiro dia seguido nesta quinta-feira, para o menor nível de fechamento em mais de dois meses, pelos receios de contágio da crise grega.

Em Londres, o índice Financial Times fechou em baixa de 1,52%, a 5.260 pontos. Em Frankfurt, o índice Dax caiu 0,84%, para 5.908 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 2,2%, para 3.556 pontos. Em Milão, o índice FTSE/Mib teve desvalorização de 4,27%, para 19.483 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 recuou 2,93%, para 9.352 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 encerrou em queda de 2,37%, para 6.824 pontos.

O mercado também foi pressionado após o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, afirmar que a instituição não discutiu a opção de comprar bônus da zona do euro durante a reunião em que manteve o juro básico em 1%.

Os mercados querem saber se o BCE teria novas ferramentas disponíveis para ajudar a Grécia e analistas dizem que compras de bônus seriam a mais poderosa nesse sentido.

O índice FTSEurofirst 300 fechou em baixa de 1,4%, a 1.008 pontos, menor patamar de fechamento desde 26 de fevereiro.

"Tivemos uma correção pronunciada que é totalmente apropriada dado o nível em que o mercado estava", disse Jeremy Batstone-Carr, chefe de pesquisa do Charles Stanley, em Londres.

O setor bancário foi destaque de baixa, com as ações de Barclays, Société Générale, Banco Santander e BBVA recuando entre 3,5% e 6,7%.

Crise

Na Grécia, o primeiro-ministro George Papandreou afirmou que o pacote de ajuda financeira da UE e do FMI é a "única esperança" para evitar a bancarrota do país.

O acordo, que prevê uma ajuda financeira de 110 bilhões de euros ao país até 2012, demanda que a Grécia adote severas medidas para cortar gastos, o que gerou insatisfação popular. Ontem, três pessoas morreram durante manifestações contra as medidas que o governo pretende adotar para abater o deficit público, e que foram votadas e aprovadas  nesta quinta-feira pelo parlamento grego.

O primeiro-ministro afirmou ainda que o governo não tem escolhas a não ser a impor as medidas de austeridade, que enfrentam resistência no parlamento local. Ele disse que o pacote de medidas de austeridade fiscal foi apresentado com urgência porque o país tem cerca de 8,5 bilhões de euros em dívidas a vencer no próximo dia 19. Sem dinheiro, a Grécia fatalmente teria que declarar um "default" (suspensão de pagamentos).


"Os cofres do Estado não têm dinheiro. Atualmente, o país não tem como levantar empréstimos no mercado internacional. E o único jeito de evitar a bancarrota e a suspensão dos pagamentos é tomar dinheiro dos nossos parceiros da Europa e do Fundo Monetário Internacional", declarou.

Riscos

A Grécia enfrenta uma severa crise financeira, que ameaça a estabilidade da zona do euro. O país tem dívidas na casa dos bilhões de dólares que vencem no curto prazo, o que tem aumentado a desconfiança dos agentes de mercado de que o país mediterrâneo pode entrar em "default" (suspensão de pagamentos).

Embora esse país tenha pedido a ativação do mecanismo de ajuda financeira acordado entre a UE e o FMI, a medida ainda não tranquilizou os mercados. Os títulos da dívida grega são negociados com juros recordes na praça financeira internacional, o que demonstra o grau de desconfiança entre os tomadores.

A questão é que nenhuma parcela dos 45 bilhões de euros (cerca de US$ 60 bilhões) já foi liberada, e o plano de ajuda ainda precisa passar pelo crivo de cada um dos países da UE. A Alemanha, que deve entrar com "a parte do leão" do montante total da ajuda, mostra resistências, e quer que a Grécia se comprometa com medidas duras para controlar seus deficits, o que pode se tornar um problema político delicado.

O país foi agitado recentemente por vários protestos contra as iniciativas de cortes de gastos públicos e de salários adotadas pelo governo para combater o deficit público, que pode bater a casa dos 14% do PIB, segundo previsão da Eurostat, a agência europeia de estatísticas.

E recentemente, a agência Standard & Poor's rebaixou o "rating" (nota de risco de crédito) da dívida grega para o nível de "grau especulativo", classificação que inclui países vistos como "mau pagadores", incluindo aqueles que já suspenderam o pagamento de seus compromissos financeiros.


Fontes: FOLHA - Reuters

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