Bolívia afirma que declarações de Serra são 'irresponsáveis' e 'político-eleitorais'

Tucano especulou que governo boliviano poderia ser cúmplice do tráfico de cocaína


Relembre: A crítica de Serra que gerou a crise


"Irresponsáveis" e "político-eleitorais" foram as expressões utilizadas nesta sexta-feira, 28, pelo Ministério da Relações Exteriores da Bolívia para definir as declarações realizadas pelo pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que especulou nesta semana que o governo boliviano poderia ser eventual cúmplice do tráfico de cocaína da Bolívia para o Brasil. Segundo a chancelaria boliviana, as declarações de Serra foram "desaprensivas" (palavra usada para 'irresponsáveis', 'imorais' ou 'inescrupulosas'), pois "fariam alusão a nosso país em relação ao tráfico ilegal de drogas".

A diplomacia boliviana indicou que "rejeita enfaticamente as declarações realizadas". Segundo a chancelaria em La Paz, as afirmações de Serra poderiam "ser atribuídas provavelmente a intenções político-eleitorais de absoluta incumbência de sua candidatura". Mas, afirma a chancelaria boliviana, "como tais afirmações não refletem a realidade, o ministério das Relações Exteriores manifesta que os governos da Bolívia e do Brasil estão realizando ações conjuntas na luta contra o flagelo do narcotráfico, no marco da Segunda Estratégia de Cooperação entre a polícia da Bolívia e o Departamento da Polícia Federal do Brasil, conforme a responsabilidade compartilhada que existe neste assunto".

No comunicado, a chancelaria boliviana sustenta que o governo em La Paz "ratifica o compromisso assumido de luta contra o tráfico ilícito de drogas, o mesmo que se reflete através dos resultados obtidos em coordenação com os organismos internacionais especializados no assunto".

Tucano reitera críticas feitas ao país vizinho

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, repetiu críticas à Bolívia durante visita ao 26.º Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde nesta quinta-feira, 27, em Gramado, no nordeste do Rio Grande do Sul.

O tucano justificou as afirmações que fez no Rio na quarta-feira, quando acusou o governo de La Paz de cumplicidade com o tráfico de drogas, dizendo que 90% da cocaína consumida no Brasil vem do país vizinho.

Nesta quinta-feira, o tucano disse que está preocupado com o consumo de entorpecentes pela juventude. "A maior parte da cocaína que entra no Brasil vem da Bolívia", destacou. "Você já viu falar de algum controle do governo boliviano com relação a esse contrabando?", perguntou. "Eu nunca ouvi falar, então o que o Brasil deve fazer é conversar com o governo boliviano, fazer gestões, pressionar para que controle a exportação ilegal de cocaína para a nossa juventude."

Estadista

O tucano ficou cerca de duas horas no evento, deixando o local às 18 horas. Ele não se encontrou com a pré-candidata Dilma Rousseff (PT), que também esteve em Gramado, mas rebateu a petista, que na parte da manhã havia dito que a posição de Serra falou sobre a Bolívia "não é papel de um estadista nem de quem quer ser estadista". Segundo o presidenciável do PSDB, "essa é uma questão de estadista, sim, porque mexe com a vida dos brasileiros".

Serra ressalvou que não está propondo nenhuma intervenção dentro da Bolívia. "Eu trato a Bolívia como um país independente, com autodeterminação. Mas, como a Bolívia exporta droga para o Brasil, é impossível que o governo não possa controlar isso, porque não é um caminhãozinho, é praticamente o grosso da droga, da cocaína que se consome no Brasil", disse. "É importante ter ação diplomática decidida, pública, porque só pública é que ela tem efetividade, para frear esse contrabando, do contrário é trololó."

Regulamentação

Ao abordar reivindicações de participantes do congresso, Serra foi mais categórico do que Dilma Rousseff ao tratar da regulamentação da Emenda 29, que deve definir atribuições da União, Estados e municípios na área da saúde e vincular uma parcela dos gastos do governo federal. "Vamos fazer a regulamentação. Se for eu, se eu tiver essa oportunidade, como espero, vamos fazer no começo do ano (2011)", anunciou.

Na sequência, Serra alfinetou a petista, que, antes dele, havia dito que a saúde terá mais recursos graças ao crescimento do País. "O Brasil não cresce 7% ao ano e se crescer, neste ano, divide por dois e (a média) é 3%."

O ex-governador de São Paulo também desdenhou do discurso da pré-candidata petista de que foi a oposição que derrubou a CPMF. "Foi a base do governo que derrubou", afirmou. "O governo tem número para aprovar qualquer coisa."

Ao longo do discurso de mais de uma hora, Serra enumerou ações que liderou e que podem servir de base para o que qualifica de "governo ativista", entre as quais a queda de preços de medicamentos por ameaça de quebra de patentes e a absorção de outras iniciativas no Programa de Saúde da Família.

Para Dilma, Serra demoniza Bolívia

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, criticou o que qualificou como "demonização" o que seu concorrente José Serra (PSDB) fez da Bolívia ao acusar o governo daquele país de cumplicidade com o tráfico de drogas para o Brasil.


"Não é possível de forma atabalhoada a gente sair dizendo que um governo é isso ou aquilo, não se faz isso em relações internacionais, não é papel de um estadista, de quem quer ser um estadista", afirmou ontem a petista em entrevista coletiva em Gramado, onde participou do 26.° Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Dilma esteve no evento entre 11h e 14h e não encontrou o adversário tucano, que chegou ao local após a saída da petista.

A presidenciável defendeu a construção de um padrão diferente de relacionamento na América Latina. "Não acho que esse tipo de padrão em que você sai acusando outro governo seja uma coisa construtiva", disse. "Acho que a gente tem que ter cautela, prudência, tem que saber que são relações delicadas, que envolvem soberanias."

Além de abordar a polêmica a pedido dos repórteres, Dilma tratou do assunto indiretamente em sua palestra. "Provamos que o Brasil pode ser protagonista sem atitudes imperialistas, sem jamais esquecer que na América Latina estão nossos parceiros e é nossa região", afirmou.

"Não podemos desprezar e nem olhar com soberba para aqueles que são diferentes de nós. Essa é a política que leva à guerra, ao conflito, ao desprezo por populações diferentes."

Emenda 29

Em sua passagem por Gramado, Dilma também acenou com a regulamentação da Emenda Constitucional 29, principal reivindicação da maioria dos 2,5 mil inscritos no evento. A emenda está em vigor há dez anos e estabelece que os Estados devem destinar 12% e os municípios 15% de suas receitas para a área da saúde.

As prefeituras querem que a regulamentação, emperrada, atribua vinculações também à União, de 10% do orçamento, e defina o que é e o que não é gasto com saúde. Enquanto isso não estiver claro, há Estados que computam investimentos em saneamento e despesas com previdência, entre outros, para atingir seus 12%.

Dilma considerou a regulamentação "imprescindível" e lembrou que já havia dito isso aos participantes da recente Marcha dos Prefeitos, em Brasília. "Não vou fazer demagogia e dizer que é possível regulamentar sem que haja receita permanente para a adoção desse requisito", disse. "O País mudou, está crescendo e estamos vendo que vamos gerar mais arrecadação sem aumentar impostos." 

Comentário BGN


Até que enfim um político teve a coragem de denunciar a questão e falar verdades que nunca ninguém ousou declarar em público. Quanto à Sra Dilma, ficou provado que ela teve a cabeça feita pela turma irresponsável do Amorim no Itamaraty. Uma turma tão irresponsável que ousa queimar a imagem do Brasil, apoiando o regime iraniano em suas pretensões de fabricar armas nucleares e destruir Israel. 


Esperamos que este governo petista acabe logo e que nossa política externa sofra alteração e que haja uma limpeza nos quadros do Itamaraty, expurgando o orgão dos xiitas petistas comunistas ora ocupando os cargos naquele ministério.



Fonte: O ESTADO /Ariel Palacios/Elder Ogliari

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