Sistema antissísmico impediu maiores danos, mas prédio tremeu muito. Brasileiro não sabia 'se ficava debaixo da mesa ou se tentava sair'
Fachada do edifício Flynt, em Los Angeles (Foto: Reprodução)
Em Los Angeles, os abalos relacionados ao tremor de 7,2 graus com epicentro na Baixa Califórnia foram percebidos com força ainda maior nos grandes edifícios da cidade, como o Flynt Building, que serve de base para o Consulado Geral do Brasil em Los Angeles.
O edifício serve de base também a diversos escritórios da Flynt Corporation, como os da revista “Hustler” e da “Flynt Aviation”. De acordo com funcionários do prédio, não havia ninguém trabalhando no consulado brasileiro neste domingo de Páscoa.
O empresário brasileiro Ricardo Coutinho, que estava em seu escritório no 7º andar do edifício, disse que, apesar de o tremor ter durado cerca de 45 segundos, o prédio balançou por cerca de 5 minutos. “A estrutura metálica é preparada para assimilar o choque”, diz Coutinho. “Demora mais para começar a se mover, mas, quando o faz, demora igualmente para parar. O balanço causou enjoo, tontura e pude ver a água se agitar no copo. A única reação foi me apoiar contra a parede enquanto pensava se ficava debaixo da mesa ou se tentava sair do prédio pelo elevador ou pelas escadas.”
O Flynt Building tem dez andares e cinco níveis de estacionamento subterrâneo. Ao deixar o prédio, antes de sair pelo saguão principal, o empresário revela ter notado uma movimentação estranha entre os funcionários. “O porteiro me contou que a porta começou a ranger como se alguém tentasse forçar a entrada, e apontou para um canto. Quando olhei, notei uma enorme quantidade de pó e pedaços de concreto no chão”, relata Coutinho.
Uma das colunas foi afetada pela pressão do tremor e apresentou rachaduras, diz o brasileiro. Nada crítico, mas o suficiente para acionar o Corpo de Bombeiros de Beverly Hills, que enviou um perito para verificar os danos.
No chão
A experiência de quem estava em andares mais baixos ou em casas térreas foi diferente. Donos de casas com piscina conseguiram registrar o movimento violento da água saindo da área de contenção, assim como cortinas e persianas balançando constantemente. A internet foi rapidamente tomada com diversos vídeos desse fenômeno.
“Senti como se estivesse num barco, uma sensação de mal-estar e movimento incômodo”, comenta a advogada brasileira Luiza Costa, que mora no primeiro andar de um prédio com dois níveis. “Enquanto estava debaixo da mesa com minha filha, a sensação piorou ao olhar a persiana e notar que ela se movia de um lado para o outro. Isso ampliou muito a sensação de medo”.
Procurado, o Corpo de Bombeiros de Los Angeles afirmou que não havia registrado, até o final da noite (horário de Brasília) nenhuma ocorrência envolvendo infra-estrutura, feridos ou interrupção de energia e abastecimento de água.
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Fonte: G1 / Fábio M. Barreto

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