Plano para que país faça parte dos experimentos será apresentado em junho
O Cern (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear) vai cobrar US$ 10 milhões (R$ 18 milhões) por ano para que o Brasil possa fazer parte do maior experimento da física, o LHC (Grande Colisor de Hádrons), considerado a maior máquina já construída pelo homem.
O projeto oficial de adesão brasileira será apresentado em junho. Ao lado da Índia, o Brasil poderá estar entre os primeiros países emergentes a se unir oficialmente ao projeto.
Localizado em um túnel de 27 km de extensão sob a fronteira entre a França e a Suíça, o LHC começou a processar partículas em novembro/Johannes Simon/16.06.2008/Getty Images
Nesta terça-feira (30), o LHC conseguiu pela primeira vez recriar uma situação similar aos instantes posteriores ao surgimento do Universo.
A colisão de partículas, feita a uma energia de 7 TeV (teraelétron-volts), foi alcançada após duas tentativas fracassadas – o recorde anterior havia sido obtido em 2009, quando a energia chegou a 1,18 TeV. O sucesso do experimento abre as portas para uma nova fase na física moderna, já que agora será possível dar respostas a inúmeras incógnitas sobre o Universo e a matéria.
O principal desafio é encontrar a partícula bóson de Higgs, só descrita na teoria, e base para a explicação de diversos conceitos físicos.
John Ellis, diretor de cooperação do Cern, revelou que uma proposta está sendo redigida no momento pela entidade, que busca sua internacionalização e não quer mais ser vista apenas como uma organização europeia e norte-americana.
– Tivemos uma reunião há uma semana no conselho do Cern e ficou decidido que faríamos uma proposta concreta ao Brasil.
Segundo ele, a contribuição brasileira será baseada no PIB (Produto Interno Bruto) do país. Mesmo assim, representaria apenas 1% do orçamento do centro europeu. Atualmente, a entidade tem um orçamento de US$ 1 bilhão (R$ 1,8 bilhão), grande parte financiada por alemães, franceses, norte-americanos e ingleses.
No fim de 2009, o Ministério de Ciência e Tecnologia iniciou um processo de aproximação do Cern, que poderá ser concluído em 2010. Ellis, porém, não exclui que o valor e a modalidade da adesão sejam alvos de uma negociação. Segundo ele, a entrada oficial do Brasil no experimento poderia trazer pelo menos três vantagens ao país.
A primeira é que empresas nacionais de tecnologia poderiam participar de licitações para vender suas peças e equipamentos - o Cern é hoje um dos maiores compradores de tecnologia no mundo. Em segundo lugar, o Cern abriria suas portas para a contratação de físicos brasileiros. Para completar, o Brasil poderia ter voz e voto nas decisões futuras em relação às pesquisas.
Localizado em um túnel subterrâneo circular de 27 km de extensão sob a fronteira entre a França e a Suíça, o equipamento começou a processar partículas em novembro passado, depois de ser fechado em setembro de 2008 devido a superaquecimento. O LHC foi inaugurado em 10 de setembro de 2008 e custou o equivalente a R$ 10,42 bilhões. Sua construção envolveu 7.000 físicos de todo o mundo e durou 12 anos.
Fontes: R7 - AE

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