Cortes no orçamento para possibiltar reconstrução
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, declarou neste sábado que o país enfrentará as consequências do terremoto do dia 27 de fevereiro com "uma economia de guerra" e uma "profunda austeridade" nos gastos públicos.
"Vamos estabelecer uma economia de guerra em muitos assuntos públicos, no sentido da austeridade", destacou o presidente ao visitar um bairro da capital Santiago. Em pronunciamento aos moradores da região, o mandatário acrescentou que "já firmou um decreto de profunda austeridade no gasto público".
"Planejamos um corte geral de 5% nos gastos correspondentes aos bens de consumo, compras de equipamentos e maquinarias em todos os ministérios", explicou Piñera, disse ainda que irá dar "o exemplo", já que "o maior corte será na Presidência da República".
Para reverter a trágica situação deixada pelo abalo sísmico de 8,8 graus e suas mais de cem réplicas, o chefe de governo também disse que serão suspensos alguns programas do governo, "que não eram tão prioritários".
Com isso, será possível a criação de um "fundo da reconstrução", que terá vigência de quatro anos e deverá arrecadar cerca de US$ 733 milhões.
O presidente também criticou o estudo divulgado pela imprensa local que indica que o país teria perdido apenas US$ 8 bilhões e não US$ 30 bilhões com o abalo sísmico, como vem anunciado o governo.
De acordo com análise do especialista Matías Braun, as projeções oficiais podem responder "ao temor do primeiro momento ou à estimativa de perdas, como a porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto)" ou "à multiplicação dos danos do terremoto de 1985".
"Quero ser muito preciso. O prejuízo bruto, total do setor público, do setor privado, que afetou nosso país com o terremoto ou tsunami está estimado em US$ 30 bilhões", enfatizou.
Na sexta-feira, o ministro do Interior do país, Rodrigo Hinzpeter, já havia anunciado um primeiro pacote de medidas para as áreas afetadas. Segundo ele, as prioridades do governo serão a proteção das famílias desabrigadas, a reativação das escolas e o início dos trabalhos nas zonas devastadas.
Estima-se que o terremoto e o tsunami registrados há pouco menos de um mês tenham deixado mais de 500 mortos, dezenas de desaparecidos e dois milhões de desabrigados.
Fontes: FOLHA - ANSA
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