Pontífice teria recebido recado avisando sobre volta de padre pedófilo/Andrew Medichini/APNOVA YORK - O para Bento XVI estava mais próximo do acobertamento dos casos de abusos sexuais por parte de padres na Alemanha do que se pensava anteriormente, informa nesta sexta-feira, 26, o jornal americano New York Times citando um recado que o pontífice teria recebido quando era arcebispo de Munique.
O cardeal Joseph Ratzinger, atual papa, foi informado por meio de recado que um padre que havia sido mandado para a terapia em 1980 por conta da prática da pedofilia havia retornado à diocese antes mesmo de iniciar o tratamento.
Documentos divulgados no meio de março haviam responsabilizado o reverendo Gerhard Gruber, segundo no comando da diocese depois de Ratzinger, pela volta do padre pedófilo à Igreja. O recado, cuja existência foi confirmada por duas fontes da dioceses, porém, mostra que Ratzinger não apenas aprovou a transferência do religioso que cometeu os abusos, mas também estava a par de seu retorno antes do tratamento psiquiátrico.
Como ele tomou a decisão e quanto interesse ele mostrou no caso do padre pedófilo não ficou esclarecido. Mas o padre Friedrich Fahr, responsável por lidar com o caso, "sempre permaneceu pessoal e excepcionalmente ligado" ao futuro papa, segundo a Igreja.
Bento XVI foi duramente criticado depois de o New York Times revelar que teve papel no encobrimento dos casos de pedofilia na Alemanha e nos EUA. Sobre o caso do padre alemão, Peter Hullermann, que seria mandado para a terapia, a diocese alemã reconheceu as "graves falhas" que ocorreram, embora tenha atribuído tais erros às pessoas deveriam informar Ratzinger, e não ao cardeal em si.
A Igreja defende o pontífice alegando que o recado era "rotineiro e não deveria ter chegado ao conhecimento de Ratzinger", segundo o padre Lorenz Wolf, vigário judicial da diocese de Munique. Wolf, porém, não pôde confirmar se o futuro Papa teria então lido ou não o recado.
Na quinta-feira, o New York Times revelou o envolvimento de Ratzinger no encobrimento do caso de um sacerdote americano que abusou de aproximadamente 200 meninos surdos. A reportagem foi baseada em cartas trocadas entre o atual para e outros membros da Igreja obtidas com exclusividade pelo jornal. ( Vide abaixo ).
Bento XVI encobriu escândalos sexuais quando era cardeal, diz 'NYT'
Documentos obtidos pelo jornal americano New York Times revelam que até o bispo alemão Joseph Ratzinger, atualmente o papa Bento XVI, encobriu um sacerdote americano que abusou de aproximadamente 200 meninos surdos. A reportagem denunciando as omissões da Igreja foram publicadas nesta quinta-feira, 25, no diário.
A correspondência interna de bispos do estado americano de Wisconsin diretamente ao cardeal Ratzinger, que se tornaria o papa em abril de 2005, mostra que enquanto os responsáveis eclesiásticos discutiram a expulsão do padre, a prioridade maior foi proteger a Igreja do escândalo, segundo o site do jornal.
Os documentos procedem da causa judicial aberta contra o reverendo Lawrence C. Murphy, que trabalhou durante mais de 20 anos, entre 1950 e 1974, em uma escola para crianças surdas de Wisconsin. Eles foram cedidos pelos advogados de cinco homens que processaram a Arquidiocese de Milwaukee.
O arcebispo de Milwaukee em 1996, Rembert G. Weakland, enviou duas cartas informando a situação, e não obteve resposta do então cardeal Ratzinger, que dirigia a Congregação para a Doutrina da Fé, encarregada de estudar esses casos.
Após oito meses, o segundo responsável à frente da doutrina oficial católica, o cardeal Tarsicio Bertone, atualmente secretário de Estado do Vaticano, ordenou aos bispos de Wisconsin iniciarem um julgamento cônego secreto que poderia ter terminado com a expulsão de Murphy do sacerdócio.
No entanto, Bertone parou o processo depois que Murphy escreveu pessoalmente a Ratzinger dizendo que tinha se arrependido e estava doente. "Só quero viver o tempo que me resta na dignidade do meu sacerdócio", afirmava o padre na carta que enviou Ratzinger, já perto de sua morte, que aconteceu em 1998. "Solicito sua bondosa ajuda neste assunto", acrescentava.
Murphy nunca foi julgado ou sancionado pela Igreja e até a Polícia e os investigadores de justiça se omitiram perante as declarações das vítimas.
Em 1974, o sacerdote foi transferido pelo arcebispo William E. Cousins, de Milwaukee, à Diocese de Superior, no norte de Wisconsin, onde passou seus últimos 24 anos trabalhando com crianças em colégios, igrejas paroquiais e em um centro de detenção juvenil, segundo o jornal.
O New York Times cita o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, que reconheceu que era um caso "trágico", mas acrescentou que o Vaticano não foi informado até 1996, anos depois que as autoridades civis averiguaram e encerraram o caso.
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Fontes: O ESTADO - THE NEW YORK TIMES
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