‘O mundo acordou mais xarope hoje’, diz Galhardo sobre a morte de Glauco

Cartunista foi morto em tentativa de assalto nesta sexta (12). Veja a repercussão da morte entre os colegas e quadrinistas.

O cartunista Glauco, em foto de 2002 (Foto: Raphael Falavigna/Folha Imagem)

Colegas e quadrinistas lamentam a morte do cartunista Glauco Villas-Boas. O artista morreu aos 52 anos após uma tentativa de assalto em sua casa em Osasco, na Grande São Paulo, na madrugada desta sexta-feira (12).

Caco Galhardo, quadrinista - "Todo mundo está muito chocado. O Glauco é um grande talento que perdemos subitamente. Para todos os cartunistas foi uma grande referência. O Geraldão é uma grande referência e o Glauco era um cara pacífico. Como alguém pode fazer uma coisa dessas? O atirador não tem noção. O Glauco era um gigante. Ele tinha o dom de repetir a mesma piada e ser engraçada dez mil vezes. O mundo acordou mais xarope hoje."

Toninho Mendes, editor - “Com ele morre uma parte do que esse país tinha de alegre, respeitoso, diferente e em busca do futuro. Estou sem condições de falar. Você não imagina o meu estado de transtorno. A gente trabalhou juntos na Circo, por quase dez anos. Eu não consigo acreditar no que está acontecendo.”

Fernando Gonsales, quadrinista - "É um acontecimento muito triste. Ele era um cara muito legal e que fará muita falta. Eu acho que o trabalho dele, de um jeito ou de outro, influenciou a minha geração. Ele deu uma escrachada que revolucionou. É assim que o vejo: como um dos grandes revolucionários do humor brasileiro."

Gabriel Bá, quadrinista, no Twitter - "Que m... O Glauco foi morto a tiros em casa! Um filho também morreu! Que b...!

Arnaldo Branco, quadrinista - "O Glauco era o batedor que ia na frente testando os limites pra todo mundo que vinha atrás. Sempre ficava impressionado como o cara falava abertamente de sexo e drogas ainda na vigência da censura (velada, que fosse). Fazia humor urgente, em estado bruto."

André Dahmer, quadrinista - "O Glauco participou do renascimento dos quadrinhos brasileiros nos anos 80. Tinha um quadrinho de traço único, feroz, vivo. A notícia veio como um soco na barriga, mais um para virar estatística em tempos de banalização da vida. Não sei o que pensar."

Orlando, cartunista - “Glauco veio de uma rota de destruição, muito ferrada, e conseguiu colocar a vida no prumo, se ajeitar. Encontrei ele pouco tempo atrás, estava superbem. O boom do trabalho dele foi em 78 ou 79 no ‘Viralata’, seção de humor publicada no ‘Folhetim’, suplemento da ‘Folha’ que saía aos sábados. Ele apareceu com um humor absolutamente inusitado, ninguém fazia aqui, traço super solto."

Jal, cartunista - "Ele tinha uma proximidade muito grande com o Henfil, chegaram a morar juntos no Rio Grande do Norte. Dava pra notar essa influência claramente no desenho dele. Infelizmente a violência leva mais um. O Glauco era um cara que trabalhava muito bem essa coisa do diálogo, da paciência. Não era um pitbull. Era um cara que buscava a paz." -

Associação Brasileira de Cartunistas - "Glauco, companheiro de sempre de Laerte, Angeli, Toninho Mendes e Adão Iturusgarai nos quadrinhos. Seus personagens satirizavam as relações de uma geração perdida entre as questões comportamentais e instintivas do ser humano. Usava o humor como arma de anteparo à violência. Foi uma das 'crias' de Henfil. Seu filho Raoni também escolheu ser cartunista e trabalhava com o pai. A notícia de uma execução sumária em um assalto é quase que sem nexo diante de alguém que justamente lutava contra isso. Fica a lembrança de um amigo que fez de sua vida uma história de sucesso no humor gráfico do país. E o compromisso de continuarmos na batalha de enfrentarmos a violência de nossos dias com o que melhor sabemos fazer- o humor. Salve Glauco. Salve Raoni."

Lourenço Mutarelli, quadrinista – “Os três, (Glauco, Angeli e Laerte) são os quadrinistas mais importantes do país, os caras que mais me motivaram. É uma puta perda, um tipo de morte muito absurda. Glauco era um cara muito importante, com um trabalho único. Foram eles que me incentivaram a conseguir um espaço nos quadrinhos, e influenciaram toda a minha geração.”

Maurício de Sousa, quadrinista, no Twitter - “O dia fechou com o desaparecimento do Glauco. Não há palavras para justificar, explicar, entender...”

João Montanaro, quadrinista, no Twitter - “Dia ruim para os quadrinhos e para o Brasil. Quando criança eu copiava os desenhos do Glauco. Fiz o ( personagem) Doubli pensando no Glauco e no Calvin.”

Fonte: G1

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