Igreja da Holanda registra 1.100 denúncias de abusos sexuais

A Igreja passa por momentos difíceis

A Igreja Católica da Holanda registrou 1.100 denúncias de abusos sexuais contra membros do clero, todos entre os anos 50 e 60, informou neste sábado o porta-voz Pieter Kohnen. As denúncias de abuso sexual contra padres envolve ainda as igrejas da Alemanha, Irlanda, Áustria e, em menor escala, Brasil.

As denúncias foram feitas à comissão Ajuda e Direito, criada em 1995 pela Igreja para ajudar as vítimas, informou Kohnen.

A Conferência Episcopal e a Conferência de Institutos Religiosos da Holanda, que reúne um total de 190 instituições, anunciou na terça-feira passada (16) a abertura de investigação independente sobre as denúncias.

O comando da investigação foi confiado ao ex-ministro de Educação, Wim Deetman, e o trabalho começará dentro de quatro a seis semanas.

Em fevereiro passado, foram divulgadas denúncias sobre esses atos cometidos na década de 60, em colégio da ordem dos salesianos de Don Bosco.

No entanto, nenhuma das denúncias pode servir de base à abertura de instrução judicial, uma vez que o crime foi prescrito, explicou Evert Boerstra, porta-voz do Ministério Público holandês.

"Quando se trata de abusos sexuais passíveis a uma condenação de dez anos de prisão, o crime prescreve em 20 anos", disse Boerstra.

Vítimas de abuso sexual preparam ação contra Igreja Católica na Áustria

Cerca de dez vítimas de abuso sexual em instituições católicas na Áustria preparam ação coletiva contra a Igreja Católica e os religiosos responsáveis, o que constitui a primeira iniciativa judicial deste tipo no país, informa neste sábado a imprensa local.

Para poder apresentar uma ação coletiva, as vítimas se uniram em uma associação que leva o nome Vítimas da Violência Eclesiástica.

Segundo disse ao jornal "Der Standard" o advogado Werner Schostal, o objetivo inicial é chegar a um acordo extrajudicial para pagamento de indenizações. Caso o acordo fracasse, o grupo apela para um processo judicial.

O valor das indenizações, segundo o advogado, gira em torno de 80 mil euros para cada vítima.

Em uma entrevista que será publicada neste domingo no jornal "Profil", o cardeal de Viena, Christoph Schönborn, não descarta o pagamento de indenizações às vítimas dos abusos.

"Normalmente supomos que os autores assumam o pagamento", disse o cardeal, considerado como uma das autoridades mais influentes na Igreja Católica europeia.

Schönborn afirmou ainda a continuidade do celibato, alegando que "todos os especialistas dizem que não existe uma relação direta entre os abusos e o celibato".

Schostal afirma que as vítimas esperam mais sucesso em processo contra os responsáveis diretos pelas instituições, embora haja uma dúvida sobre a prescrição dos casos.

O advogado espera ainda que "centenas de outras vítimas" se unam à associação, entre elas as pessoas que sofreram abusos nos últimos anos.

Como na Alemanha, Irlanda e Holanda, a Igreja austríaca se viu em meio a um escândalo por denúncias de ex-alunos de escolas e internatos católicos que dizem ter sido vítimas de abusos sexuais por seus professores.

Ao menos cinco homens dizem ter sido vítimas nos anos 80, quando ainda eram crianças, de abusos sexuais e maus-tratos físicos por três religiosos em um monastério beneditino na localidade de Kremsmünster, na região de Alta Áustria.

Apesar da campanha do próprio papa Bento 16 contra os casos de abuso, uma pesquisa divulgada neste sábado revela que 75% dos austríacos dizem não acreditar que o Vaticano fará todo o possível para esclarecer os casos de abuso sexual.

Uma outra pesquisa divulgada nesta sexta-feira estima que cerca de 1 milhão dos 5,6 milhões de católicos austríacos está considerando abandonar oficialmente a religião católica.

Fontes: FOLHA - Efe - AFP

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