EUA e Rússia chegam a acordo para redução de arsenal nuclear

Tratado será assinado dia 8 de abril em Praga; Obama vê novo começo entre os dois países


WASHINGTON - Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Dimitri Medvedev, finalizaram os últimos detalhes do novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês) nesta sexta-feira, 26, por telefone.

O novo acordo substituirá o antigo, de 1991, cuja validade havia expirado em dezembro de 2009. O anúncio foi feito na Casa Branca por Obama, pela secretária de Estado, Hillary Clinton e pelo secretário de Defesa, Robert Gates.

Segundo a Casa Branca, o novo acordo impõe uma redução de 1/3 no arsenal nuclear dos dois países, que detêm 90% das armas atômicas mundiais. Haverá um limite de 1,5 mil ogivas e 800 plataformas de lançamento que podem ser mantidas por casa país. Além disso, Rússia e EUA poderão ter no máximo 700 mísseis intercontinentais e submarinos.

O acordo será assinado por Obama e Medvedev no próximo dia 8 de abril em Praga, na República Checa, onde no ano passado o presidente americano fez um discurso defendendo a necessidade de um mundo sem armas nucleares.

O novo Start terá a duração de uma década, mas ambas as partes podem concordar em estendê-lo por mais cinco anos. O pacto, de acordo com o governo americano, também representa "o comprometimento da Rússia em restabelecer relações em vários aspectos". Os termos do tratado, porém, não afetarão os planos americanos de estabelecer um sistema de escudo de mísseis na Europa, projeto que tem sido criticado pelos russos.

"Esse acordo histórico é um avanço na segurança de ambos os países e reafirma a liderança dos EUA e da Rússia na questão da redução nuclear e da não-proliferação global", disse a Casa Branca por meio de comunicado. O governo ainda detalhou que o acordo será assinado pelos presidentes no dia 8 de abril, em Praga, na República Checa, conforme haviam adiantado autoridades americanas na quarta-feira.

Nos últimos dias, ambos os países disseram repetidas vezes que o acordo estava próximo. Uma fonte de Kremlin havia dito na quarta que "havia consenso sobre todos os documentos" e que "eles seriam transcritos."

Na semana passada, o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, expressaram em Moscou sua confiança na pronta assinatura do novo tratado.

Rússia e EUA iniciaram no último dia 9 em Genebra a rodada final de negociações sobre o desarmamento aberta há quase um ano em Londres pelos presidentes Medvedev e Obama.

Obama vê novo começo com a Rússia


Quando cooperam, EUA e Rússia conseguem avanços, disse o presidente em discurso/Charles Dharapak/AP

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, 26, queo novo acordo de redução do arsenal nuclear fechado hoje com a Rússia representa um recomeço nas relações entre os dois países e que é o "mais compreensivo pacto de controle de armas firmado em quase duas décadas".

"Desde que assumi a presidência, lutei por isso. Este tratado representa um recomeço das relações com a Rússia", disse Obama.

O prazo do antigo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês), expirou em dezembro. Desde então, os dois países se reuniram repetidamente para renovar os termos.

O presidente americano agradeceu ao mandatário russo, Dmitri Medvedev, por sua "consistente liderança para chegar ao acordo". "Tivemos muitas oportunidades no ano passado para firmar esse pacto, e acreditamos que podemos servir aos interesses de nossos povos por meio da cooperação", disse Obama referindo-se ao colega russo.

Ele também agradeceu sua "incansável" equipe de negociações e as principais autoridades diplomáticas e de segurança dos EUA - os secretários de Estado e Defesa, Hillary Clinton e Robert Gates, e o chefe de Estado-Maior, o almirante Mike Mullen.

O novo Start, segundo Obama, reflete os interesses dos dois países para "paralisar a proliferação dessas armas, mantê-las longe da posse dos terroristas e reduzir esses arsenais". O tratado, segundo ele, foi um importante passo para esses objetivos, que não devem ser atingidos num futuro próximo.


Veja também:Rússia e EUA querem conter proliferação nuclear, diz Hillary

Fontes: O ESTADO - AP - Reuters - Efe

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