Duplo atentado mata 38 no metrô de Moscou

Mais de 60 ficaram feridos em explosões provocadas por suicidas. Ninguém assumiu, mas autoridades suspeitam de grupos do Cáucaso.


Os atentados suicidas provocados por duas mulheres no metrô de Moscou nesta segunda-feira (29) deixaram ao menos 38 mortos e outros 65 feridos, segundo autoridades do país.

O Serviço Federal de Segurança confirmou que a tragédia vem sendo tratada como ato terrorista. “As explosões foram obras de mulheres suicidas”, diz um comunicado. Uma fonte policial disse às agências internacionais de notícias que parte dos corpos das suicidas foram encontrados nas duas estações atingidas.

O titular do Ministério de Emergências, Sergei Shoigu, chegou a falar em 102 feridos nos atentados, mas as informações não foram confirmadas pelas equipes que trabalham no resgate de vítimas nas duas estações.

O presidente russo, Dmitry Medvedev, declarou que a Rússia agirá "sem concessões" para caçar terroristas.

A primeira explosão ocorreu na estação Lubyanka, no Centro de Moscou, que fica próxima ao Kremlin, pouco antes das 8 horas (horário local). Pelo menos 23 pessoas morreram nesse ataque.

De acordo com um porta-voz do Ministério de Emergências, a explosão ocorreu pouco depois de um trem estacionar. As vítimas foram atingidas num vagão e também na plataforma.

No complexo está baseado Serviço Federal de Segurança da Rússia, instituição que sucedeu a KGB, a antiga agência de inteligência local.

Equipes de resgate carregam vítima no Centro de Moscou, depois que duas explosões atingiram duas estações de metrô, matando ao menos 38 pessoas. (Foto: Sergey Ponomarev/AP Photo)

A segunda explosão atingiu a estação Park Kultury, também localizada no centro da cidade, cerca de 40 minutos depois, matando entre 12 e 14 pessoas, segundo um porta-voz do Ministério de Emergências.

As autoridades fecharam as duas estações e bloquearam o trânsito em várias ruas da região central de Moscou.

Segundo as agências internacionais, o serviço de telefonia na região entrou em colapso e não está funcionando desde as explosões.

Insurgência

Nenhum grupo reivindicou a autoria dos piores ataques na capital russa em seis anos imediatamente, mas o chefe do Serviço Federal de Segurança, Alexander Bortinikov, disse que as agressoras são provavelmente do norte do Cáucaso, onde Moscou enfrenta uma insurgência islâmica que se espalha da Tchetchênia para os vizinhos Daguestão e Inguchétia.

Os líderes russos haviam declarado vitória em sua batalha com separatistas chechenos que lutaram duas guerras com Moscou. Mas, enquanto a violência diminuía na Tchetchênia, ela se espalhou e ganhou força nos vizinhos Daguestão e Inguchétia.

Interpol pode investigar ação

O Ministério de Situações de Emergência da Rússia afirmou nesta segunda-feira que o duplo atentado terrorista contra duas estações de metrô de Moscou deixou ao menos 38 mortos e 64 feridos.

A Interpol (polícia internacional) ofereceu ajuda à Rússia para investigar os responsáveis pelos ataques, perpetrados por duas mulheres-bomba, segundo a agência de notícias russa Ria Novosti. Nenhum grupo assumiu a autoria, mas o governo russo acusa rebeldes ligados a separatistas do Cáucaso Norte.

A Interpol ofereceu "apoio e assistência total" às autoridades russas. "O Centro de Comando e Coordenação da Interpol, em seu secretariado-geral, em Lyon, na França, está trabalhando próximo com o Escritório Nacional Central de Moscou para dar qualquer assistência necessária", disse a Interpol, sem seu site".

Pessoas passam por flores deixadas em memória das 38 vítimas dos ataques a duas estações de metrô/ Alexander Natruskin /Reuters

O ministério russo começou o trabalho de identificação das vítimas dos ataques, os mais violentos em seis anos na capital Moscou.

"Em Park Kultury, segundo dados preliminares, foi uma mulher-bomba. Segundo os fragmentos do corpo, que estão sendo examinados, o explosivo estava na altura da cintura. A situação é a a mesma em Lubianka", disse o porta-voz do comitê de investigação do Ministério Público de Moscou, Vladimir Markin.

As outras linhas do metrô de Moscou, que diariamente transporta 8,5 milhões de pessoas, permaneciam funcionando normalmente.


"Eu ouvi uma explosão, virei minha cabeça e havia fumaça em todos os lados. As pessoas correram para as saídas gritando", disse Alexander Vakulov, 24, que estava em um trem na plataforma oposta ao local da explosão em Park Kultury.

"Eu vi uma pessoa morta pela primeira vez na minha vida", disse Valentin Popov, 19, que acabara de chegar na estação.

Apoio

Moscou registrou nos últimos dez anos uma série de explosões reivindicadas por militantes da causa separatista da Tchetchênia, uma república do Cáucaso. Nos últimos anos, contudo, os atentados se tornaram menos frequentes.

O último ataque no metrô de Moscou acontecera em 6 de fevereiro de 2004, entre as estações Avtozavodskaia e Pavelestakia, com um balanço de 41 mortos e 250 feridos.

Em agosto do ano passado, Medvedev anunciou a ampliação da campanha contra o terrorismo no Cáucaso Norte, após outro atentado suicida ter sido perpetrado contra um prédio da polícia na república da Inguchétia, no qual morreram 24 pessoas.

Nos últimos meses, as tropas russas intensificaram as operações militares contra rebeldes islâmicos no Cáucaso Norte e mataram vários dirigentes rebeldes, incluindo um na semana passada na região de Kabardino-Balkariya, que levou a promessas de retaliação dos militantes.

Algusn dos grupos militantes recebem apoio moral e financeiro da rede terrorista Al Qaeda e dezenas de seguidores de páginas na internet ligadas à Al Qaeda escreveram comentários comemorando os ataques em Moscou.

Um dos sites abriu uma página especial para "receber congratulações" pelos rebeldes da Tchetchênia que "iniciaram uma série de ataques nos países" e todos desejavam que Deus aceite as duas "irmãs", as mulheres-bomba que realizaram os ataques, como mártires.


"Não se esqueçam dos crimes de genocídio da Rússia no Cáucaso e na Tchetchênia", disse um dos autores. "A batalha foi levada ao coração de Moscou", escreveu outro.

Resposta

Pouco após os ataques, as duas maiores autoridades do governo russo declararam guerra ao terrorismo.

O premiê da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda-feira em rede nacional que os terroristas responsáveis pelo duplo atentado serão capturados e aniquilados.


"Tenho certeza de que as agências de segurança farão todo o possível para encontrar e punir os criminosos", afirmou Putin, durante uma videoconferência da cidade siberiana de Krasnoyarsk. "Os terroristas serão aniquilados", completou.

"Somente com os esforços conjuntos poderemos derrotar os grupos clandestinos e vencer este mal", afirmou Putin, que suspendeu sua visita à região e voltará com urgência a Moscou.

Mais cedo, o presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou que o país continuará combatendo o terrorismo sem hesitar e ordenou um reforço da segurança nos transportes de toda a nação.

"A política de repressão do terror e de luta contra o terrorismo continuará. Prosseguiremos com as operações contra os terroristas sem hesitação e até o fim", afirmou Medvedev, durante uma reunião de emergência convocada após os atentados.

O presidente russo se mostrou convencido de que os terroristas queriam causar a "desestabilização da situação no país e na sociedade", segundo as agências russas. "Isto, evidentemente, é a continuação da atividade terrorista", disse Medvedev, que lamentou que as medidas antiterroristas adotadas até agora fossem "obviamente, insuficientes".

Fontes: G1 - FOLHA - TV Globo

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails