Copom mantém taxa de juros em 8,75% ao ano

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu nesta quarta-feira manter a taxa básica de juros (Selic) nos atuais 8,75% ao ano.

A manutenção já era esperada pelo mercado financeiro.

A decisão dividiu o Copom. Cinco votaram pela manutenção da taxa e três queriam aumento de 0,5 ponto percentual.

"O comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", afirma nota divulgada após a reunião.

Esta foi a quinta reunião consecutiva em que o Copom resolveu manter a taxa inalterada, após cinco cortes seguidos na Selic entre janeiro e julho do ano passado. A primeira manutenção ocorreu em setembro, o que foi repetido em outubro, dezembro e na primeira reunião de 2010, em janeiro.

A reunião de hoje pode ter sido a última do presidente Henrique Meirelles à frente do BC. Isso porque, se decidir ser candidato a um cargo eletivo, o presidente terá que deixar o cargo até o início de abril.

Previsão

A manutenção da taxa de juros já era esperada pelo mercado financeiro. Na pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central na última segunda-feira, os economistas previram a Selic em 8,75% até abril, quando, segundo eles, começaria a subir. Para o fim de 2010, a previsão é que a Selic encerre o ano em 11,25%.

A previsão de aumento nos juros em 2010 feita pelo mercado se deve à expectativa de um maior aquecimento da economia, que pode aumentar o consumo e pressionar os preços dos produtos, fazendo com que a autoridade monetária eleve a Selic para controlar a inflação.

Para o fim deste ano, o mercado passou a prever o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acima da meta de 4,5% traçada pelo governo, em 5,03%. Os economistas projetam o crescimento do PIB em 5,45%.



PIB

Na semana passada, o IBGE divulgou que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro recuou 0,2% em 2009. Foi o primeiro resultado anual negativo desde 1992, quando a economia encolheu 0,47%.

No quarto trimestre, porém, houve crescimento de 2% em relação ao trimestre anterior, o que foi visto pelo governo como um sinal de que a economia está avançando o que pode levar a um aumento na Selic para segurar a inflação.

"O resultado do PIB no ultimo trimestre mostra que nós fechamos 2009 com chave de ouro', disse o ministro Guido Mantega (Fazenda), na ocasião.

Mantega previu que o Brasil poderá crescer mais de 5,7% neste ano.

Compulsório

No fim de fevereiro, o BC anunciou um aumento na alíquota do chamado depósito compulsório (quantidade que os bancos têm que deixar depositado no órgão) para 15%. Durante a crise, para liberar mais recursos para o mercado, o banco reduziu o percentual para 13,5%.

A medida foi vista por economistas como uma tentativa da autoridade monetária de tirar dinheiro da economia e evitar uma alta imediata de juros. Com isso, serão retirados da economia R$ 72 bilhões.

Menor taxa

A atual taxa é a menor da história. Os cinco cortes realizados até julho foram a maior sequência de cortes desde o início do governo Lula, em 2003. Naquela época, no entanto, os juros estavam em quase 30% ao ano.

No início de 2009, os juros estavam em 13,75% ao ano. Em janeiro, o Copom fez o primeiro corte desde a piora da crise econômica a partir de setembro de 2008, para 12,75% a.a.. Na reunião de março, os juros caíram novamente, para 11,25% a.a.

Em abril e junho os cortes foram de um ponto percentual. Na reunião de julho, no entanto, o BC reduziu a intensidade do corte para 0,5 ponto percentual --chegando ao patamar atual-- e indicou que não haveria mais nenhuma redução dos juros neste ano.

O Copom se reúne a cada 45 dias e terá sua próxima reunião nos dias 27 e 28 de abril.

Com decisão do Copom, Brasil mantém liderança em juros reais

A manutenção na taxa básica de juros, a Selic, feita pelo Copom (Comitê de Política Monetária) nesta quarta-feira fez com que o Brasil continuasse ocupando a primeira posição no ranking de juros reais. De acordo com estudo da consultoria Uptrend, o país fica na liderança com taxa de 4%, seguido pela Indonésia, com 2,6%.

O ranking, que mostra os juros nominais de 40 países subtraídos das projeções de inflação nos próximos 12 meses, tem China, com juros de 2,5%, e Austrália, com 1,9%, na terceira e quarta colocações, respectivamente.

"A atual política monetária tende novamente ao aperto, ou seja, os juros mais altos devem reforçar o posicionamento do Brasil no ranking", afirma o relatório divulgado pelo presidente da consultoria, Jason Vieira.

Rússia (1,4%), no sétimo lugar, Malásia (0,9%), em nono, e Portugal (0,8%), em décimo, são as novidades entre os primeiros colocados.

As últimas posições no ranking de juros reais ficam com Índia, com juros reais de -11,2%, Venezuela (-5,9%), Turquia (-3,3%), Inglaterra (-2,9%) e Israel (-2,5%).

Veja abaixo os dez primeiros colocados da lista de juros reais:




Fonte: FOLHA / LORENNA RODRIGUES

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