Número de mortos no terremoto do Haiti pode passar de 100 mil, diz premiê

Informação foi dada pelo primeiro-ministro em entrevista à CNN. Tremor devastou a capital, Porto Príncipe, e matou 12 brasileiros.


Moradores caminham em meio a escombros na capital Porto Príncipe; um violento terremoto causou devastação na capital haitiana/Daniel Morel/AFP

O premiê do Haiti, Jean-Max Bellerive, disse nesta quarta-feira (13) à rede CNN que teme que o número de mortos pelo terremoto que atingiu o país na tarde de terça supere 100 mil pessoas. O número equivale a mais de 1% da população do país da América Central.

O Comando do Exército confirmou a morte de 11 militares brasileiros no Haiti, vítimas do tremor de magnitude 7. O Brasil comanda uma missão de paz da Organização das Nações Unidas no país. Outra morte confirmada é a da fundadora da Pastoral da Criança, a médica Zilda Arns.

O abalo devastou a capital, Porto Príncipe, e afetou a estrutura de telecomunicações no país. As informações sobre vítimas e danos ainda são desencontradas.

Bellerive disse que, apesar de a capital ter ficado devastada, a população está se comportando "com calma".

"As pessoas estão se ajudando umas às outras, tentando se organizar", disse. Ele insistiu em que o país precisa de ajuda internacional para ajudar as vítimas e resgatar os cadáveres.

Ele disse que é necessário recuperar o aeroporto da capital, que precisa voltar a funcionar para receber cargas de ajuda humanitária e pessoal especializado.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, já embarcou rumo ao Haiti para monitorar a situação. Ele está acompanhado do comandante da Marinha, Almirante Júlio Soares de Moura Neto, o Comandante do Exército, General Enzo Martins Pery, o secretário executivo da Secretaria Especial de Direitos Humano, Rogério Sotilli, o senador Flávio Arns (PSDB-PR), sobrinho de Zilda Arns, além de representantes do Ministério da Saúde, do Ministério das Relações Exteriores e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O Itamaraty já anunciou que será enviada uma ajuda humanitária de mais de US$ 10 milhões. Além do dinheiro, o governo brasileiro também disponbilizará até sexta-feira (15) 28 toneladas de alimento. Segundo o ministério da Agricultura, serão enviados ao Haiti açúcar, leite em pó, sardinha e fiambre. Os alimentos irão para o Haiti em dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). O primeiro, com 14 toneladas, deve partir ainda nesta quarta-feira (13).

O ministério das Relações Exteriores também decidiu reforçar a embaixada brasileira em Santo Domingo, na República Dominicana, país vizinho ao Haiti. Segundo o Itamaraty, há no país 1.310 brasileiros - destes, 1.266 são militares das forças de paz.



Embaixador do Haiti na OEA diz haver dezenas de milhares de vítimas do tremor

O embaixador do Haiti na OEA (Organização dos Estados Americanos), Duly Brutus, afirmou nesta quarta-feira que há dezenas de milhares de vítimas e perdas materiais consideráveis, após o terremoto de 7 graus de magnitude que assolou o país, e pediu ajuda à comunidade internacional.

Não há números oficiais do governo haitiano sobre vítimas do terremoto, mas as autoridades já falam desde cedo em milhares de mortos e feridos.

"Nunca nosso país precisou tanto da ajuda da comunidade internacional", disse Brutus, em reunião do Conselho Permanente da OEA, que incluiu em sua ordem do dia a situação do Haiti, para estudar como ajudar o país.

Brutus disse ainda que o Haiti precisa "mais do que nunca da solidariedade de seus irmãos na região e da comunidade internacional".


"Em nome do governo lanço um chamado à comunidade internacional para que nos ajudem", disse Brutus, diante dos demais embaixadores do órgão.

O mais urgente, ressaltou, é salvar "milhares de pessoas ainda com vida e que estão sob os escombros", disse o embaixador, acrescentando que vários membros civis e militares do contingente das Nações Unidas estão desaparecidos.

A missão de paz da ONU no Haiti, conhecida como Minustah, tem sua sede no Hotel Christopher, na capital Porto Príncipe, onde a equipe administrativa trabalhava. O prédio desabou com o impacto do terremoto.

O subsecretário-geral para Operações de Paz da ONU, Alain Le Roy, disse nesta quarta-feira em entrevista a jornalistas que "menos de cinco corpos" foram resgatados dos escombros do prédio e outras cem pessoas continuam desaparecidas.

Mais cedo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também afirmou que o chefe civil da missão de paz, Hedi Annabi, e seu adjunto se encontram desaparecidos. Ele disse temer que o número de vítimas chegue a centenas.

A missão da ONU no país inclui 7.000 tropas mantenedoras da paz, 2.000 membros da polícia internacional, 490 funcionários civis, 1.200 civis locais e 200 voluntários, ainda segundo Le Roy.

O Brasil tem 1.266 militares na Força de Paz da ONU, a Minustah, dos quais 250 são da engenharia do Exército. Os militares já tiveram participação no socorro às vítimas dos furacões de 2004 e de 2008, que atingiram o Haiti.

A força foi trazida ao país depois de uma sangrenta rebelião em 2004, que seguiu décadas de violência e pobreza. A missão é liderada pelas tropas brasileiras.

Brasileiros

O Exército brasileiro divulgou na tarde desta quarta-feira um novo balanço no qual informa que onze militares brasileiros morreram no terremoto. Outros sete militares estão feridos e outros sete continuam desaparecidos, segundo comunicado do Exército. Há ainda mais uma vítima brasileira, a médica filantropa Zilda Arns.

O Exército informou ainda que quatro militares que estavam no quartel das Forças de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, a Minustah, localizado no Hotel Christopher, estão desaparecidos. Outros três militares estão sob os escombros do Ponto Forte 22, um sobrado de três andares, próximo ao bairro Cite Soleil, que desabou completamente.

Há ainda sete militares feridos que estão sendo tratados no Hospital da Minustah, gerenciado pelas forças argentinas da missão de paz. Alguns militares brasileiros foram retirados para a vizinha República Dominicana.

A lista de vítimas brasileiras inclui ainda a fundadora da Pastoral da Criança Zilda Arns. Ela estava no Haiti para uma missão humanitária e morreu durante o terremoto. Médica pediatra e sanitarista, Arns, 75, fundou e coordena a Pastoral da Criança no Brasil, órgão de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Estrangeiros

Três soldados jordanianos da missão de paz da ONU também morreram no terremoto e outros 21 ficaram feridos.

Eles foram identificados por uma fonte militar, citada pela agência de notícias France Presse, como os majores Atta Issa Hussein e Ashraf Ali Jayus e o cabo Raed Faraj Kal-Khawaldeh. A mesma fonte afirmou que nenhum dos 21 feridos corre risco de morte.

A imprensa estatal chinesa informou que pelo menos oito soldados chineses foram soterrados, e que outros dez estão desaparecidos.

A Cruz Vermelha anunciou ainda, em comunicado, que 59 de seus funcionários locais ainda estão desaparecidos. Os nove funcionários internacionais do grupo estão seguros.

Jornalistas da agência Associated Press descrevem danos graves e generalizados pelas ruas, onde sangue e corpos podem ser vistos. Segundo a agência, dezenas de milhares de pessoas estão desabrigadas. A rede de TV CNN informou que possui imagens de mortos pelas ruas da capital haitiana, mas que são muito fortes para exibição.

Danos

O terremoto de sete graus de magnitude atingiu o Haiti às 16h53 desta terça-feira (19h53 no horário de Brasília), a cerca de 16 km da capital haitiana, sendo considerado o mais forte no país em 200 anos.

As comunicações foram em grande parte interrompidas, tornando impossível obter um quadro completo sobre os danos, enquanto vários tremores que se seguiram ao grande sismo continuaram a assustar a população do país, onde muitas construções são precárias.

Segundo Ban, os prédios e a infraestrutura de Porto Príncipe, cidade mais atingida pelo tremor, sofreram danos extensos. Já os serviços básicos, incluindo água e eletricidade, estão a beira do colapso.

Em um país de construções precárias, mesmo prédios importantes como o palácio presidencial e a sede da missão da ONU não resistiram e sofreram sérios danos. Há relatos de casas que caíram de barrancos e de que 200 ficaram soterrados sob o hotel Cristopher. Repórteres e testemunhas relatam grande destruição e cenas sangrentas na capital, Porto Príncipe.





Fontes: G1- TV Globo - AP - R7 - FOLHA - REUTERS

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