Irã executa dois por participarem dos protestos da oposição

Irã exexuta jovens inocentes

O Irã executou nesta quinta-feira duas pessoas condenadas por participar dos protestos da oposição reformista iniciados em junho passado, após a contestada reeleição do presidente do país, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad.

Estas são as duas primeiras execuções confirmadas por relação com os protestos da oposição, que foi às ruas diversas vezes nos últimos sete meses, apesar de advertências e da repressão do regime.

Segundo Teerã, outros nove opositores aguardam o veredicto do Tribunal de Apelações.

Até o momento, mais de cem opositores foram julgados e o governo anunciou cinco sentenças de pena de morte e outros 80 a prisão por períodos de entre seis meses e 15 anos por envolvimento com os protestos.

Segundo a agência de notícias local Isna, Mohamad Reza Ali Zamani e Arash Rahmanipour foram enforcados no início da manhã em uma prisão da capital Teerã.

Os dois foram detidos durante os protestos por fraude na reeleição de Ahmadinejad, em 12 de junho do ano passado, que causou a pior crise política do Irã desde a fundação da República Islâmica, em 1979.

Os dois executados foram julgados e acusados, em outubro passado, como Mohareb (inimigo de Deus), um delito da jurisprudência islâmica que o Irã castiga com a pena de morte.

Ambos foram acusados de pertencer aos grupos de oposição Mujahedin Khalq e Assembleia do Reino do Povo, que o governo considera terrorista.

A advogada de Rahmanipour, Nasrin Sotudeh, disse à agência de notícias France Presse que ele foi detido dois meses antes dos protestos de junho. Ele teria sido obrigado a confessar sua participação diante de ameaças das autoridades contra sua família.

A advogada disse ainda estar chocada com a sua execução, já que nem ela, nem a família do condenado, receberam anúncio formal.

Com a imprensa controlada pelo Estado, os rumores que correm pela internet e pelas ruas do país indicam que as mobilizações vão se repetir no próximo 11 de fevereiro, data que marca o 31º aniversário do triunfo da Revolução que derrubou a monarquia do último xá da Pérsia, Mohamad Reza Pahlevi.

Distúrbios

O ultraconservador presidente foi reeleito em pleito do dia 12 de junho passado, com cerca de 63% dos votos contra 34% do principal candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi.

A votação foi seguida por semanas de fortes protestos da oposição por fraude. Os protestos, enfrentados com violência pela polícia e a milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, deixaram ao menos 20 mortos, dezenas de feridos e cerca de 2.000 presos.

A maioria deles já foram libertados, mas mais de 80 foram condenados à até 15 anos de prisão por participação nos protestos e na violência após o pleito, segundo o Judiciário. Cinco pessoas foram condenadas à morte.

A oposição chegou a denunciar abusos nos presídios contra os opositores, mas a acusação foi rejeitada por Teerã

O Conselho dos Guardiães do Irã, órgão responsável por ratificar o resultado do pleito, aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos para acalmar a oposição, mas confirmou a reeleição de Ahmadinejad depois de afirmar que a fraude em cerca de 3 milhões de votos não era suficiente para mudar o resultado das urnas.

Fontes: FOLHA - Agências

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