Estado frágil dificulta socorro às vítimas da tragédia no Haiti

Mais de 48 horas após o desastre, dezenas de milhares de pessoas clamavam por comida e água e ajuda para resgatar parentes desaparecidos sob os escombros.


Haitiano sentado em área destruida pelo terremoto que devastou Porto Príncipe; saques ameaçam segurança

Dois dias após o terremoto no Haiti, Porto Príncipe ainda não começou a reagir à tragédia que arrasou a capital mais pobre das Américas, informa a reportagem dos enviados especiais a Porto Príncipe, Fabiano Maisonnave e Caio Guatelli, publicada nesta sexta-feira na Folha.

A Folha percorreu a cidade de carro ontem e encontrou centenas de corpos em decomposição acumulados, casas destruídas e sobreviventes sob os escombros, em meio à ausência quase completa do Estado.

De acordo com a reportagem, serviços de resgate praticamente inexistem. Em prédios como o da Universidade GOC, era possível ver salas repletas de corpos misturados a cadeiras escolares. Há acampamentos de refugiados em vários pontos da cidade; faltam água e combustível por toda parte.

No único local em que havia uma escavadeira, no bairro Delmas 17, um funcionário do Ministério de Obras praticamente não conseguia trabalhar devido às dezenas de pessoas que tentavam recuperar comida e bebida do pequeno centro comercial parcialmente tombado.

Num dado momento, o operador da escavadeira desceu da máquina e, com um grande pau na mão, tentava intimidar os saqueadores. Não conseguiu. Irritado, voltou à máquina e lançou a pá da escavadeira em direção a eles, que só assim deixaram o buraco de onde tiravam principalmente garrafas de refrigerante. Por pouco, não foram atingidos, relatam os enviados especiais

A partir de observações de campo, a Cruz Vermelha estimou em 45 mil a 50 mil os mortos no tremor de terça. Segundo a ONU, porém, a avaliação de que as vítimas podem ter chegado a 100 mil é "coerente".




Pessoas caminham pelas ruas de Porto Príncipe em meio a imóveis devastados por forte terremoto na terça-feira /Logan Abassi/Efe/ONU


Ajuda

Mais de 48 horas após o desastre, dezenas de milhares de pessoas clamavam por comida e água e ajuda para resgatar parentes desaparecidos sob os escombros.

O terremoto destruiu construções, desde o palácio presidencial e a sede da missão das Nações Unidas, até um número incalculável de casas, muitas pessoas ainda estão presas vivas sob os escombros, com poucos sinais de esforços organizados de resgate.

"Nós já enterramos 7.000 em uma vala comum", disse o presidente René Preval.

Aviões cheios de mantimentos chegaram ao aeroporto de Porto Príncipe mais rapidamente do que as tripulações conseguem descarregá-los e as autoridades da aviação restringiram os voos não emergenciais.

No entanto, o afluxo de ajuda ainda não chegou aos haitianos que vagavam pelas ruas devastadas de Porto Príncipe, desesperadamente à procura de água, comida e ajuda médica.

Trabalhadores de socorro advertiram que o número de mortos aumentará rapidamente se dezenas de milhares de haitianos feridos, muitos com os ossos quebrados e grave perda de sangue, não receberem logo os primeiros socorros.


Fonte: FOLHA

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