Em cerimônia, Lula lembra 'bravura' de militares brasileiros mortos no Haiti

18 corpos estão sendo velados na Base Aérea de Brasília. Presidente citou e agradeceu cada um dos militares mortos.




Em clima de comoção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta quinta-feira (21) na homenagem aos soldados brasileiros mortos no Haiti pelo terremoto que atingiu o país no último dia 12.

Ele lembrou a coragem dos militares que fizeram parte da Missão de Estabilização das Nações Unidas no país, chamando-os de "bravos soldados do Exército Brasileiro". Durante a cerimônia de honras fúnebres, na Base Aérea de Brasília, o presidente citou e agradeceu a cada um dos 18 mortos.





De acordo com o presidente, os soldados fizeram parte da “mais nobre missão humanitária já efetivada pelas nossas Forças Armadas.” Segundo Lula, os militares foram ao Haiti “levando a seguinte mensagem: vocês não estão sozinhos. Viemos aqui [ao país da América Central], em nome do Brasil, e trazemos segurança para suas famílias, trazemos paz, trazemos remédios, solidariedade e, acima de tudo, respeito.”




O velório começou às 16h. Ao lado da primeira-dama, Marísa Letícia, Lula prestou condolências e abraçou aos parentes das vítimas presentes à cerimônia. Estavam presente à cerimônia 59 familiares dos soldados mortos. "Meu irmão gostava do que fazia e tinha muito orgulho de vestir a farda. Gostava de ajudar ao próximo e, às vezes, enchia os bolsos do colete com chocolate para distribuir às crianças no Haiti. Era o último serviço dele depois de seis meses. No Haiti, nesse período, ele aprendeu a valorizar a vida. A imagem que nos resta dele é de alegria", afirmou Jonatan Pedrotti, irmão do Cabo Douglas Pedrotti Neckel.

Os caixões estão em um espaço isolado no hangar onde acontece o velório, cobertos pela bandeira do Brasil e com fotos indentificando cada soldado. Estão presentes, além de Lula, o vice José Alencar, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Os militares mortos vão receber a Medalha do Pacificador com Palma post mortem e a promoção post mortem, segundo o Exército.

A condecoração, de acordo com o Exército, é concedida aos militares que, em tempo de paz, tenham se distinguido por “atos pessoais de abnegação, coragem e bravura, com risco de vida” no exercício de suas funções ou no cumprimento de missões. Eles também estão sendo promovidos ao posto imediatamente superior.

Após o velório, os corpos irão para São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, para serem enterrados. O corpo do major Francisco Adolfo Vianna Martins Filho será enterrado em Brasília.


Mortos

No total, 21 brasileiros morreram durante o terremoto de magnitude 7, que devastou o Haiti no último dia 12. Foram 18 militares mortos e 3 civis, entre eles o diplomata Luiz Carlos da Costa, número dois da missão das Nações Unidas no Haiti, e a fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns.

Governo estuda indenização a famílias de militares mortos no Haiti

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou nesta quinta-feira (21) que as famílias dos militares brasileiros que morreram depois que um terremoto de magnitude 7 atingiu o Haiti no último dia 12 devem receber indenização do governo.

Segundo ele, ainda não há valores definidos e o presidente ainda estuda como garantir uma pensão aos filhos dos militares até determinada idade. “O presidente deve encaminhar ao Congresso um projeto de lei para autorizar uma indenização às famílias dos militares brasileiros que morreram no Haiti”, revelou.

Lula e todos seus ministros seguiram logo após a reunião ministerial para a base aérea pata acompanhar a cerimônia de honras fúnebres aos 18 militares que estavam no Haiti.

Medida provisória

O ministro de Relações Institucionais também disse nesta quinta que ficou decidido na reunião ministerial a edição de uma ampla medida provisória que abrirá crédito extraordinário para vários ministérios. Os recursos serão aplicados na ajuda humanitária e na reconstrução do Haiti, em obras de emergência em regiões atingidas por intempéries no Brasil, no reforço de caixa aos municípios que perderam arrecadação com o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), e na manutenção de militares brasileiros no Haiti.

Segundo Padilha, o presidente pediu ao Ministério da Saúde que execute projetos para construção de dez Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no Haiti. Para isso, a MP abrirá crédito extraordinário na pasta de R$ 135 milhões.

O Ministério da Defesa será beneficiado com R$ 205 milhões por meio da medida provisória. Esses recursos serão usados para manter o as tropas brasileiras no Haiti e o reforço de contingente que deve ser enviado ao país da América Central nas próximas semanas.

Essa mesma MP abrirá crédito de R$ 35 milhões para o Ministério das Relações Exteriores. Desse total, o equivalente a US$ 15 milhões será doado ao Haiti a título de ajuda humanitária.

O governo também decidiu compensar as perdas das prefeituras com o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) com R$ 500 milhões. O ministro não detalhou como será feita a distribuição dessa compensação.

Padilha disse ainda que nessa mesma medida provisória o governo vai disponibilizar recursos para os estados e municípios atingidos por catástrofes naturais. Contudo, o ministro afirmou que esse valor ainda não está fechado pelos ministérios da Integração Nacional e das Cidades, o que deve ocorrer ainda nesta quinta-feira (21).


Fontes: G1/ Rafael Targino - TV Globo

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