Cheia de reservatórios garante água por até dois anos na região metropolitana de São Paulo

Superintendente da Companhia de Abastecimento diz que não faltará água até 2012


Represa do Jaguari, que faz parte do sistema Cantareira, está cheia/ Nilton Cardin/AE

As chuvas que atingem parte do país e em especial São Paulo desde dezembro do ano passado, provocaram 44 mortes e destruições, como em São Luís do Paraitinga (182 km de São Paulo). Os temporais também deixaram os reservatórios cheios. Esses grandes piscinões têm o nível monitorado constantemente pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Em caso de cheia, a Sabesp aciona a Defesa Civil do Estado que, por sua vez, avisa as prefeituras para tomar medidas urgentes como retirar pessoas de suas casas e colocá-las em abrigos.

O “efeito colateral” dessa situação é que o período de estiagem no Sudeste – de abril a setembro, quando as chuvas ficam escassas e os reservatórios tendem a reduzir o seu volume e, em alguns casos, chega a faltar água na torneira de muita gente – não mete medo nas autoridades do Estado, em especial à Sabesp, segundo o superintendente de produção de água da região metropolitana da empresa, Hélio Luiz Castro. Ele diz que os reservatórios devem garantir água para os próximos dois anos.

- Não vai faltar água de jeito nenhum.

A região metropolitana de São Paulo, formada pela capital do Estado e outras 38 cidades, abriga cerca de 20 milhões de pessoas. Toda essa gente é abastecida por seis sistemas de água (Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Alto Cotia, Rio Grande e Rio Claro).

O mais importante é o Cantareira. Sozinho, ele abastece cerca de 13 milhões de pessoas no Estado, sendo nove na região metropolitana e 4,5 milhões na região de Campinas (98 km de São Paulo). Suas represas estão cheias e ele operava na última quinta-feira (13) com 97,4% de sua capacidade, muito acima da média registrada nessa época do ano, de 60%.

A situação levou a Sabesp a realizar um mapeamento das chamadas áreas de risco, locais que podem alagar numa eventual necessidade de a empresa descarregar a água excedente do reservatório (abrir as comportas). O trabalho foi realizado em setembro de 2009 e seu resultado foi passado para a Defesa Civil Estadual. Por sua vez, o órgão encaminhou o mapeamento às defesas civis das cidades monitoradas para que elas providenciassem planos para a retirada das pessoas em caso de cheias.

O R7 pediu à Sabesp os resultados desse mapeamento. A empresa informou que apenas a Defesa Civil Estadual poderia fornecê-lo, o que não o fez até por volta das 20h da última quinta-feira (13).

As chuvas deste ano estão atípicas, segundo o superintendente da Sabesp. Um dos exemplos é o da represa Jaguari, existente desde 1983 em Vargem (98 km de SP). Os equipamentos que medem a quantidade de água da chuva foram instalados no local muito antes da criação da represa, em meados de 1930. Eles registraram em dezembro 493 milímetros, recorde no decorrer desses 70 anos. Até então, o maior volume de água de chuva aferido num mês foi registrado em dezembro de 2005, que teve 215 milímetros. Devido a isso, foi necessário abrir as comportas da represa, que provocou transtornos em algumas cidades da região.

Contradição – Piracaia, distante 88 km de São Paulo, vive uma contradição. A cidade está na rota do rio Cachoeira, que corta a cidade. Devido à cheia do reservatório Cachoeira, o segundo do sistema Cantareira, existe o risco de cerca de 500 famílias (quase 10% de todos os habitantes da cidade) que moram no Jardim Santo Afonso terem de sair de suas casas e ocuparem escolas e outros locais improvisados em caso de uma eventual abertura das comportas para descarregar o excesso das águas armazenadas.

O planejamento e reserva de colchões e locais como escolas já estão feito desde dezembro, segundo contou ao R7 a prefeita Fabiane Santiago (PV). Por outro lado, ela afirmou que por um bom período o município não enfrentará racionamento de água, situação vivida algumas vezes no decorrer de 2002 a 2008.

Outro local que corre o risco de ser inundado em caso de abertura de comportas de represa é o bairro Rio Acima, na cidade de Vargem, próxima à represa Jaguari e local onde moram cerca de 1.000 pessoas. O secretário de Meio Ambiente da cidade, Alexandre de Souza Morais, afirmou que a prefeitura irá recuperar um prédio para abrigar eventuais desabrigados de uma eventual abertura de comportas da represa.

Fonte: R7

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