Ban pede ao Conselho de Segurança da ONU mais tropas de paz no Haiti

 Minustah poderá ter mandato prolongado em 6 meses

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fala após reunião com Conselho de Segurança/Justin Lane/Efe

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, defendeu hoje, em reunião do Conselho de Segurança realizada a portas fechadas, um aumento no número de militares em missão de paz no Haiti, após o forte terremoto do último dia 12, que deixou a capital Porto Príncipe virtualmente arrasada e milhares de pessoas, mortas.

Na saída da reunião, Ban contou a jornalistas que, além de defender a presença de mais "capacetes azuis" no país, defendeu ainda que o mandato da missão de paz --a chamada Minustah, que é militarmente liderada pelo Brasil-- seja prolongado em seis meses.

No Rio de Janeiro, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, confirmou a crença da ONU na necessidade de elevar a presença das tropas no Haiti. Segundo o chanceler, a ONU gostaria de deslocar ao menos mais 1.100 homens para o país, "algo em torno de 800 militares e 300 ou 400 policiais". "É a necessidade imediata que está sendo comentada", afirmou, sem definir se esses militares e policiais seriam brasileiros.

Antes do tremor, a Minustah conta com cerca de 7.000 militares, sendo 1.266 brasileiros. Dos brasileiros, ao menos 16 morreram e dois desapareceram no desabamento, no terremoto, da sede da ONU em Porto Príncipe. Há mais dois nomes na lista de brasileiros mortos na tragédia, os da médica Zilda Arns e do chefe-adjunto civil da missão da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa.

Nesta segunda-feira, um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) decolou rumo ao Haiti com 14,5 toneladas de ajuda humanitária para socorrer as vítimas do terremoto do dia 12 último. O avião, um Boeing 707, decolou do Rio e está previsto que aterrisse amanhã (19) em Porto Príncipe, para descarregar equipamentos médicos, remédios, água e alimentos. Desde que o Haiti foi abalado pelo devastador terremoto, o Brasil enviou 100 toneladas de ajuda humanitária, incluindo esta última carga.

O governo brasileiro ainda destacou cerca 150 pessoas, entre militares, médicos e especialistas em resgates, para ajudar as vítimas da tragédia.

O terremoto aconteceu às 16h53 do último dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país, que ficou virtualmente devastada. O Palácio Nacional e a maioria dos prédios oficiais desabaram. O mesmo aconteceu na sede da missão de paz da ONU no país, a Minustah, liderada militarmente pelo Brasil.

Ainda não há um dado preciso do total de mortos. A Organização Pan-Americana de Saúde, ligada à ONU, afirma que podem ter morrido cerca de 100 mil pessoas. Já a Cruz Vermelha estima o número de mortos entre 45 mil e 50 mil. O governo do Haiti já chegou a estimar em 200 mil o número de mortos. Cerca de 70 mil corpos já foram enterrados em valas comuns desde o terremoto, disse neste domingo o secretário de Alfabetização local, Carol Joseph.

Fontes: FOLHA - Agências

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