Polícia prende quase mil manifestantes em conferência global sobre clima

Dezenas de milhares se manifestaram neste sábado na capital dinamarquesa para exigir dos líderes mundiais um acordo mais ambicioso para a proteção do clima.


Milhares de manifestantes e policiais se enfrentaram na rua principal de Copenhague durante reunião das Nações Unidas/Jens Dresling/AP

As ruas de Copenhague foram palco de confrontos com a polícia, que revelou ter detido 986 pessoas nas proximidades do Bella Center, centro de convenções que sedia a conferência das Nações Unidas. Lá dentro, as negociações esbarraram nos interesses divergentes entre países em desenvolvimento e as nações ricas.

Hoje foi o dia dos protestos de maior vulto, que reuniram 40 mil pessoas, segundo a polícia, ou 100 mil, de acordo com os organizadores dessas manifestações.

"Não há um planeta B" e "Mude a política, não o clima" eram algumas das faixas carregadas por manifestantes na capital dinamarquesa. Alguns ativistas estavam vestidos de urso polar e pinguins com placas dizendo: "Salvem os humanos!"

Um boneco de neve inflável gigantesco foi usado para protestar contra a ameaça causada pela queima de combustíveis fósseis que o painel de cientistas do clima da ONU afirma irá trazer desertificação, enchentes, ondas de calor e elevação do nível do mar.

O protesto foi feito em clima de carnaval, mas tropas de choque prenderam centenas após vidros terem sido quebrados com o lançamento de garrafas. Os manifestantes foram forçados a sentar no chão e tiveram as mãos amarradas.

Dentro do Bella Center, representantes do Japão, União Europeia e Austrália se uniram à delegação dos EUA para criticar uma proposta de acordo global em que as nações em desenvolvidas deveriam reduzir suas emissões poluentes, mas apenas com suporte financeiro. As nações ricas querem cobrar o corte dessas emissões, mesmo sem ajuda externa.

Os delegados afirmaram ter avançado em algumas frentes, mas as principais decisões sobre cortes de emissões e financiamento para países em desenvolvimento devem esperar até a chegada dos líderes para a cúpula.

"Nós conseguimos um progresso considerável nesta semana", disse a ministra dinamarquesa do clima, Connie Hedegaard, que presidiu as negociações.

Os delegados afirmaram que negociadores haviam avançado na elaboração de alguns textos como os que definem novas tecnologias verdes, como energia eólica e solar, que podem ser fornecidas a nações em desenvolvimento e também sobre a promoção do uso de florestas para sequestrar gases de efeito estufa.

Leia também: Aquecimento global durará mil anos

Fontes: FOLHA - AP - Reuters

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