Oposição vai lutar por uma constituinte
Um dia depois que o Congresso de Honduras rejeitou o retorno do presidente deposto ao poder, a Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado deu por encerrada nesta quinta-feira a luta pela restituição ao poder de Manuel Zelaya, afirmando que vai continuar a lutar por uma Assembleia Nacional Constituinte.
O movimento, que desde a deposição de Zelaya, em 28 de junho, manteve uma mobilização popular, se reuniu nesta quinta-feira em uma assembleia. Nela, decidiu não marchar por Tegucigalpa, como vinha fazendo com frequência, e convocou uma nova reunião para o fim de semana, quando vai definir a estratégia que seguirá a partir de agora.
"Fechamos o capítulo da restituição do presidente Zelaya, que não aconteceu", disse Juan Barahona, coordenador da Frente Nacional, depois que o Congresso, por ampla maioria, decidiu manter o presidente deposto fora do cargo.
Barahona admitiu que, embora esperada, a decisão do Congresso foi uma decepção para o movimento. Ele explicou ainda que não houve passeata nas ruas porque o movimento já havia pressentido que "um resultado negativo no Congresso ia desanimar o povo".
Para o ativista, "resta muito pouco a fazer", já que "faltam apenas dois meses" para o fim do mandato de Zelaya, que termina em 27 de janeiro. Depois desta data, quem assumirá a Presidência é Porfirio Lobo, do opositor Partido Nacional e vencedor das eleições do último domingo.
Segundo o site da TV estatal venezuelana Telesur, o líder da Frente disse que a "logística de mobilização" criada nos cinco meses desde a deposição de Zelaya deve ser aproveitada, e os esforços canalizados em uma próxima eleição.
"Nós ainda não definimos como, se como um partido, o movimento, ou como uma frente ampla", disse Barahona.
A maioria dos países da comunidade internacional, no entanto, decidiu não reconhecer o pleito, por considerar que ele foi realizado em um momento de ruptura constitucional.
"Agora a luta é pela Constituinte" e pela chegada da Frente Nacional ao poder, explicou Barahona.
Lobo, por sua vez, pediu a Zelaya e ao presidente interino, Roberto Micheletti, que formem um governo de união nacional, em cumprimento ao Acordo de Tegucigalpa-San José. O objetivo desta medida seria destravar as relações e a ajuda internacional.
O chefe de Estado recém-eleito declarou à imprensa que não é suficiente o Parlamento cumprir apenas um dos pontos do pacto para solucionar a crise política em Honduras, que seria aquele relativo à restituição de Zelaya ao poder. Para Lobo, é preciso completar os restantes.
"Refiro-me ao governo de reconciliação que deveria ter sido constituído em 5 de novembro, que está pendente e que é preciso instituir, assim como a Comissão da Verdade", destacou.
Zelaya não reconhece o acordo, que, segundo seu argumento, foi quebrado pelo Executivo de Micheletti quando este não determinou sua restituição ao poder antes de 5 de novembro, quando o presidente interino anunciou que formaria unilateralmente o governo de unidade.
Diante dessa situação, o chefe de Estado eleito destacou que "o acordo nunca disse quem lideraria" o Governo de reconciliação e que, após a decisão do Parlamento sobre Zelaya, é necessário que "as partes se sentem e cumpram todo o pacto".
Lobo também disse hoje que vários países o parabenizaram pela vitória nas eleições. Mas ressaltou que muitos deles lembraram, em "uma mensagem muito clara", que é preciso cumprir integralmente o acordo para a normalização das relações diplomáticas e a retomada da ajuda a Honduras.
Depois da deposição de Zelaya, em junho, a comunidade internacional cortou seus programas de ajuda a Honduras e decidiu não reconhecer o governo interino.
Micheletti, por sua vez, pediu "à população do mundo inteiro que foi contra [o seu governo] que faça uma reflexão", pois os hondurenhos querem "viver democraticamente, sem imposições de natureza alguma", e escolher suas autoridades, "como aconteceu no domingo".
Segundo Micheletti, com a recente eleição, os hondurenhos disseram ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado de Zelaya, que ele "é um transtornado que não tem capacidade para impor absolutamente nada".
Fonte: FOLHA
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