Sebastian Piñera deverá vencer eleições
O multimilionário empresário e político conservador Sebastián Piñera é o favorito para ganhar as eleições presidenciais de domingo no Chile. Contudo, segundo as pesquisas, ele não evitaria um segundo turno, previsto para 17 de janeiro.
Piñera vai provavelmente enfrentar o candidato do governo, Eduardo Frei, no segundo turno.
Caso saia vencedor, o empresário será o primeiro presidente de direita eleito no Chile em meio século e porá fim a décadas de governos da coalizão de centro-esquerda Concertação.
Piñera, com 60 anos, atua em áreas como transporte aéreo e televisão. A revista Forbes o coloca entre os mil homens mais ricos do mundo. Ele ingressou na política em 1989, quando foi eleito senador por Santiago.
O principal adversário do empresário, Eduardo Frei, foi presidente do Chile entre 1994 e 2000. Com 67 anos, o engenheiro e empresário é filho do carismático ex-presidente Eduardo Frei Montalva que, de acordo com as últimas investigações, foi assassinado durante a ditadura no país.
Homossexuais
Os candidatos à Presidência do Chile buscam votos das minorias sexuais, em um reflexo da mudança cultural no país. Embora Piñera e Frei --que são católicos-- tenham declarado que o casamento é a união entre um homem e uma mulher, ambos se mostraram dispostos a regulamentar as uniões de pessoas do mesmo sexo nas questões de herança e dos benefícios de saúde.
Um terceiro candidato que aparece mais atrás nas pesquisas, o independente de esquerda Marco Enríquez-Ominami, também é partidário dos pactos de união civil. "Nessas questões a sociedade chilena avança mais que a política, que os meios de comunicação e as instituições", disse o advogado e jornalista Héctor Soto, colunista do diário chileno "La Tercera".
Conflitos indígenas
A intensificação do conflito indígena na região de Araucanía, no centro-sul do Chile, no entanto, se converteu em tema da campanha e expôs as limitações da política indígena da Concertação.
O conflito por terras envolve os mapuches, a principal etnia indígena chilena, que soma 600 mil pessoas (3,5% da população). Opõe indígenas a grandes agricultores e empresas de exploração mineral e florestal na região de Araucanía, a mais pobre do país, que concentra os mapuches da área rural.
O problema costuma aumentar em anos eleitorais e de crise econômica, como 2009. De janeiro até o fim de julho houve 37 atos de violência de grupos indígenas locais, como tomada de terrenos e incêndios, ante 23 no mesmo período de 2008.
Em agosto, a tensão cresceu após a morte de um mapuche pela polícia em reintegração de posse. A agitação se somou à ameaça do governo da esquerdista moderada Michelle Bachelet de usar a lei antiterror da ditadura contra quatro mapuches acusados de vandalismo.
A disputa envolve direitos sobrepostos e remete à constituição da propriedade privada na região, há 120 anos. Agricultores se instalaram e adquiriram direitos sobre terras que, em muitos casos, eram áreas indígenas com direitos constituídos pela Coroa espanhola.
Frei disse, ao visitar a região, que o conflito "não se reduz à compra de terras" e propôs investir em educação e em infraestrutura.
Fonte: FOLHA
Nenhum comentário:
Postar um comentário