Lula tenta persuadir líderes para cúpula em Copenhague

O presidente Luiz Inácio Lula de Silva vai pedir aos líderes mundiais para que vão à cúpula em Copenhague sobre mudança climática, a fim de superar a estagnação nas negociações.


Lula e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, em encontro que ocorreu na quarta; brasileiro diz que vai falar com líderes mundiais/Daniel Deme- AP

Lula fez estas afirmações em entrevista ao jornal "Financial Times" nesta sexta-feira (6), na qual disse que falará com Obama na próxima semana para que viaje a Copenhague de 16 a 17 de dezembro, últimos dias da cúpula, a fim de evitar o fracasso da reunião.

"Talvez não cheguemos a um acordo devido à deficiência da liderança global. As discussões foram encarregadas aos assessores, mas é melhor que os que digam sim ou não sejam os primeiros-ministros e os presidentes", disse.



Lula mencionou o presidente da China, Hu Jintao, e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, como participantes importantes --e, como informou a Folha ontem, acrescentou que ele próprio comparecerá se outros líderes fizerem o mesmo.

O presidente também pediu aos países mais ricos que comprometam mais recursos para ajudar as nações mais pobres a reduzir as emissões poluentes.

O jornal especifica que este pedido, vindo do presidente de um país que cresceu muito nos últimos anos, representa uma pressão sobre outros líderes mundiais para que vão a Copenhague.

O representante americano em matéria de mudança climática, Todd Stern, disse que Obama assistirá à cúpula se houver a possibilidade de um acordo.

Na última reunião formal antes da cúpula em Copenhague, realizada em Barcelona (Espanha), a ONU e os países desenvolvidos colocaram ontem a perspectiva de que as negociações continuarão até o final de 2010.

Brasil apresentará "meta forte" em Copenhague, diz Minc

Apesar de o governo não conseguir ainda chegar a um consenso, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) garantiu que o Brasil apresentará uma "meta forte" de redução nas emissões de gases de efeito estufa na Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, em dezembro.

Ontem, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) chegou a dizer que estabelecer um número não é o principal objetivo do governo.

"O Brasil vai ter uma meta forte, e não apenas a queda do desmatamento de 80%, que significa a redução de 20% das emissões brasileiras em 2020, mas também com a redução significativa em outros setores como agropecuária, siderurgia e desmatamento em outros biomas", afirmou Minc nesta quarta-feira (4).

De acordo com o ministro, a demora no estabelecimento de uma meta não implica em um "recuo" do governo e o novo número será divulgado no dia 14, após decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Dados virão, eles serão fortes e o Brasil será, ente os países em desenvolvimento, o que terá a proposta mais forte", completou.

Al Gore defende autonomia brasileira na preservação da Amazônia

O ex-vice-presidente americano Al Gore defendeu nesta terça-feira em São Paulo a autonomia brasileira para estabelecer mecanismos de preservação da Amazônia e elogiou a produção de etanol no país, usando cana-de-açúcar como matéria-prima.

Durante sua participação em um seminário na Fiesp (Federação de Indústrias do Estado de São Paulo), Gore manifestou que a decisão sobre a conservação da Amazônia "é do Brasil".

O Prêmio Nobel da Paz em 2007 comentou que há 20 anos visitou a Amazônia e compartilhou a visão dos nativos em defender a biodiversidade diante da exploração dos recursos da região.

Reconheceu que seu país emite mais gases que provocam o efeito estufa, mas lembrou que o desmatamento em nações como o Brasil e Indonésia também contribuem para as mudanças climáticas provocadas pelo homem.

O líder ambientalista pediu também a conservação do solo e que se evite sua exploração indiscriminada mediante incentivos de preservação para as comunidades que habitam regiões como a Amazônia.

Gore, que recebeu a Ordem do Mérito Industrial da Fiesp, felicitou os brasileiros pela escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Fontes: FOLHA/LORENNA RODRIGUES - Efe

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