Honduras prepara eleição, e Zelaya fica mais sozinho do que nunca

A Solidão do presidente deposto

Manuel Zelaya, o presidente de Honduras derrubado do poder por um golpe de Estado em 28 de junho e que voltou a Tegucigalpa, de surpresa, há mais de dois meses para se refugiar na embaixada do Brasil, parece mais sozinho do que nunca antes da eleição presidencial deste domingo.

O homem de chapéu texano mantém, no entanto, a sua popularidade entre uma parte dos hondurenhos que se sentia excluída da cena política deste pequeno país da América Central, dominada por um grupo de famílias. "Estou num estado de espírito sólido", declarou Zelaya à agência de notícias France Presse por telefone. "Vou defender meu mandato, não estou disposto a negociar meu cargo", acrescentou.

No entanto , segundo o analista político Juan Ramon Martinez, o presidente destituído não conseguiu a volta. "Ele está sozinho, ele se tornou uma figura política patética", comentou.

O Congresso deve se pronunciar nesta quarta-feira (2) sobre um retorno eventual ao poder de Zelaya até o fim de seu mandato, em 27 de janeiro.


Deposto, Zelaya continua refugiado em embaixada brasileira; ele se esforça para negar legitimidade de eleição/ Esteban Felix/AP

Mas um voto positivo dos deputados está longe de ser certo. Zelaya tem apoio de apenas 26 deputados de sua formação, o Partido Liberal (PL, direita), em razão de sua guinada para a esquerda em 2008. O Partido Nacional (PN, direita), do favorito à presidencial, Porfirio Lobo, detém 55 cadeiras, o que o coloca em posição chave.

"O PN não terá de pagar preço político muito caro caso decida se pronunciar pela volta de Zelaya", segundo o analista Efrain Diaz Arrivillaga. "A solução depende do resultado da eleição", disse. Para Martinez, em contrapartida, Zelaya só tem que escolher entre pedir asilo político ao Brasil ou se entregar à Justiça que o acusa de "alta traição".

O presidente havia sido detido e expulso em 28 de junho, dia em que havia organizado um referendo para preparar sua reeleição, contra pronunciamento da Suprema Corte. Ele voltou a Honduras em 21 de setembro, conseguindo atrair a atenção da mídia, e se trancou na embaixada do Brasil, cercada pelo Exército.

Antes, 300 partidários o esperavam do lado de fora da embaixada, mas agora eles não passam de 20. Mais decepcionante ainda, as autoridades golpistas conseguiram organizar a eleição presidencial com o apoio dos EUA, o parceiro histórico de Honduras. Zelaya, após ter tentado em vão o adiamento da votação, pediu o boicote.

"Esta é a primeira vez, não existe precedente na América Latina, que a ditadura organiza ela mesma sob a sua tutela, sem observadores da Organização dos Estados Americanos [OEA], um processo [eleitoral]. Lamento que os Estados Unidos apoiem isto", declarou.

O presidente destituído conseguiu mesmo assim uma vitória: a Venezuela, a Argentina e o Brasil anunciaram que não reconhecerão o resultado da eleição.

Fonte: FOLHA - France Presse / MARINA DE RUSSE

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