Governo quer evitar 'excesso de atração fatal' em relação ao Brasil, diz Mantega

Ministro se referiu à cobrança de IOF sobre investimentos estrangeiros. País deve ter crescimento anualizado acima de 8% no 3º trimestre.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira (5) que a preocupação do governo com a valorização do real tem o objetivo de evitar uma "exuberância irracional" no Brasil, referindo-se ao termo adotado pelo ex-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) Alan Greenspan.



Para o ministro, a criação de bolhas especulativas nos países emergentes pode ser evitada, desde que sejam tomadas as medidas necessárias. "Queremos impedir o excesso de atração fatal em relação ao Brasil", disse Mantega, ao participar de seminário sobre o Brasil em Londres, organizado pelos jornais Financial Times e Valor Econômico.

Em outubro, o governo anunciou a cobrança de alíquota de 2% de Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações feitas por investidores estrangeiros no Brasil, com o objetivo de conter a valorização do real.

Durante o evento, o ministro citou estudo do banco Goldman Sachs apontando que o real apresenta sobrevalorização de 50% em relação ao dólar e ao yuan. Sem essa sobrevalorização, a economia brasileira seria mais competitiva do que a da China, avalia.

"Queremos que venham os investimentos externos e os IPOs (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações), mas não queremos que se criem bolhas nos mercados de capitais", disse.

Mantega avaliou também que a perspectiva é de crescimento sustentável para a economia brasileira nos próximos anos, no patamar de 5% ao ano. "Estamos constituindo um forte mercado de massa no Brasil", afirmou.

No terceiro trimestre deste ano, o país deverá ter crescimento anualizado acima de 8%, disse ainda o ministro. Os dados serão revelados oficialmente na próxima semana. No segundo trimestre, a taxa anualizada de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 7,8%. "Estamos entre os três, quatro países que mais estão crescendo".


Economia sustentável

Mostra disso, conforme o ministro, é que está faltando aparelhos de TVs de LCD no País. "A população não quer mais aqueles aparelhos com tubos enormes e já se prepara para ver o Brasil ser campeão da Copa de 2014."

Conforme o ministro, os programas adotados pelo governo durante a crise permitirão ao país fechar o ano com crescimento de cerca de 1% do PIB. As medidas adotadas, como desonerações e redução de juros, tiveram impacto positivo de 3 pontos porcentuais no PIB brasileiro neste ano, calcula.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também presente ao evento, disse acreditar que o Brasil pode se tornar a quinta maior economia do mundo em 2016. Segundo ela, o objetivo é continuar crescendo juntamente com a redução das desigualdades sociais e respeitando a questão ambiental.

G20

O ministro também se referiu à reunião dos ministros de finanças do G20 que vai acontecer neste fim de semana na Escócia. O debate deve incluir a disparidade entre moedas controladas e flutuantes, afirmou Mantega.

Segundo ele, os ministros do G20 também devem decidir se os países deveriam seguir o exemplo brasileiro de impor uma taxação sobre o capital estrangeiro para brecar a especulação.


"Temos o perigo dos desequilíbrios", disse o ministro. "Precisamos decidir o que podemos fazer sobre isso porque temos países com moedas atreladas (a outras) e moedas flutuantes como a do Brasil".

Fonte: G1

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