Após 20 anos da queda do Muro, Berlim comemora hoje "festa da liberdade"


Montagem mostra a mesma esquina próxima ao que era o posto de controle Charlie em março de 1990 e em 2009

A Alemanha lembra nesta segunda-feira os exatos 20 anos de um de seus momentos mais marcantes: a queda do Muro de Berlim que dividiu não só o país, como o mundo da Guerra Fria, por 28 anos. Berlim promete comemorações durante todo o dia para o que chama de "festa da liberdade".



As celebrações lembram o momento clímax da lenta desintegração dos regimes comunistas da Europa Oriental, a reforma da União Soviética e a reunificação da Alemanha e do continente europeu.

A construção da barreira que dividia a capital alemã despontou na paisagem da cidade em apenas uma noite --do dia 12 para o dia 13 de agosto de 1961. O Muro foi resultado de um decreto aprovado pela Câmara do Povo da República Democrática Alemã (RDA) em 12 de agosto.

Inicialmente construída com arame farpado e blocos, a barreira foi substituída por uma série de muros de concreto que chegavam a cinco metros de altura e 120 km de extensão. A segurança era fortalecida por arame farpado, torres de vigilância, um campo minado e muitos guardas. A medida drástica foi uma reação à fuga de alemães do oeste que ameaçava a estabilidade da RDA, com a perda de cerca de 3 milhões de pessoas --a maioria trabalhadores qualificados e intelectuais.

Na noite de 9 de novembro de 1989, o mundo assistiu incrédulo o espetáculo de milhares de alemães orientais apertando as mãos dos compatriotas no Ocidente, após a inesperada abertura das passagens com o anúncio equivocado de um porta-voz mal informado.

Nesta segunda, a chanceler Angela Merkel, que cresceu na ex-Alemanha Oriental e cuja carreira política começou com a queda do Muro, receberá diplomatas e líderes mundiais na famosa festa no Portão de Brandemburgo.

Também são esperados líderes das antigas potências que ocuparam a cidade de Berlim dividida --como o primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, além dos presidentes francês e russo, Nicolas Sarkozy, e Dmitri Medvedev, respectivamente. Os Estados Unidos serão representados pela secretária de Estado Hillary Clinton. O Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso também confirmou presença.

Entre os ilustres convidados são esperados o último líder soviético Mikhail Gorbatchov, cujas reformas na então União Soviética ajudaram a encerrar a fronteira de 120 km de extensão que dividiu as duas Alemanhas.

Ainda haverá um concerto ao ar livre da orquestra da Staatsoper de Berlim, com o maestro argentino-israelense Daniel Barenboim.

As autoridades alemãs e estrangeiras discursarão diante de milhares de dominós de 2,50 metros de altura que vão cair por dois quilômetros para simbolizar a queda do Muro que dividiu Berlim por 28 anos desde 1961. O governo alemão divulgou ainda que haverá queima de fogos e shows, além de uma gigante corrente humana que irá marcar o antigo traçado do Muro.

A cidade espera a presença de 100 mil pessoas para as festividades da noite. Se a chuva der uma trégua na capital alemã, esperam-se mais visitantes do que 1999 --durante as comemorações dos dez anos da queda do Muro, quando apenas 30 mil dos 100 mil esperados enfrentaram a chuva e o frio para assistir a uma celebração sóbria, longe da alegria prometida.

Os hotéis, pelo menos, já estão tomados por hordas de turistas e jornalistas de todo o mundo.


Dominó gigante simboliza Muro de Berlim 20 anos após a queda

Peças de um dominó gigante serão derrubadas sucessivamente nesta segunda-feira, simbolizando a queda do muro de Berlim e encerrando as comemorações dos 20 anos do evento histórico, que acabou com a divisão da Alemanha e da Europa.

Com o ato simbólico, terão fim as celebrações pela data no Portão de Brandeburgo, onde a chanceler alemã, Angela Merkel, receberá estadistas para festejar a revolução pacífica que levou à queda da Cortina de Ferro e, menos de um ano depois, à reunificação da Alemanha.


Pessoas caminham ao lado de dominó gigante que simboliza os 20 anos da queda do Muro de Berlim

Milhares de turistas e órgãos de imprensa de todos os locais do mundo estarão em Berlim para participar da festa de aniversário, que supera amplamente a programação dos 10 anos.

A capacidade hoteleira está praticamente esgotada, e desde as primeiras horas de sábado (7) os pontos turísticos onde existem destroços do muro estão abarrotados de pessoas que querem registrar a presença no símbolo que lembra a divisão do país.

Os atos protocolares pela queda do Muro de Berlim começarão com uma recepção no Palácio de Bellevue pelo presidente da Alemanha, Horst Köhler, que receberá os convidados ao anoitecer no final de um corredor formado por soldados erguendo tochas acesas.

Entre os convidados especiais estarão os representantes das quatro potências aliadas ao término da Segunda Guerra Mundial (1939-1945): os presidentes da Rússia e França, Dmitri Medvedev e Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que está na cidade desde hoje.

Autoridades alemãs contam ainda com a presença de chefes de Estado e governo dos 27 países-membros da União Europeia, entre eles o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, que chegará a Berlim na companhia do colega polonês, Donald Tusk, após realizar uma reunião bilateral no balneário polonês de Sopot.

Todos eles estarão acompanhados também por importantes ativistas da revolução pacífica na RDA, se deslocarão em seguida ao Portão de Brandeburgo para assistir a um breve concerto da Staatskapelle de Berlim (orquestra mais antiga da cidade) e o coro da Staatsoper Unter den Linden sob a direção do argentino-israelense Daniel Barenboim.

Também atuarão brevemente o grupo clássico Adoro, o cantor Jon Bon Jovi, o grupo percussionista Stamping Feet, Paul van Dyk, que cantará o hino criado para a ocasião "We are one", e Christian Steinhäuser.

Dominó

Depois, todos os estadistas e convidados cruzarão unidos e simbolicamente o Portão de Brandeburgo para escutar os discursos de Merkel, do prefeito-governador de Berlim, Klaus Wowereit, e dos representantes das quatro potências aliadas.

O ato solene acabará com o simbólico dominó gigante estendido por 1,5 quilômetros ao longo do traçado do antigo Muro de Berlim, cujas peças foram pintadas por inúmeros artistas e estudantes para lembrar a queda da Cortina de Ferro e o fim da divisão de Berlim, da Alemanha e da Europa.

Os convidados às celebrações pelo aniversário da queda do Muro de Berlim serão recebidos em seguida para um jantar na Chancelaria Federal por Merkel e seu marido, o cientista Joachim Sauer. No começo da tarde, a chanceler alemã, acompanhada dos Prêmios Nobel da Paz Mikhail Gorbachev e Lech Wales, irá ao antigo posto fronteiriço interalemão da Bornholmer Strasse, para dar um passeio pelo antigo traçado do Muro.

Transformado em museu, o posto de fronteira da Bornholmer Strasse foi o primeiro a abrir os portões na noite de 9 de novembro de 1989, deixando passar milhares de cidadãos germânicos orientais ansiosos por conhecer o setor ocidental da cidade, onde estavam impedidos de entrar havia três décadas.

A atual chanceler alemã, que na época trabalhava como física em Berlim Oriental, cruzou naquela noite o Muro de Berlim por esse portal e, segundo relatou, celebrou com cerveja a queda do Muro na casa de desconhecidos no setor ocidental da cidade.

Após 20 anos, chanceler diz que unificação alemã ainda não é completa

Chanceler alemã, Angela Merkel (centro), assiste missa pelos 20 anos da queda do Muro de Berlim; cidade faz festa da liberdade/Fabrizio Bensch/Reuters

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou nesta segunda-feira que 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, a unidade da Alemanha ainda não foi alcançada completamente, especialmente na economia.

"A unidade alemã não foi alcançada ainda completamente porque entre o Leste e o Oeste continuam existindo diferenças estruturais", destacou a chanceler, em uma entrevista ao canal público de televisão ARD, no dia em que o país celebra o aniversário da queda do Muro, em 9 de novembro de 2009.

Em 20 anos, 1,3 trilhão de euros (cerca de R$ 3,35 trilhões) foram transferidos do Oeste para o Leste da Alemanha para financiar a modernização da antiga RDA.

Segundo o instituto de pesquisas IW, a riqueza da antiga Alemanha Oriental equivale atualmente a 70% na antiga Alemanha Ocidental, em termos de Produto Interno Bruto (PIB) por habitante, contra apenas 30% em 1991.

Por 40 anos, o lado oeste da Alemanha viveu sob um regime capitalista controlado por França, Inglaterra e Estados Unidos e injetado com cerca de US$ 3,3 bilhões do Plano Marshall --o plano de reconstrução europeia desenvolvido pelo então secretário de Estado americano, George Catlett Marshall, que apagou as marcas da guerra e construiu um país competitivo e desenvolvido.

Já o lado leste, viveu sob um regime socialista que priorizava a indústria pesada de exportação como forma de compensação aos danos causados pelos alemães à União Soviética, uma política que não priorizava a produção de bens de consumo e que negligenciava a infraestrutura já danificada da região.

"Devemos abordar o problema se queremos alcançar níveis de vida iguais no Leste e no Oeste", completou Merkel, recordando que o desemprego na antiga República Democrática da Alemanha (RDA) continua sendo duas vezes superior ao da antiga República Federal da Alemanha (RFA).

Merkel, que cresceu na Alemanha Oriental e entrou para a política depois da queda do Muro, reiterou que o "imposto de solidariedade" pago pelos alemães para financiar a reunificação "continua sendo necessário".

Festa da liberdade

Merkel participou na manhã desta segunda-feira da missa ecumênica na igreja de Gethsemane, junto ao presidente alemão, Horst Köhler, que deu início aos atos comemorativos pelos 20 anos da queda do Muro de Berlim.

Pouco depois da celebração, o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, visitou a Capela da Reconciliação junto ao antigo posto fronteiriço de Bernauer Strasse, onde foram acesas dúzias de velas em memória das pessoas que morreram ao tentar atravessar o Muro de Berlim para fugir para o lado ocidental.

No mesmo local também foi inaugurado um centro de informações sobre o Muro com imagens e vídeos sobre a estrutura.

Os atos para comemorar o 20º aniversário terminarão na noite desta segunda-feira com a "Festa da Liberdade" em frente ao Portão de Brandemburgo, à qual foram convidados diversos líderes de Estado e de Governo de todo o mundo.

A festa contará com a apresentação de bandas alemãs e internacionais, como a banda Bon Jovi ou o DJ Paul Van Dyck, entre outros.

O ato solene terminará com a derrubada de uma simbólica cadeia de peças gigantes de dominó de 1,5 quilômetros de comprimento ao longo do traçado do antigo Muro de Berlim, pintadas por diferentes artistas e estudantes para lembrar o fim da divisão da cidade, da Alemanha e da Europa.

Simultaneamente, milhares de pessoas formarão uma corrente humana de 33 quilômetros ao longo da antiga divisa entre os setores oriental e ocidental.

Fontes: FOLHA - Agências

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