Na cúpula do governo, há ministros que dizem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá suavizar a posição do Brasil em relação a Honduras. Ou seja: reconhecer o resultado das eleições gerais de hoje.
Após a forte manifestação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, de que o Brasil não acataria o resultado, auxiliares presidenciais entraram em campo. Tentam convencer Lula de que o país foi ao limite no apoio a Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, e que correrá o risco de ficar falando sozinho se insistir nesse caminho.
O problema político do recuo é que ele parecerá uma derrota brasileira. Em certa medida, será mesmo. Mas há derrotas e derrotas. Essa seria uma das quais o Brasil possa se orgulhar.
A gestão Lula defendeu um princípio fundamental: respeito à democracia. Hoje, parece fácil falar disso na América Latina. Mas basta olhar para os anos 60 e 70 para ver que não era assim. Os Estados Unidos apoiaram derrubadas de governos constitucionalmente eleitos, o assassinato de um presidente (Salvador Allende), cassações de políticos e a prisão e morte de milhares de militantes de esquerda.
O Brasil se conduziu bem até o momento. Agora, começa uma nova fase em Honduras. Até aliados de Zelaya aceitaram participar do pleito. Lula avalia os argumentos dos que pedem um recuo e os dos que sustentam a posição atual. Se acontecer, a mudança de atitude deverá vir em etapas.
Fonte: FOLHA/Kennedy Alencar
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