Bolsa perde dinheiro
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) registrou a saída líquida de estrangeiros de mais de R$ 1 bilhão na última terça-feira, primeiro dia de vigência da cobrança de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no investimento estrangeiro em renda variável, segundo dados da BM&FBovespa divulgados nesta quinta-feira.
As vendas de ações por não-residentes superaram as compras em R$ 1,262 bilhão.
Naquele pregão, o Ibovespa fechou em baixa de 2,88%, maior queda diária em quatro meses. Durante os negócios, a baixa chegou a ser de quase 5 por cento.
Com isso, o superavit estrangeiro na Bovespa em outubro até a última terça-feira caiu para R$ 3,757 bilhões, ao passo que o saldo líquido no ano até a mesma data cedeu a R$ 21,764 bilhões.
Fim da taxação
Nesta quinta-feira, o presidente da BM & F Bovespa, Edemir Pinto, pediu ao ministro Guido Mantega (Fazenda) que retire a cobrança de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no investimento estrangeiro em renda variável.
"Nosso pleito principal é que reverta essa taxação para o mercado de renda variável, para que possamos continuar tendo um mercado de capitais forte e que possa acompanhar o crescimento do país", afirmou Edemir após o encontro.
Na reunião, que durou mais de duas horas, o presidente da BM& F Bovespa apresentou outras sugestões para mitigar a entrada excessiva de dólares no país --que foi o motivo alegado pela Fazenda para elevar o tributo.
O executivo pediu que o governo permita que o investidor estrangeiro que aplica no mercado de derivativos e opções de ações possa apresentar fora do país as garantias exigidas na operação, o que evitaria a entrada de dólares no Brasil para esse fim. De acordo com ele, hoje há um estoque de US$ 8 bilhões em garantias depositas no Brasil, e parte deste dinheiro poderia ser transferido para o exterior.
Outra sugestão apresentada foi, caso o governo insista em taxar o investimento estrangeiro na Bolsa, é que isente as entradas para IPOs (ofertas iniciais de ações) e ofertas secundárias (venda de ações já lançadas). Segundo Edemir, o ministro foi receptivo às sugestões, mas não deu nenhum prazo para responder à BM& FBovespa.
"Há uma preocupação de transferência do mercado de ações [brasileiro] para o mercado de Nova York. Isso realmente é muito ruim", disse. "Acredito que ele [Mantega] realmente está com um volume de informações suficiente para tomar uma boa decisão".
Fonte: FOLHA
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