Em depoimento à Polícia Civil nesta segunda-feira, o comerciante Sandro Luiz Castellani, 40, --proprietário da loja de fogos de artifício que explodiu em Santo André (SP) na semana passada-- negou que fabricasse artefatos explosivos no local. Ele disse ainda que o acidente ocorreu enquanto manuseava uma antena sobre a loja. Para a polícia, o comerciante --que deve responder ao processo em liberdade-- foi "convincente".
"Tem pouquíssimos detalhes que não coincidem [nos depoimentos das testemunhas], mas explicáveis pela situação e tamanho da explosão. O Sandro foi convincente", afirmou o delegado Alberto Mesquita, do 3º DP de Santo André, que investiga o caso. Até a tarde de hoje, 18 testemunhas já haviam sido ouvidas pela polícia.
A explosão ocorreu na última quinta-feira (24), provocando duas mortes e deixando 12 feridos. Na ocasião, o Corpo de Bombeiros informou que havia indícios de que o acidente teria sido provocado pela pólvora armazenada, o que indicaria a existência de uma fábrica no local.
O empresário e a mulher se apresentaram hoje pela manhã à polícia. Eles estavam desaparecidos desde o dia do acidente. Ao deixar a delegacia, Castellani afirmou que estava traumatizado com a explosão, razão pela qual aguardou para se apresentar.
"Não imaginava que a quantidade de fogos [armazenada no local] pudesse provocar tamanha explosão", disse o comerciante, cujo depoimento durou cerca de uma hora e meia.
Ainda segundo Castellani, ele e um vizinho manuseavam uma antena em cima da loja quando a explosão ocorreu. Ela disse ter ficado desacordado por cerca de um minuto e, quando acordou, viu sua mãe sendo agredida por vizinhos que os culpavam pela explosão.
O empresário afirmou ainda que tem o documento emitido pelo Corpo de Bombeiros autorizando o comércio de fogos no local, e que a loja passava por inspeções frequentes. Porém, a Prefeitura de Santo André informou que o estabelecimento estava sem alvará desde o dia 14 deste mês.
Castellani deve ser indiciado por explosão na modalidade culposa (sem intenção). Entretanto, o delegado informou que ainda aguarda o laudo do IC (Instituto de Criminalística) para indiciá-lo --o laudo ficar pronto em até 30 dias. Mesquita disse ainda que só deverá decidir sobre a prisão temporária do comerciante somente após a conclusão do laudo.
Explosão
A explosão ocorreu por volta das 12h40, na rua Américo Guazzelli, destruindo quatro imóveis e causando as mortes de Ana Maria Martins, 58 --que trabalhava como faxineira no imóvel--, e de Denian Castellani de Sousa, 41, primo do proprietário do estabelecimento comercial.
Pelo menos 30 imóveis da região tiveram de ser isolados. Após a realização da perícia, 21 imóveis foram liberados e outros cinco permanecem interditados.
Explosão em loja de artifícios deixou dois mortos, 12 feridos e destruiu quatro casas em Santo André (SP)
Fonte: FOLHA/TATIANA SANTIAGO

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