Vergonha Nacional: Pais de jovem que morreu de nova gripe dizem que insistiram por exame

VERGONHA NACIONAL

Rapaz de 21 anos morreu no dia 11 de julho em Osasco, na Grande SP. Hospital diz que ele não se enquadrava como caso suspeito da nova gripe.



Os empresários Ivete Gomes de Andrade Esteves, de 47 anos, e Ramon Esteves Filho, de 50 anos, são pais do estudante Renan, de 21 anos, que morreu há duas semanas vítima da nova gripe em Osasco, na Grande São Paulo. Eles receberam o G1 no apartamento da família para falar sobre a perda do filho único. “Foram 21 anos de alegria, meu filho era só alegria”, disse a mãe.

O rapaz estudava em um cursinho na região da Avenida Paulista, em São Paulo. Ele pretendia cursar medicina. Segundo os pais, o estudante havia sido aprovado em uma faculdade em Brasília e esperava o resultado de outros vestibulares. No dia 27 de junho, começou a apresentar sintomas como febre alta, dor no corpo e tosse. Renan foi atendido no Hospital Sino-Brasileiro, de onde saiu com uma receita médica para tratamento de gripe comum. Dois dias depois, voltou ao hospital e recebeu indicação de novos remédios.

No dia 1º de julho, ao buscar atendimento novamente, foi feito o diagnóstico de pneumonia e Renan acabou internado. Ele morreu dez dias depois na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Em nenhum momento os médicos suspeitaram da nova gripe, segundo os pais. A doença foi confirmada em um exame feito após sua morte. “Assim que meu filho foi internado, nós, muito preocupados, pedimos que fosse feito o exame dessa gripe, mas ele [médico] disse que era descartado, que meu filho não tinha a doença”, conta Ivete.

A mãe diz que o estudante nunca teve problemas de saúde. “Meu filho nunca foi internado, nunca passou por um hospital, nunca quebrou um braço, uma perna”, afirmou. Os pais afirmam que insistiram pelo exame porque o jovem estudava na região da Avenida Paulista, onde circula um grande número de pessoas. Mas os médicos não atenderam aos pedidos. “Ele [médico] simplesmente mostrou o jaleco para mim e disse que sabia o que estava falando”, contou o pai.

Atendimento

O cardiologista Pablo Rodriguez Leon, um dos responsáveis pelo atendimento ao jovem, disse ao G1 que todos os exames necessários foram feitos e que não havia como suspeitar que o rapaz tinha a nova gripe. “O serviço feito foi o melhor possível. Em 48 horas, ele afundou, com um quadro abrupto”, afirmou. “Quando ele se internou, a família queria fazer raio X todos os dias, a gente explicou que não era um procedimento comum.”

O médico nega que tenha mostrado o jaleco para Ivete e Ramon com o intuito de minimizar o que eles diziam. Segundo Leon, os pais perguntaram o que ele achava sobre transferir o jovem, por isso quis mostrar que também trabalhava em outros hospitais. “Só queria mostrar que tinha experiência em outros hospitais e, se ele mudasse, o atendimento seria o mesmo”, disse.

Ricardo Lavieri, gerente do Hospital Sino-Brasileiro, explicou que foi seguido o protocolo do Ministério da Saúde sobre a doença, por isso Renan não foi enquadrado como caso suspeito. “Naquele momento, o protocolo dizia que só era suspeito se tivesse viajado ou entrado em contato com quem viajou. Mesmo que nós quiséssemos fazer o exame, nós não poderíamos, a amostra seria recusada. Ele não se enquadrava nos critérios para fazer exame”, afirmou.

O hospital diz que o jovem recebeu o melhor tratamento possível. “Ele internou, foi bem nos primeiros dias e, de repente, começou a piorar. As fatalidades, infelizmente, acontecem. Mandamos o caso para a Vigilância Sanitária, tudo foi analisado por uma comissão de infectologistas e se chegou à conclusão que o hospital fez tudo o que tinha que ser feito”, disse. O outro médico citado pelos pais também foi procurado pelo G1, por meio do hospital, mas não havia se manifestado até a noite de segunda-feira (27).

Outro caso



A dona-de-casa Nilce Paula Laguna, de 40 anos, ainda chora muito ao lembrar da filha Marcelle, de 11 anos, que morreu no dia 30 de junho vítima da nova gripe. Ela também estava internada no Hospital Sino-Brasileiro. No dia anterior à morte, a menina apresentou febre alta, vômito e desconforto. Na madrugada do dia 30, reclamou de uma dor intensa no corpo. Marcelle foi levada ao hospital às 6h e morreu cinco horas depois. “Em momento algum foi cogitada a possibilidade de ela estar com a gripe suína”, contou.

Assim que o caso foi anunciado, a Secretaria de Estado da Saúde disse que estava sendo investigada a possibilidade de que uma hantavirose na infância tenha enfraquecido o sistema imunológico da menina. A mãe diz que ficou revoltada com essa declaração. “Ela era uma criança saudável e não apresentava nenhum outro problema de saúde, ela não teve hantavírus. Por causa de um problema anterior que ela teve de saúde, foi solicitado o exame, mas deu negativo”, disse Nilce.

A secretaria afirmou que em nenhum momento disse que a menina teve o hantavírus, apenas que as causas que levaram à complicação estavam sendo investigadas, entre elas a possibilidade dessa doença. Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, todas as informações foram baseadas no prontuário médico e, em nenhum momento, houve a intenção de ofender os familiares das vítimas ou expô-los. Além disso, a secretaria afirma que tem sido transparente em relação aos casos da nova gripe em São Paulo.

A mãe também afirmou que acredita que houve uma demora na realização de exames. Ricardo Lavieri, gerente do Hospital Sino-Brasileiro, negou problemas no atendimento. “Não vi demora, ela chegou às 6h10 e 6h35 tinha sido medicada, tinha passado triagem e consulta”, afirmou. Segundo ele, a menina foi atendida em uma sala de emergência equipada, já com uma possível infecção generalizada. Mas o quadro de Marcelle piorou muito rapidamente.

Comentário:

Dois jovens morreram, porque os hospitais estão seguindo à risca, o protocolo fajuto, recomendado pelo Ministério da Saúde.

Este protocolo fajuto e criminoso, foi colocado em prática, para esconder a deficiência do Ministério e a falência da saúde pública neste país.

Assim como os dois casos aqui citados, outros morreram pelo mesmo motivo: falta de atendimento correto, em função deste maldito protocolo. Quantos ainda precisarão morrer?

Recomendo àqueles que perderam seus filhos e parentes, que entrem na justiça e processem o Ministério e as autoridades envolvidas neste descalabro e que aqueles qe forem omissos, facilitando assim a perda de vidas, sejam presos por homicídio doloso.



Comentários de alguns leitores da FOLHA:

João Carlos Gama (5) 27/07/2009 20h50

Relatorio publicado pela OMS (http://www.who.int/wer/2009/wer8430.pdf) enfatiza, no seu ultimo parágrafo, que os médicos não devem postergar a prescrição de anti-virais, especialmente naqueles doentes com sintomas no trato respiratório. Ainda, que doentes com sintomas severos não chegaram a usar terapia anti-viral. Ou seja, aqueles que já pegaram a influenza A (H1N1) e se curaram sem problemas devem agradecer a Deus, pois se tivessem tido alguma complicação, não teriam sido tratados. Afinal, se o médico prescreve o tamiflu, onde podemos conseguir o medicamento?

agnaldo salustiano (7) 27/07/2009 22h07

VEJAM ESTA MATÉRIA...
*** Ministério da Saúde Assessoria de comunicação 13/07/2009 20h20 ***
José, a imensa maioria dos pacientes infectados pelo vírus Influenza A(H1N1) tem apresentado sintomas leves, muito parecidos a uma gripe comum, e tem se recuperado rapidamente. A taxa de letalidade das duas gripes também é muito parecida, aproximadamente 0,45%, sendo que no Brasil a média é ainda menor. Porém por se tratar de um vírus novo, a doença se espalha com muita facilidade pois as pessoas ainda não têm imunidade. Por isso que pessoas idosas, crianças menores de 2 anos, gestantes e pacientes com imunodeficiências devem prestar mais atenção às medidas de prevenção. Tais como lavar as mãos com água e sabão frequentemente, cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar, não compartilhar objetos pessoais, evitar tocar olhos, boca e nariz após contato com superfícies e evitar locais com aglomeração de pessoas. Obrigada
*** Hoje a Realidade é bem diferente: 1566 casos e 45 mortes confirmadas ou seja: 2,87% - ISTO MESMO! 2,87% OU SEJA 5 VEZES A MÉDIA QUE ERA DE 0,45%, PORQUE HOJE NÃO DIVULGAM ISTO?***

Assir Bujato Vecch (29) 27/07/2009 22h33

4500 brasileiros cujos quadros clinicos pré-existentes foram agravados pela gripe comum, em 100% dos casos, ao contrário da gripe suína que mata pessoas que na prática não morreriam de gripe comum.
Será que é dificil de entender??? analisar números pasteurizados e sair afirmando que a "gripe sazonal" mata mais é burrice e falta de visão.
Eu posso sair dizendo que acidentes de carro matam mais que a gripe suína ( e matam de fato ) mas isso não me dá o direito de comparar essas duas situações distintas, uma não tem nenhuma CORRELAÇÃO com a outra, assim como a gripe comum não tem nenhuma CORRELAÇÃO COM A SUÍNA.

Gisele Budchen (6) 28/07/2009 01h10

Ministerio da Saúde
lamento mas tenho que vc tenha cometido um equivoco falando que o Brasil age igual a Inglaterra,pois a Inglaterra distribui o remedio em postos(sem estar com os sintomas agravados),e nem a propria pessoa prescisa ir buscar é só ela ligar que u agente de saude vai a sua residencia e entrega.Por outro lado aqui vc para receber o remedio vc prescisa ir ao hospital,correr riscos,e se estiver com sintomas graves vc recebe o remédio,isso fica a criterio do medico.E alem de tudo ainda retiram os mediacamnetos Tamiflu das farmacias,assim dificultando o acesso.Estou querendo comprar o tamiflu dos eua e importar,meu remedio será confiscado?
obrigada
Gisele

Rosana vaccari (1) 28/07/2009 08h53

e tudo mentira essa estoria de que no emilio ribas dão o remedio para quem esta com gripe suina , minha amiga levou a filha ontem no emilio ribas , constataram que estava com a gripe , ela começou no domingo 26/07 com os sintomas , concordam que estava no prazo das 48 hs para tomar o tamiflu , e não deram o remedio . Alias sabem da maior , deram o remedio para uma mulher recem chegada de Portugal . Acho que o remedio e só para os ricos , tipo a Sandra Annenberg da Globo , tem dinheiro , é conhecida , já´pensou se ela morre por mau atendimento de medicos ... a globa cai matando ... mas nos pobres mortais estamos já mortos ... Pessoal , nem adianta ir no Emilio Ribas, lá tbm vamos ser mal atendidos , nao tem remedio ... e outra coisa enquanto as pessoas que tiveram contato com os infectados tambem não forem obrigados a fazer " quarentena de 7 dias " isso vai se alastrar... minha amiga esta aqui hoje trabalhando normalmente e a filha dela em casa de repouso e ela espalhando o virus ( não intencionalmente ) pois a obrigação e do Estado de fazer com que ela ficasse em casa em observação ja que sua filha está infectada . Também não acredito mais na estoria de que o Brasil tem 9 Milhoes de doses do remedio , os medicos do Emilio Ribas dizem que ele não adianta nada e não ESTÃO FORNECENDO PARA OS DOENTES . O BRASIL TEM 9 MILHOES DE DOSE DE PINGA PARA ESSES " LADROES " TOMAREM .... ISSO EH O BRASIL QUE VIVEMOS ...'" CADE O MIN DA SAUDE " TEMPORÃO " PRA DESMENTIR ....

Flavio Santos (25) 27/07/2009 17h38

Então Miniestério da Saude ....
Será que o CDC não sabe o que esta divulgando.
Benefits of Antiviral Drugs
Treatment: If you get sick, antiviral drugs can make your illness milder and make you feel better faster. They may also prevent serious influenza complications. Influenza antiviral drugs work best when started soon after illness onset (within two [2] days), but treatment with antiviral drugs should still be considered after 48 hours of symptom onset, particularly for hospitalized patients or people at high risk for influenza-related complications.
Prevention: Influenza antiviral drugs also can be used to prevent influenza when they are given to a person who is not ill, but who has been or may be near a person with swine influenza. When used to prevent the flu, antiviral drugs are about 70% to 90% effective. When used for prevention, the number of days that they should be used will vary depending on a person's particular situation.

CDC Recommendation
CDC recommends the use of oseltamivir or zanamivir for the treatment and/or prevention of infection with swine influenza viruses.

Oseltamivir (brand name Tamiflu ®) is approved to both treat and prevent influenza A and B virus infection in people one year of age and older.
Zanamivir (brand name Relenza ®) is approved to treat influenza A and B virus infection in people 7 years and older and to prevent influenza A and B virus infection in people 5 years and older.

Lahierba Canta (12) 27/07/2009 17h32

Flávio Santos:
Sim, a Roche tem culpa no cartório quanto ao recolhimento do Tamiflu. Foi acordo com o governo e a Roche e o governo encobertou o fato o quanto pôde. Logisticamente só a Roche poderia saber para quem vendeu para poder recolher. Dito isto, as razões deles nada tem a ver com essa balela de evitar as cepas resistentes que o Ministério da Saúde cisma em repetir, mesmo diante nossa total descrença. É uma questão de oferta/demanda internacional e socorro ao governo brasileiro que tem um estoque insuficiente e VENCIDO de Tamiflu (podem ler tudo no blog do Maurício Beltrán que também comenta aqui)
Para se informar sugiro ler o documento da Roche: "Preparing for the Next Influenza Pandemic
Roles and Responsibilities of Roche and Other Stakeholders" (é só googlar).
O curioso é que esse documento nada fala sobre retirada de medicamentos das farmácias. E ainda afirma que a motivação da Roche ao alocar o Tamiflu na fase 6 é "prover os melhores benefícios à saúde". Só que no Brasil, prover os melhores benefícios á saúde é fugir de tudo o que tenha a marca do governo, principalmente na área de saúde.
Para finalizar gostaria de dizer que NÃO ADIANTA SÓ FICAR PRESSIONANDO O GOVERNO PARA RECOLOCAR O TAMIFLU NAS FARMÁCIAS, PRECISAMOS PRESSIONAR A ROCHE TAMBÉM. A ROCHE É QUE TEM O REMÉDIO E É QUEM PODE REPOR AS FARMÁCIAS PORQUE NÃO EXISTE PORTARIA NEM COISA NENHUMA. SÓ UM ACORDO ESCUSO ENTRE A ROCHE E O GOVERNO.

Cristina Souza (11) 27/07/2009 13h22

Para a Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde : por que os presos vao para casa tomar cha e as criancas ficam em salas fechadas dos colegios?
Simples essa pergunta.
PROPAGANDA NAO SERVE PARA NADA. OS COMERCIOS E ESCOLAS ESTAO CHEIOS DE GENTE TOSSINDO E COM OLHOS VERMELHOS. SOU ESTUDANTE TAMBEM, POR ISSO SEI.

Alexandre Mendes Pinheiro (11) 27/07/2009 12h32

É não deve ser nada alarmante para quem é tratado nos hospitais de elite desse pais.
Esse mundo de Poliana que o Ministério da Saude pinta não existe. Visitem um Hospital Publico senhores.
Afinal gostaria que o ministro da saude explicasse o fato de duas vitimas terem procurado socorro médico e não terem sido encaminhadas para exames mais esclarecedores.
Diagnosticar a gripe após a morte das pessoas não resolve o probema.
Tenho exemplos também no serviço de pessoa que apresentavam sintomas de gripe e durante 03 ou 04 dias esses só se agravaram e mesmo assim foram tratados como gripe comum sem nenhum exame ...
O negócio é rezar porque se depender do governo e seus médicos da rede publica de saude o povo esta frito.
E ficaria muito feliz se alguem me provar ao contrario, mas com dados e fatos verdadeiros e voltados a nossa realidade ...
Fico no aguardo

e assim vai ....


Fonte: G1

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