BUDAPESTE - A Ferrari informou que o brasileiro Felipe Massa foi "operado com sucesso" da fratura óssea acima do olho esquerdo, sofrida durante o grave acidente no treino oficial do Grande Prêmio da Hungria de Fórmula 1. Segundo comunicado da escuderia italiana, o piloto foi transferido para a unidade de terapia intensiva do hospital AEK de Budapeste. Além da fratura, Massa sofreu uma concussão cerebral e um corte na testa.
O vice-campeão mundial de 2008 foi levado de helicóptero ao hospital após um primeiro atendimento no centro médico do circuito de Hungaroring. Mais cedo, a escuderia italiana confirmou que o piloto não disputará a prova deste domingo.
O acidente ocorreu durante a segunda parte do treino deste sábado. Uma peça atingiu o capacete de Massa, que chegou a desmaiar e acertou a barreira de pneus de frente.
O GP da Hungria deste domingo tem largada prevista para às 9 horas (de Brasília), com Fernando Alonso, da Renault na pole. O estadao.com.br acompanha a décima etapa do Mundial da Fórmula 1 ao vivo.
Barrichello diz que Massa está em coma induzido, mas não corre risco
O piloto brasileiro Rubens Barrichello, que esteve no hospital onde Felipe Massa foi submetido a uma cirurgia, disse que o piloto está em coma induzido, mas que não corre risco de morte. Segundo Barrichello, o estado de Massa, que sofreu um grave acidente no treino classificatório do GP da Hungria de F-1, é estável.
Segundo Peter Gazso, chefe da equipe que fez a cirurgia, Massa teve uma "fratura de osso no crânio, já reparada", e uma "pequena lesão cerebral". Agora, ele repousa no hospital, e passará por uma tomografia às 10h deste domingo (horário local, 5h de Brasília) para avaliar a extensão do ferimento.
Em entrevista à rádio Jovem Pan, Barrichello deu mais detalhes sobre a situação do piloto. "O Felipe está em uma situação estável, graças a Deus. Foi uma quebra de osso acima do supercílio. Com isso, ele passou por uma cirurgia delicada, porque foi na cabeça, mas [a cirurgia] teve sucesso", disse Barrichello.
"Agora, ele está em coma induzido, mas não tem nada aberto, [ele] tem simplesmente que ficar em observação. Amanhã, os médicos dizem que, se ele estiver na mesma situação, sem nenhuma piora, eles vão tentar acordá-lo."
"O Felipe, por tudo aquilo que eles [médicos] falaram, não corre nenhum risco de vida. Mas eles não sabem dizer quando ele volta a correr, porque qualquer situação de batida na cabeça requer um pouco de tempo para ver o que acontece", revelou.
"O que eles podem falar é que o estado é estável mesmo, sem nenhum perigo maior. Neste momento, eles estão muito seguros. O hospital é de primeiríssima qualidade, e ele está sendo muito bem cuidado", disse o piloto da Brawn GP.
Acidente
Massa foi atingido na cabeça por uma peça da suspensão traseira da Brawn de Rubens Barrichello, que acertou seu capacete. Aparentemente inconsciente, ele foi reto em uma curva, sem virar o volante, e bateu na barreira de pneus. O treino foi interrompido, e depois reiniciado.
Antes do acidente, Massa conseguiu fazer um tempo para se classificar para a última parte do treino, e largaria da décima colocação --o piloto, no entanto, não tem condições de participar da corrida.
O piloto sofreu uma concussão cerebral (perda de consciência por conta da pancada) e uma lesão óssea por causa do corte de aproximadamente 8 cm acima do supercílio do olho esquerdo.
Ele foi sedado depois de ter sido atendido no centro médico do circuito de Hungaroring porque estava muito agitado, mexendo braços e pernas.
Impacto no capacete de Felipe Massa pode ter sido de 152kg
A mola que atingiu o capacete de Felipe Massa e originou o grave acidente do piloto brasileiro nos treinos classificatórios do GP da Hungria pode ter gerado um impacto de 152kg.
O cálculo teve a ajuda do físico e professor da ESPM, Julio César Bastos de Figueiredo, de 42 anos. Para realizar a conta, o professor supos o seguinte cenário: a mola que teria sido "cuspida" na pista pelo carro de Rubinho Barrichello tem 12cm de diâmetro e 500g de peso; e que Felipe Massa estava a 280 km/h (velocidade média que os pilotos realizam a curva quatro de Hungaroring).
"Nesse cenário, o impacto no capacete de Felipe Massa seria equivalente ao que receberia um homem que estivesse deitado no chão e a mesma mola fosse jogada do alto de um prédio de 300 metros, como o Empire State, de Nova York", explicou o físico.
Apesar da gravidade do acidente, pode se dizer que o impacto em Felipe Massa foi um tanto "leve". "Os capacetes dos pilotos de Fórmula 1 são projetados para receber impactos de até 600kg", explica o físico.
"O corte gerado no rosto de Felipe provavelmente aconteceu pelo aprofundamento do capacete gerado pelo choque. Mas o capacete resiste sim e resiste bem", disse.
Longa desaceleração pode ter evitado o pior
Outra cena impressionante do acidente de Massa foi o choque com o muro de pneus. Desacordado, o piloto acelerou e freou ao mesmo tempo antes de entrar na área de escape, na qual a Ferrari perdeu um pouco de sua aceleração antes de parar por completo. Graças a esse espaço e tempo maior para a parada completa do carro - além da proteção do cockpit - Felipe Massa não sofreu danos maiores.
"Força da gravidade na batida foi de 5G (cinco vezes a força da gravidade). Seria o mesmo que levantar o carro a cinco metros de altura e soltá-lo no chão com o bico para baixo. A espinha humana aguenta no máximo 7G, mas isso sem apoio algum, o que não acontece nos carros de Fórmula 1. A desaceleração que ocorreu neste caso fez com que o impacto nos pneus não fosse tão forte assim. Se fosse direto no muro, sem proteção ou desaceleração, A força G seria bem maior", explica o físico.
Galeria





Fontes: ESTADAO - REUTERS - FOLHA - TERRA
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