Empresas da família Sarney são alvo de devassa da Receita

O escândalo se aprofunda e a crise também.

Numa devassa sem precedentes nas empresas da família Sarney, a Receita Federal indicou a prática de crimes contra a ordem tributária, como remessa ilegal de recursos para o exterior, falsificação de contratos de câmbio e lavagem de dinheiro, entre outras ilegalidades. A informação é dos repórteres LEONARDO SOUZA e HUDSON CORRÊA, em matéria publicada na Folha, deste sábado.

São 17 ações fiscais em curso, que atingem 24 pessoas e empresas relacionadas direta e indiretamente aos Sarney, incluindo sete contribuintes do Rio de Janeiro e São Paulo.

O caso se estende até a Usimar Componentes Automotivos, empresa que deu nome ao escândalo da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) no final da década de 1990 no Maranhão, no governo da então e atual governadora Roseana Sarney (PMDB).

O aperto da fiscalização sobre pessoas físicas e jurídicas da família Sarney somou-se a uma série de outros fatores que levaram o governo federal a demitir a secretária da Receita Lina Maria Vieira, segundo a Folha apurou.

A Folha tentou ouvir o advogado da família Sarney, mas ele não ligou de volta à reportagem.

Demissão

A secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, foi demitida no último dia 15 após menos de um ano no cargo.

O argumento oficial foi a queda na arrecadação, mas acredita-se que um dos motivos tenha sido a disputa entre a Receita e a Petrobras, em relação a uma mudança contábil feita pela estatal no final de 2008 e que permitiu uma redução de R$ 4 bilhões no recolhimento de impostos. Essa questão foi um dos motivos usados pela oposição para a criação da CPI da Petrobras.

Durante sua administração, Lina também concentrou a fiscalização sobre grandes contribuintes, aplicando autuações bilionárias em bancos e empresas de diversos setores.

Os atingidos, incluindo o grupo de Sarney, pressionaram pela sua demissão

Comentário:

Em uma República , a secretária não seria demitida. Este cargo deveria ter um tratamento diferenciado na Constituição e nas leis. Ninguém individualmente, poderia ter o poder de afastar algúem desta função. Talvez um cargo com mandato definido. Assim seriam evitadas pressões advindas de corruptos com poder ou influência política.

Pobre do contribuinte pessoa física, sem poder político e sem representação, que se comete um erro na declaração, sofre onsequências funestas e não há quem o defenda.

Lamento informar que o povo brasileiro, não tem quem o represente nesta República loteada pelos grandes interesses econômicos. Nosso governo representa a si mesmo e aos interesses particulares de alguns e tudo sob o disfarce de eleições periódicas. Vivemos uma ficção demotrática. Não vivemos em uma repúplica.

A democracia real pressupõe justiça para todos e que atue sobre todos.

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Fonte: FOLHA

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