Casagrande informa descoberta de contas que somam R$ 3,74 mi e funcionam paralelamente com verba da Casa
BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou nesta quarta-feira, 24, a abertura de uma comissão de sindicância para investigar a existência de duas contas, uma corrente e outra de poupança, na Caixa Econômica Federal, em nome da Casa. Ambas somam R$ 3,74 milhões e funcionavam paralelamente aos recursos orçamentários do Senado depositados na Conta Única do Tesouro Nacional.
De acordo com a assessoria da presidência da Casa, caberá à Secretaria de Controle Interno conduzir as investigações. Sarney determinou que seja apurado quem abriu as contas, quanto foi movimentado e também os responsáveis por sua movimentação, entre outras coisas.
Ainda de acordo com a assessoria do presidente do Senado, o parlamentar não tinha qualquer conhecimento de recursos paralelos aos que estão depositados na Conta Única do Tesouro Nacional.
A descoberta desses recursos partiu de uma investigação realizada pela Comissão de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle. O presidente da comissão, Renato Casagrande (PSB-ES), encaminhou ofício a Sarney comunicando o fato e recomendando uma série de providências.
Casagrande sugeriu o recolhimento imediato à Conta Única dos saldos existentes nas contas abertas na Caixa Econômica Federal e o encerramento delas. O presidente da comissão também pediu o levantamento dos extratos dos últimos cinco anos e as movimentações realizadas.
O senador requer ainda que o novo regulamento administrativo a ser proposto pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) exclua a possibilidade de manutenção de recursos próprios em contas bancárias fora da Conta Única do Tesouro Nacional.
"Esse procedimento administrativo coloca para a gestão da instituição um extremo risco de controle, pois contorna todos os meios disponíveis no sistema SIAFI para assegurar que o reembolso financeiro somente ocorra após o cumprimento rigoroso de todas as etapas de empenho e liquidação, com a agregação de funções em vários intervenientes de procedimento", argumenta Renato Casagrande.
O senador acrescentou que manter essas contas representa um "risco de mais um grave abalo à imagem da Casa, já tão preocupada no momento presente".
PSOL começa a colher assinaturas para CPI dos atos secretos
Entenda os atos secretos e confira as análises
O senador José Nery (PSOL-PA) começou nesta quarta-feira, 24, a campanha para recolher assinaturas para a CPI dos atos secretos, usados para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar salários, revelados pelo Estado. Ao Estadao, ele afirmou já contar com duas das 27 necessárias e diz que há manifestação de outros senadores que se comprometeram em apoiar a comissão. " O senador Jefferson Praia (PDT-AM) já assinou, além de mim. Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) também disse que vai assinar. Alguns dizem 'mas o Senado investigar o próprio Senado?' E eu falo: "Precisamos mostrar à sociedade que não compactuamos com esta impunidade', defendeu.
O senador reconhece que pode encontrar dificuldade em recolher assinaturas, já que há suspeita de que estejam envolvidos com os atos pelo menos 37 senadores, mas garante que a comissão pode contribuir para fazer a "faxina dos atos de corrupção no qual Senado está envolvido". Não vamos brincar de fazer CPI. É uma postura do Senado de reconhecer nossas mazela a erradicá-las. Se tivermos que encostar na carne, que façamos".
Nery defende também o afastamento do presidente da Casa, Jose Sarney (PMDB-AP) até que as investigações sobre os atos sejam concluídas. "Eu disse e pedi formalmente o afastamento de Sarney para que se produza uma investigação independente e sem pressão porque muitos dos acusados foram nomeados por ele. Portanto, seria adequado o licenciamento do presidente para que as investigações ocorressem sem influência para que tenhamos apuração ampla e completa.
Fonte: O ESTADO DE S PAULO
Nenhum comentário:
Postar um comentário