Polícia usa a força para reprimir ato da oposição na capital do Irã


Forças de segurança em frente à prédio do governo em Teerã; testemunhas relatam forte policiamento na cidade

Guarda Revolucionária havia avisado que não permitiria protestos. Confrontos já mataram ao menos 18 desde a reeleição de Ahmadinejad.



A polícia usou a força contra os pelo menos 200 manifestantes oposicionistas que se reuniram nesta segunda-feira (22) no centro de Teerã em um ato por novas eleições presidenciais no Irã, segundo testemunhas.

De acordo com a agência Associated Press, bombas de gás e tiros foram disparados para dissipar os manifestantes, e helicópteros sobrevoaram a praça Haft-e-Tir. Segundo a agência Reuters ainda há opositores reunidos na região, apesar da violência da polícia.

Cerca de 500 policiais e milicianos 'bassij' estavam mobilizados. Entre 50 e 60 pessoas foram detidas, disse uma testemunha.

Os carros que passavam pela praça e buzinavam eram "marcados" com tinta, para que os policiais possam prender seus ocupantes depois.

O protesto ocorreu pouco depois de a Guarda Revolucionária do Irã ter afirmado que não iria hesitar em enfrentar manifestantes que fizessem protestos "ilegais".

Em comunicado em seu site, a guarda também criticou o Ocidente por seu suposto apoio aos oposicionistas.O texto acrescenta que, além da Guarda Revolucionária, os membros da milícia islâmica Basij e de outras forças também vão conter os protestos nas ruas.

A Guarda Revolucionária é uma força militar de orientação ideológica, que se considera guardiã da Revolução Islâmica de 1979. Mais poderoso corpo militar do país, ele tem estrutura de comando separada das Forças Armadas regulares.

Moussavi

O principal líder da oposição iraniana e candidato derrotado das eleições, Mir Houssein Moussavi, desafiou o apelo do líder supremo do país e voltou a pedir a continuidade dos protestos.


Manifestantes pró-oposição iraniana protestam nesta segunda-feira (22) próximo à Embaixada do Irã em Paris contra a violência policial no país persa. Protestos contra o regime iraniano ocorreram em vários países. (Foto: AP)


Manifestante pró-oposição iraniana cobre o rosto em protesto durante ato em frente à Casa Branca, em Washington, neste domingo (21). (Foto: AP)

Ele afirma que o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito, já em primeiro turno, em um pleito fraudulento. O governo nega as acusações.

A fala de Moussavi desafia o pedido do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, que exigiu o fim das manifestações e reafirmou a vitória de Ahmadinejad.

Ecoando Moussavi, o ex-presidente Mohammad Khatami disse em um comunicado que "protestar evitando distúrbios era um direto das pessoas e todos precisamos respeitar."

O recado de Moussavi pedia ainda que motoristas ligassem os faróis de seus automóveis por duas horas a partir das 17 horas (horário local, 9h30 em Brasília) para "demonstrar sua solidariedade às famílias dos mártires mortos nos recentes eventos".

O Conselho de Guardiães admitiu que na eleição presidencial aconteceram irregularidades. Um porta-voz do conselho, Abbas-Ali Kadkhodaei, disse que em 50 cidades houve mais votos que eleitores, mas que isso não muda o resultado.

Mortes

Ao menos 10 pessoas morreram no sábado em confrontos de rua. A polícia afirmou nesta segunda que 457 pessoas foram presas naquele dia.

Autoridades disseram que ao todo 18 pessoas já morreram, mas observadores internacionais dizem que esse número pode ser maior.

O gabinete do procurador-geral de Teerã afirmou que "vândalos desconhecidos" abriram fogo e mataram pessoas nas manifestações de sábado, disse a estatal Press TV na segunda-feira.

A Itália anunciou que stá disposta a abrir sua embaixada em Teerã a manifestantes feridos, em coordenação com outras nações europeias, informou o Ministério de Relações Exteriores italiano em um comunicado nesta segunda.

Imprensa

A imprensa internacional está sendo impedida de acompanhar os protestos oposicionistas. As informações chegam por meio da cobertura da TV estatal iraniana, de relatos de testemunhas e de imagens postadas na internet por cyberativistas.

A entidade Repórteres Sem Fronteiras relata que há ao menos 33 jornalistas iranianos presos no momento no país.

Um repórter canadense da revista 'Newsweek' teria sido preso, e o governo expulsou o correspondente em Teerã da rede britânica BBC.

Mais Violência

Testemunhas viram helicópteros sobrevoando aproximadamente 200 pessoas que se reuniram na praça Haft-e Tir, segundo a agência de notícias Associated Press. A Reuters informa, também com base em relatos de pessoas que estiveram no local, que havia ao menos mil manifestantes.

Segundo os relatos, centenas de policiais acabaram rapidamente com o protesto e preveniram as pessoas no local para que não participem de qualquer reunião, até mesmo em pequenos grupos.

A polícia não permitiu que ninguém ficasse na estação de metrô da praça, pedindo aos cidadãos que continuassem andando e separando grupos que caminhavam juntos.

Outra testemunha contou à France Presse que "entre 50 e 60 pessoas foram detidas". Os carros que passavam pela praça e buzinavam eram "marcados" com tinta, para que os policiais possam prender seus ocupantes depois, afirmou.

Antes dos confrontos, uma mulher iraniana disse à agência de notícias Associated Press sob condição de anonimato --por temer represálias do governo-- que havia uma forte presença policial em outra praça do centro de Teerã.

Prisões e mortes

A polícia iraniana afirma que 457 pessoas foram presas nos confrontos de sábado passado na capital Teerã, que deixou ainda cerca de cem feridos. Nesta segunda-feira, o governo anunciou que "cinco espiões europeus", acusados de participar dos "distúrbios" que ocorrem em Teerã, também foram detidos. A agência de notícias "Fars", que não cita fontes, diz que dois alemães, dois franceses e um britânico foram detidos por estarem "entre os principais ativistas dos distúrbios de sábado em Teerã".

As detenções aconteceram durante os confrontos entre manifestantes e forças de segurança, polícia e a milícia paramilitar Basij, nas proximidades da praça Azadi da capital do país.

De acordo com a Fars, os enfrentamentos de sábado deixaram ainda 40 policiais feridos e 34 prédios governamentais danificados.

Faezeh Hashemi, filha do ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, e outros quatro membros de sua família que haviam sido detidos no sábado pela polícia "para a própria segurança", segundo as autoridades, foram liberados.

Ativistas publicam na internet fotos de garota iraniana morta em protestos


Foto de documento de identidade postada na internet nesta segunda-feira (22) mostra Neda Agha Soltan, a jovem iraniana que teria morrido durante protesto no último sábado. O vídeo da morte rodou a internet. (Foto: AFP)

Os cyberativistas ligados à oposição iraniana postaram nesta segunda-feira (22) fotos de Neda Agha Soltan, a garota de 16 anos que teria morrido no sábado durante protestos de rua contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

As imagens da morte de Neda,foram gravadas em um telefone celular e colocadas posteriormente na internet. Elas repercutiram e se tornaram um símbolo da revolta dos oposicionistas.

Imagens postadas na internet tornaram-se o principal meio de divulgação dos protestos, uma vez que o governo iraniano está impedindo o trabalho da imprensa estrangeira.

Veja o vídeo em nossa postagem anterior

Fontes: APF - FOLHA - G1- Efe

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