O governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), durante posse do novo secretariado, em 20 de abril (Foto: Dida Sampaio / Agência Estado)O Congresso abriga mais um exemplo do uso de dinheiro público para bancar despesas privadas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB). O mordomo da casa de sua filha, Roseana Sarney, ex-senadora e atual governadora do Maranhão, é um servidor pago pelo Senado. Amaury de Jesus Machado, de 51 anos, conhecido como "Secreta", é funcionário efetivo da instituição. Ganha, com gratificações, em torno de R$ 12 mil. Deveria trabalhar no Congresso, mas desde 2003 dá expediente a sete quilômetros dali, na residência que Roseana mantém no Lago Sul de Brasília.
"Secreta" é uma espécie de faz-tudo, quase um agregado da família. Cuida dos serviços de copa e cozinha, distribui ordens aos funcionários e organiza as recepções que Roseana promove quando está na cidade. Na manhã de sexta-feira (19), a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo procurou o servidor na casa da governadora. O empregado que atendeu informou que ele estava há dez dias em São Paulo, acompanhando Roseana. Ela ficou até sexta-feira na capital paulista,onde passou por cirurgia para retirada de aneurisma.
A reportagem falou por telefone com outros funcionários da casa e com amigos da família, que confirmaram a lotação privada do servidor. Na sexta-feira, por telefone, a governadora descreveu as funções de Machado assim: "Ele é meu afilhado. Fui eu que o trouxe do Maranhão. Ele vai à casa quando preciso, uma duas ou três vezes por semana. É motorista noturno e é do Senado. E lá até ganha bem."
Roseana renunciou ao cargo de senadora em abril, para assumir o governo do Maranhão no lugar de Jackson Lago (PDT), cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ainda que estivesse no exercício do mandato, não poderia ter um servidor como empregado doméstico. José Sarney enfrenta há duas semanas denúncias de contratação de parentes, muitos incluídos na folha de pagamento do Senado por meio de "atos secretos" que permitiam fazer nomeações sem que elas fossem publicadas nos boletins oficiais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Procurador quer explicações do Senado sobre mordomo empregado na casa de Roseana
O procurador do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), Marinus Marsico, vai cobrar do Senado explicações sobre o suposto desvio de função do servidor Amaury de Jesus Machado, 51, o Secreta.
De acordo com reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo", Secreta é funcionário do Senado mas dá expediente na casa da governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB-MA) no Lago Sul de Brasília desde 2003.
O empresário maranhense Mauro Fecury, suplente de Roseana e velho amigo do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), manteve Secreta, em seu gabinete.
"Vamos investigar esse caso como qualquer outro que surgir, independentemente dos nomes dos supostos envolvidos", disse Marsico à Folha Online por telefone.
Segundo ele, é preciso verificar se houve desvio de função para depois pedir as devidas correções. "Se a irregularidade for comprovada, vamos pedir a devolução do salário pago a ele aos sofres públicos."
Atos secretos
Sarney anunciou ontem a criação de uma comissão de sindicância para apurar as responsabilidades sobre os atos publicados secretamente na Casa Legislativa nos últimos 14 anos.
A comissão terá sete dias para apresentar os resultados dos trabalhos. Portaria assinada nesta sexta-feira por Sarney afirma que a comissão terá como foco investigar denúncia, revelada pela Folha, de que ex-diretores da instituição determinavam o sigilo dos atos da Casa.
Segundo a portaria, a comissão vai ser integrada pelos servidores Alberto Moreira de Vasconcelos Filho, Gilberto Guerzoni Filho e Maria Amália Figueiredo da Luz. Os três servidores do Senado vão ser acompanhados por representantes do Ministério Público e do TCU (Tribunal de Contas da União) nas investigações.
Sarney encaminhou ofícios ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, e ao presidente do TCU, Ubiratan Aguiar pedindo que sejam cedidos um membro e um auditor para acompanharem as investigações da comissão
Reportagem publicada ontem pela Folha informa que as ordens para manter atos administrativos secretos no Senado vinham diretamente do ex-diretor-geral Agaciel Maia e do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. A afirmação feita pelo chefe do serviço de publicação do boletim de pessoal do Senado, Franklin Albuquerque Paes Landim.
O testemunho contradiz a versão de Agaciel e do presidente do Senado, José Sarney, de que a existência dos atos secretos se trata de 'erro técnico'. A descoberta dos atos secretos --medida usada para criar cargos ou aumentar salários sem conhecimento público-- foi o estopim da mais recente crise na Casa. Entre 1995 e 2009, o Senado editou 623 atos secretos.
Nota do Editor:
Parece que os escândalos não tem fim.
Fontes: Agência ESTADO - G1
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