Khamenei dará última palavra sobre crise políticaTEERÃ - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, irá realizar na sexta-feira, 19, um discurso na Universidade de Teerã, dias depois de um protesto no local que se transformou em um sangrento confronto, informa a rede CNN. O sermão pode indicar sinais de como o governo planeja resolver a crise política iniciada depois das eleições presidenciais do país.
Khamenei, maior autoridade do Irã, tem pedido a população que apoie a República Islâmica. Nesta quinta, dezenas de milhares de partidários do derrotado candidato presidencial Mir Hossein Mousavi realizaram um novo protesto em Teerã. A intenção do ato é lembrar os mortos durante manifestações anteriores. O próprio Mousavi compareceu ao protesto.
Muitos vestidos de preto, os iranianos marcharam no sul da capital. A manifestação é realizada apesar de uma proibição do Ministério do Interior. Autoridades também barraram a imprensa estrangeira de cobrir eventos "não autorizados" como esse.
Mousavi chegou por volta das 18h30 (hora local), segundo uma testemunha, na praça Imã Khomeini. Uma testemunha disse que ele deixou o veículo e começou a falar com a multidão através de um megafone. A rádio estatal informou sobre sete mortes em confrontos, desde a eleição do dia 12. O presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado reeleito, porém a oposição, liderada pelo moderado Mousavi, reclama de fraudes.

Mousavi comparece a protesto em Teerã e é saudado por apoiadores. Foto: Reuters
O Conselho de Guardiães, que tem entre suas atribuições monitorar as eleições, recebeu um total de 646 reclamações de irregularidades, dos três candidatos derrotados. O órgão informou que convidou o trio para discutir o tema no sábado, com uma decisão no domingo sobre qualquer recontagem possível.
"Nós decidimos convidar pessoalmente os candidatos e os que têm queixas em relação à eleição para participarem de uma sessão extraordinária do Conselho dos Guardiões no sábado", afirmou o porta-voz do conselho, Abbasali Khadkhodai. Em meados desta semana, o órgão disse que realizaria uma recontagem parcial dos votos, mas descartou a possibilidade de realizar nova eleição, como queriam os partidários de Mousavi.
Ainda não se sabe se os candidatos aceitaram o convite. O correspondente da rede BBC em Teerã, Jon Leyne, disse que é pouco provável que os candidatos estejam otimistas quanto ao resultado deste encontro. O conselho, formado por seis clérigos e seis advogados, tradicionalmente é leal ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
ATAQUES
Enfrentando sua pior crise desde a Revolução Iraniana de 1979, os líderes islâmicos partiram para a ofensiva, prendendo manifestantes e importantes reformistas, restringindo o trabalho da imprensa e criticando "interferências" estrangeiras, entre elas dos Estados Unidos.
O Partido Etemad Melli (Confiança Nacional), do também derrotado candidato reformista Mehdi Karroubi, pediu permissão para realizar um novo protesto, no sábado. Nesta quinta-feira, Ahmadinejad voltou à TV estatal e, aparentemente, tentou amenizar comentários recentes em que comparava os manifestantes a torcidas de times de futebol.
"Eu me referi àqueles que incendiaram (prédios) e atacaram pessoas", disse. "Eu disse que esses indivíduos (...) são estranhos à nossa nação". O presidente reeleito disse ainda que a vitória no pleito "pertence aos 70 milhões de iranianos e aos 40 milhões que participaram da votação."
Fontes: Reuters - AP - Agência ESTADO
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