Jogo de Cruzeiro e Grêmio termina em tumulto e acusação de racismo

O primeiro jogo das semifinais da Taça Libertadores entre Cruzeiro e Grêmio acabou em tumulto devido a um episódio de racismo. O volante cruzeirense Elicarlos acusou o argentino Maxi López de chamá-lo de "macaco" no primeiro tempo da partida, que teve vitória do time mineiro, por 3 a 1.

Depois do jogo, Elicarlos prestou queixa contra o rival na delegacia móvel dentro do Mineirão (Belo Horizonte). A partir daí, a polícia impediu a saída do ônibus do Grêmio para que López prestasse depoimento.

O caso gerou grande tumulto, com críticas entre jogadores e até voz de prisão contra o técnico gremista, Paulo Autuori. A medida acabou sendo revogada, e toda a comissão do time gaúcho desceu do ônibus para acompanhar a declaração de López, que começou após a 1h20.

Aos delegados Daniel Barcellos e Roseli Baeta Neves, o argentino negou que tivesse a intenção de ofender o jogador cruzeirense. "O jogador Maxi López alega que, em momento algum, usou termo depreciativo, defendendo que não teria condições de se expressar tão bem em português para entender a ofensa", contou Barcellos.

"O Elicarlos alegou que foi ofendido verbalmente, sendo chamado por algo considerado uma injuria qualificada", explicou o delegado. "Ele registrou uma ocorrência e nós pedimos a presença do jogador do Grêmio, que teria sido responsável pela ofensa."

Ambos foram liberados e a polícia vai instaurar um inquérito para investigar se o caso configura racismo --um crime inafiançável pela lei brasileira. "O que temos nesse momento é a versão de um jogador contra a versão de outro", defendeu o delegado.

O técnico Paulo Autuori não deu detalhes do caso. "Não conversei com o Maxi. Já vimos esse filme em São Paulo e não deu em nada. Muita gente apareceu e acabou como tudo acaba no Brasil." Ele se refere ao processo sofrido pelo também argentino Desábato, acusado pelo ex-jogador são-paulino Grafite, em 2005.

Aos repórteres que estavam no local, o argentino disse que "não houve nada. Ele [Elicarlos] está querendo criar polêmica".

O presidente do Grêmio, Duda Kroeff, disse que o caso pode ter sido um mal-entendido. "O Maxi é uma das pessoas mais educadas que conheço". A atitude do atacante argentino foi reprovada por Wellington Paulista, colega de Elicarlos: "Isso não se faz. Futebol é para jogar futebol, e não para ficar insultando os outros. Se fosse comigo, eu também processaria, não estou nem aí".

O caso acirrou os ânimos para a próxima partida da semifinal da Libertadores, que ocorre em Porto Alegre (RS), no dia 2 de julho. A equipe mineira poderá perder por um gol de diferença que se classificará.

Fonte: FOLHA

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