
Nestor Kirchner participa de comício no distrito de Buenos Aires; governo da Argentina pode perder maioria parlamentar em eleição
Cerca de 28 milhões de argentinos foram convocados para as eleições legislativas do próximo domingo, 28, que serão fundamentais para definir o mapa político do país, já que está em jogo a maioria que o governo da presidente Cristina Kirchner possui no Parlamento.
O pleito irá renovar metade das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço dos 72 do Senado, onde a Frente para a Vitória (FV, peronista), liderada pelo ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), e seus aliados contam com a maioria absoluta.
Presidente Cristina Kirchner e seu marido, Néstor, concorrente na eleição de domingoApós uma campanha intensa, que terminará oficialmente à meia-noite desta quinta-feira, pesquisas indicam que o governo poderia perder essa maioria, mas se manteria como a força mais importante da política argentina.
A batalha definitiva ocorrerá na Província de Buenos Aires, a mais povoada do país e tradicional bastião peronista, cujo voto tem sido até agora decisivo para determinar maiorias parlamentares e eleger presidentes.
Na eleição do próximo domingo, dez milhões de eleitores da província irão escolher 35 deputados. Por isso, as principais forças políticas colocaram seus melhores candidatos como cabeça de chave em Buenos Aires. Levantamentos indicam um empate entre Kirchner, o candidato da situação, e seu principal rival, o dissidente peronista Francisco de Narváez, um empresário que lidera a lista da coalizão opositora União-PRO.
Kirchner reforçou sua candidatura com o governador da Província, Daniel Scioli, a atriz Nacha Guevara e com o chefe do gabinete de ministros, Sergio Massa.
A União-PRO conta com o apoio do ex-governador do distrito Felipe Solá e com Jorge Macri, primo do prefeito da capital argentina, Mauricio Macri.
Mais para trás nas pesquisas aparece a frente opositora Acordo Cívico e Social (ACS), que apresenta Margarita Stolbizer como cabeça de chave, seguida por Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-1989), falecido recentemente.
Santa Fé
Os analistas estão prestando atenção especial também aos resultados da Província de Santa Fé, a única governada pelos socialistas. Lá, o presidente do Partido Socialista, Rubén Giustiani, compete pelo Senado com o peronista dissidente e ex-piloto de Fórmula Um Carlos Reutemann, que alimenta o sonho de chegar à Presidência da Argentina.
As autoridades eleitorais colocaram 120 mil policiais para garantir a segurança durante a eleição. São homens das Forças Armadas, da Polícia Federal e das províncias, que se encarregarão de guardar os locais de votação em todo o país.
Empresários se afastam de casal Kirchner às vésperas de eleição
O governo Cristina Kirchner chega às eleições legislativas de domingo na Argentina em meio ao pior momento de sua relação com o setor empresarial.
O ponto de inflexão foi a onda de nacionalizações promovida em maio pelo governo de Hugo Chávez (Venezuela), que incluiu três empresas da Techint, a maior multinacional argentina. Chávez é um dos principais aliados políticos e econômicos dos Kirchner.
A iniciativa gerou uma inédita reação em cadeia do setor, com comunicados de câmaras dos industriais, empresários, banqueiros, exportadores e comerciantes. A UIA (União Industrial Argentina), a Fiesp local, pediu a defesa de "interesses legítimos" do país no exterior e rechaçou a entrada da Venezuela no Mercosul, já aprovada pela Argentina.
Embora tenha buscado se diferenciar do modelo chavista, o governo subiu o tom contra a Techint, com críticas de Cristina e de Néstor Kirchner, seu marido e antecessor, hoje candidato a deputado.
No início deste mês, em outro episódio de afastamento do empresariado, o governo impediu a divisão de dividendos pela distribuidora de energia Edesur, que tem 25% das ações nas mãos da Petrobras. "Que invistam antes de distribuir lucros", afirmou o ministro do Planejamento, Julio de Vido.
Mas o sinal de alerta no setor já havia sido aceso no ano passado, quando o governo estatizou a Previdência privada obrigatória e passou a designar diretores estatais nas cerca de 40 empresas em que os fundos privados tinham ações.
As estatísticas oficiais, sob suspeita desde 2007, são outro ponto de atrito. Em abril, a UIA registrou queda interanual de 9,6% na produção industrial. O governo, que diz que o cálculo da entidade é limitado, apontou baixa de 1,4%.
A intervenção estatal na economia, que passou a ser cavalo de batalha da oposição, é também uma das críticas do setor rural, em conflito com os Kirchner desde 2008 e que reivindica liberação das exportações de carne e leite, autorizadas a conta-gotas pelo governo como forma de controlar preços --quanto maior a oferta interna, mais baratos os produtos.
"Não acredito que a Argentina possa imaginar adotar um modelo como o venezuelano", afirmou à Folha o secretário da UIA e ex-ministro da Produção do governo Eduardo Duhalde (2002-2003), José Ignacio de Mendiguren.
Em público, a entidade mantém o discurso cuidadoso e nega ruptura com o governo. "Apoiamos as medidas, mas apontamos o que é necessário introduzir", diz Mendiguren.
Os indícios de reacomodação na relação, no entanto, existem. Em abril, por exemplo, banqueiros, industriais e produtores rurais voltaram a se reunir pela primeira vez desde março de 2008, marco do início do conflito dos Kirchner com o campo. O problema das estatísticas e a designação de diretores estatais em empresas estiveram na pauta da reunião, que passou a ser periódica.
Campanha na Argentina entra na reta final com guerra de pesquisas
A última semana de campanha na Argentina, que culmina com as eleições legislativas do próximo domingo (28), começa em meio a uma "guerra" de pesquisas de intenção de voto, com resultados discrepantes e acusações de manipulação.
O cenário é a Província de Buenos Aires, maior colégio eleitoral do país, que elege 35 das 127 cadeiras em disputa na Câmara de Deputados. O voto na Argentina é dado a partidos ou alianças, que fazem listas fechadas com ordem predeterminada --quanto mais votos, mais candidatos são eleitos.
Um levantamento da consultora Poliarquía para o jornal "La Nación" apontou empate técnico entre a lista opositora do empresário e deputado federal Francisco De Narváez e a chapa do governo, que leva à frente o ex-presidente Néstor Kirchner, com vantagem para a primeira --32,5% a 30%.
Segundo a pesquisa, Kirchner é mais votado na região metropolitana de Buenos Aires (32,3%) e entre eleitores com primário completo (38,1%), enquanto De Narváez ganha no interior (33,2%) e entre votantes com curso superior (29,3%).
Já levantamento do Ceop, divulgado no sábado (20) pela agência de notícias do governo federal, pôs Kirchner com 34,6%, contra 27,1% de De Narváez. O Ceop recebeu metade dos R$ 3 milhões gastos pelo governo desde 2006 em pesquisas.
A confiabilidade das pesquisas é questionada na última edição da "Notícias", a revista semanal mais vendida no país. Segundo a reportagem, pesquisadores reconhecem, sob condição de anonimato, que apresentam dados maquiados para influenciar eleitores.
Apesar das suspeitas, tudo aponta para uma eleição disputada na Província, polarizada entre Kirchner e De Narváez. A aliança do radicalismo, rival histórico do peronismo (partido do governo), perdeu o fôlego alcançado após a morte do presidente Raul Alfonsín (1983-1989) e ocupa o terceiro lugar nas pesquisas --13,2% para Poliarquía, 15,5% para o Ceop.
Para Kirchner, a semana será para reforçar sua prioridade na região metropolitana de Buenos Aires, bastião histórico do peronismo e que concentra setores de baixa renda. Ele encerrará a campanha tendo visitado 22 das 24 cidades da região, que reúne 23% dos votos do país, e só nove no interior.
A aliança do peronismo dissidente de De Narváez deve baixar o tom da campanha para evitar erros na reta final. Dará ênfase à distribuição de cédulas --no sistema eleitoral argentino, cada partido imprime sua própria cédula e é responsável por sua distribuição.
Fonte: Efe - FOLHA
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